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Cicloturismo: Pedal na Serra de Portalegre – RN

Por Benilton Lima
 
“O topônimo Portalegre é uma alusão a cidade de Portalegre, situada na região do Alentejo, em Portugal. Sua denominação original era Regente e desde 1833, Portalegre.” http://pt.wikipedia.org/wiki/Portalegre_(Rio_Grande_do_Norte)
Serra de Portalegre

Serra de Portalegre – RN

Para quem gosta de sair do lugar comum e ao mesmo tempo curte conhecer lugares pitorescos, com excelente clima, um povo simpático e acolhedor, boa opção de hospedagem e um visual incrível, uma boa pedida é visitar a cidade de Portalegre, cidade serrana localizada na região Oeste do Estado.
É bem verdade que fica um pouco distante – são 376 Km – de Natal até lá, entretanto, as estradas estão em boas condições e o trajeto oportuniza conhecer ainda que rapidamente vários Municípios (Macaíba, Santa Maria, Riachuelo, Caiçara do Rio dos Ventos, Lajes, Fernando Pedrosa, Angicos, Açu, Paraú, Campo Grande, Caraúbas, Olho D´água dos Borges, Umarizal, Riacho da Cruz e Viçosa). Merecem destaques as últimas duas cidades, principalmente pela significativa quantidade de árvores frutíferas embelezando a paisagem e ofertando uma ótima sensação, quebrando assim um pouco da paisagem árida presente no trecho entre Campo Grande e Umarizal.
Saímos (Serginho, Suzy, Flávio Azevedo, Juliana Cantero, Claudia Celi e eu) de Natal por volta das 10h00min da manhã da sexta, almoçamos em Lajes do Cabugi, entramos em Umarizal para uma rápida visita a Escola Estadual Anália da Costa Leite (Educação de Jovens e Adultos), cujo nome homenageia a vó de Serginho, sendo muito bem recebidos pelo Diretor e Professores. Feitos os registros fotográficos nos despedimos e chegamos por volta das 15h30min ao hotel Portal da Serra, em Portalegre, que nos causou uma ótima impressão, o que depois concretizou-se.
A noite foi dedicada à gastronomia e visitamos um lugar bastante simpático “O Pão Nosso”, lanchonete, bar e restaurante, com excelente atendimento e ambiente extremamente familiar, com decoração de cunho religioso, como o próprio nome sugere. Se você for visitar não esqueça de experimentar uma iguaria aparentemente simplória, porém reveladora de surpresas inexoráveis: “o queijo à palito”. Vou ocultar os detalhes do prato para aguçar a curiosidade do nobre leitor.
Ainda no restaurante aconteceu algo singular: Claudia Celi foi ao toalete e detectou que a lâmpada do ambiente estava queimada. Informamos à proprietária e esta cuidou de arrumar uma lâmpada reserva, cabendo ao nosso MacGyver (também conhecido pelos epítetos de Berenilson e Frei Damião), a tarefa de resolver o problema. Em menos de três segundos (contados no cronômetro) o homem resolveu o problema e deu à luz. Em agradecimento a simpática proprietária ofertou um desconto nas despesas, diminuindo uma das inúmeras cervejas ingeridas por Suzy, Juliana e Claudia. Diante de tamanha gratidão as ideias foram surgindo e teve até quem sugerisse entupir o vaso ou sabotar a descarga para que MacGyver consertasse e tivéssemos desconto no almoço e jantar do dia seguinte. Claro que fui contra e minha posição venceu com pequena diferença.
Voltamos aos hotel já era quase madrugada. Antes, porém, fizemos um “tour forçado” pela cidade, com direito a sugestão de seguirmos por trilha até Martins. Novamente votei contra e por muito pouco a proposta maluca não ganhou.
Acordamos na hora que era pra acordar. Tomamos café (muito bem servido, comida fresca e farta) e iniciamos o pedal. Primeiramente fomos até o pórtico de entrada da cidade e fizemos o devido registro fotográfico. De lá fomos ao centro e paramos na igreja Matriz para uns “retratos”. Enquanto fazíamos poses surgiu um senhor de bicicleta, apresentando-se como o pároco da cidade e relatando que pedala com frequência na região, já tendo descido várias vezes no rumo de Pau dos Ferros. O nome da figura é Padre Dário e fizemos questão de fazer os devidos registros fotográficos com o homem. Mais uma figura para compor o elenco do Rapadura, faltando agora tão somente um anão, um albino e ex-gay.
Deixamos a igreja e fomos até a Fonte da Bica, local muito bom para refrescar o calor e a garganta. Ali encontramos um rapaz dançando sozinho e ele me dirigiu a palavra: o bafo de cana até agora ainda tá impregnado na minha camisa de ciclista.
O próximo ponto de visitação foi o Mirante. O local tem pousada e restaurante, com um lindo visual da região. Merece muito uma visita.
Circulamos pela cidade e partimos para a zona rural com o propósito de conhecer as Torres. Pedalamos inicialmente por uma estrada de barro e aos poucos a trilha foi estreitando, transformando-se em um single-track arretado. Em determinado ponto vão surgindo pedras no caminho e o terreno apresenta muitas erosões, indicando a hora de descer da bicicleta. Andamos uns vinte metros e encontramos um enorme penhasco (600 m) e do outro lado uma formação rochosa que mais parece um trampolim. O local é mágico, exige cuidado e permite uma visão exuberante das cidades lá embaixo, inclusive da Barragem Santa Cruz, no Vale do Apodi. O melhor de tudo é que fica a menos de 6 Km da cidade.
Voltamos ao hotel, almoçamos à borda da piscina e o resto do dia foi somente alegria.
Nossa última noite em Portalegre também foi gastronômica. Após uma intensa pesquisa na Internet e uma discussão acalorada optamos por visitar a seresta do “Almeidão”, um bar localizado na praça principal da cidade, com música ao vivo e churrasco no quilo, com direito a uma balança digital para pesar a carne na frente do cliente. Deixa “Sal e Brasa” e “Fogo e Chama” no chinelo. Visitando Portalegre não esqueça de agendar o serestão, lembrando, entretanto, que ocorre somente duas vezes por mês.
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No dia seguinte deixamos a cidade, aproveitando para conhecer a Cachoeira do Pinga, logo na descida. Depois fizemos uma rápida visita a Martins, conhecendo o Mirante do Canto e desfrutando da paisagem da subida e descida da serra.
Chegamos em casa no final da tarde e apesar de cansados da viagem tivemos a opinião unânime de que valeu à pena pedalar na serra de Portalegre.
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There are 14 comments

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  1. Kuka

    Show de bola,região maravilhosa e aconchegante,pouco distante mais se tiver oportunidade não deixe de desfrutar,pois é coisa nossa com muito orgulho e beleza.

  2. Erimar

    uma viagem pra ficar na historia, espetacular, parabens Benilton e familia, e que venham novos caminhos pra desbravar de bicicleta

  3. Uillamy Medeiros

    Excelente relato! Deixa claro que a bicicleta é uma porta infinita de possibilidades, que nos leva a conhecer lugares como este, somada a uma percepção única que só uma bike pode proporcionar. Com certeza, essa sugestão de roteiro fará parte de futuros planos de viagem.
    Parabéns!!!

  4. Fabiano Silva

    Viagens rapadurenhas é d+, o cicloturismo potiguar é algo do tipo, antes e depois do rapaduras. Mais uma viagem com relato e cobertura perfeita.


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