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Minha história com a bike: Desistir nunca – me superar, sempre

Por Janaína Rochido

Não fui muito longe, apenas 35 km – mas foram os 35 km mais importantes que eu já fiz desde que comprei Sora, a minha bicicleta.

A história na verdade começa antes desses quilômetros transformadores: começa no momento em que decidi que, mesmo depois de mais de dez anos sem pedalar, eu não compraria uma bike de passeio, mas sim uma speed, que sempre foi o meu sonho. A resistência foi grande, todos queriam me fazer desistir – apostavam que eu ia cair em uma semana e deixar a vontade de pedalar de lado. Pois eu comprei a speed que eu queria e caí no mesmo dia em que a tirei da loja, mas levantei e continuei firme. Desistir não era uma opção para mim.

Algum tempo depois de estar com ela, quis pedalar com um grupo que sempre via sair de perto da minha casa. Juntei-me a eles, mas, por falta de treinamento, não consegui acompanhá-los em uma subida. Para piorar, ouvi de um dos ciclistas que com uma speed eu nunca conseguiria acompanhá-los, que deveria desistir para não atrasar o restante do pelotão e voltar quando tivesse comprado outra bicicleta. Naquele dia eu desisti e fiquei imensamente triste, mas ali começava o meu desafio pessoal: acompanhar o grupo e nunca mais parar frente a uma subida. E com a minha speed.

Desistir nunca

Comecei a treinar mais. Troquei o cassete da bicicleta por outro melhor. Refiz o trajeto que não consegui naquele dia várias vezes. Pedalei por novas rotas na cidade que incluíssem mais subidas (e aqui em Belo Horizonte isso é fácil!) e fiz questão de não me afastar dos ciclistas daquela turma. Sempre mantive a cabeça erguida e demonstrei vontade de aprender. O desafio que me impus também incluía provar que eu podia ir junto e que a bicicleta não seria uma limitação.

Então chegou o dia de me colocar à prova. Encontrei-me com eles e o percurso seria até uma cidade vizinha. Partimos e, apesar do medo que eu sentia de falhar de novo e dos olhares descrentes de algumas pessoas, fui em frente. Passamos por rodovias, pistas com asfalto ruim, lugares sem iluminação e subidas enormes. Cansei, me senti mal, precisei empurrar a bicicleta em alguns trechos e por várias vezes pensei em desistir, mas em todas elas eu pensava: “você chegou até aqui e trabalhou muito para isso, você pode aguentar mais e ir além” – e fui.

Foram 35 km de muito esforço, mas que compensaram cada metro. Me senti realizada. A sensação de superação foi maravilhosa e ver a surpresa dos colegas que acharam que eu não conseguiria também foi energizante para mim. Eu tinha conseguido. Sem nenhum pneu furado, sem pedir ajuda, sem me machucar nem me separar do pelotão.

Pode parecer pouco, mas quando você tem 34 anos e passou mais de dez sem subir em uma bicicleta, isso é um feito e tanto. A sensação de alegria que experimentei ao chegar em casa naquela noite foi a redenção que eu precisava. Depois disso, nunca mais parei de pedalar e nunca mais olhei para uma subida com medo. Nunca mais aceitei que me dissessem que eu não conseguiria. Como eu disse, desistir não era uma opção, e continua não sendo. Podemos fazer o que quisermos.

Desistir nunca. Me superar, sempre.

Foto: acervo pessoal Janaína Rochido


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There are 3 comments

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  1. Raquel

    parabeeens, Jana.
    Nossa, eu to começando agora e sempre amarelo nos morros. em um dia desses que resolvi tentar, deu um problema no pedal =(
    Mas vou tentar mais vezes, obrigada pela inspiração

  2. Silvio

    Parabéns! É isso mesmo, persistir sempre! Ninguém nasce atleta e nem tão pouco temos a obrigação de ser. ¨recuar só se for pra pegar impulso¨. Bom pedal.


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