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Rumo aos 70. Aventura não tem idade e lugar

Por Sirlei Dal Maso

Rumo aos 70. Aventura não tem idade e lugar

Em nossas vidas a bicicleta esteve presente de modo a auxiliar em mobilidade, em brincadeiras de crianças e a partir 2000 como negócio, modo de agrupar pessoas, defesa do uso de bicicletas, desafio longos de bicicletas (Audax), viagens de cicloturismo.

Em 2012-meu pai Geraldino Dal Maso completaria 70 anos e eu, Sirlei Dal Maso 48 anos. Ele há muitos anos desejava fazer uma aventura de bicicleta. Voltei a morar no MT neste ano e ele manifestou o desejo de fazer a viagem de bicicleta de Sinop a Chapada dos Guimarães. São 580 km, numa região de intenso calor(média 35 graus) e o caminho é a Rod. BR 163 – responsável pela escoação de grãos da região Cuiabá – Norte de MT.

Meu pai tinha tudo planejado: seria uma viagem noturna (evitando o sol e o transito mais pesado). Media 120 km por noite. A família apoiou e colocou um carro de apoio com alimentação e muita hidratação – e também para momentos de descanso. Isto gerou uma segurança para os que ficaram aguardando o retorno e a nós mesmos. Durante do dia descansávamos, reorganizávamos a alimentação, nutrição e algum conserto de bicicleta. Nossas grandes companheiras de aventura eram duas Caloi Elite 2.7.

Saída 01:00 do dia 05/10 de Sinop, onde tinha um grupo de amigos aguardando para nos incentivar e mais 20 ciclistas foram pedalando durante 15 km conosco. Foi maravilhoso. Fogos de artificio na saída, uma oração, meios de comunicação, família e muitos amigos desejando boa sorte as “duas crianças partindo para aventura.” A primeira noite foi de ajustar as paradas para descanso e hidratação. Pedalamos 125km e paramos com intenso calor de 30 graus as 10 hs da manhã.

Segunda noite: saímos 21:00 hs e chamamos atenção de alguns motoristas de caminhão parados para pernoitar no posto da gasolina em Primaverinha do Leste, onde queira saber de nosso projeto e levaram como exemplos para vida. Meu pai também tinha sido motorista de caminhão quando jovem. Andamos 25 km e chegamos a Lucas do Rio Verde e parada para fotos nos monumentos turísticos da cidade e assim registrar nossa passagem. As 00 hs estávamos cruzando uma avenida e alguém nos chama. Um encontro com uma amiga que há muitos anos não nos víamos. Foi um encontro maravilhoso. E nosso pedalar foi mais ainda energizado, pois a estrada com retas de mais 10 km, e mesmo de madrugada ainda encontrávamos carros. Foram horas de pedalada e muita conversa. Relembrar fatos que vivemos juntos, recordações de família, valores que nos foram passados. Foco só em coisas boas.

E lá ia o guerreiro determinado, mesmo quando com amanhecer enfrentamos um transito imenso de carretas na região de Nova Mutum, onde o nível de segurança teve que ser redobrado. No período diurno, descansávamos, postávamos as fotos feitas e íamos curtindo o que familiares e amigos postavam. Meu pai ficava curioso para ver quem tinha visto, comentado.

Aventura não tem idade e lugar

Aventura não tem idade e lugar. Foto: acervo pessoal Sirlei Dal Maso

Fatos interessantes: uma manhã o furou pneu, e enquanto trocávamos junto a um posto da Polícia Rodoviária, uma pessoa se aproximou e disse que tinha visto nossa história numa emissora TV do estado e que viajou de noite para nos encontrar. Outra pessoa, no quarto dia, chegando em Cuiabá, enquanto fazíamos o checkin no hotel, parou e perguntou se éramos as pessoas que tinham aparecido no jornal do estado. Ele ficou emocionado com nossa história. Em Rosário do Oeste, no hotel, tinha uma menina de 05 anos que queria ir pedalando conosco. Resolvemos com um passeio pela avenida principal da cidade e ela ficou muito feliz. Nos postos da Polícia Rodoviária Federal parávamos para nos hidratar e alimentar e todos os policiais ficavam admirados e diziam não ter coragem para esse tipo de aventura.

Quinta e última noite: Cuiabá – Chapada Guimarães. Pedalamos até as 04 da manhã e paramos 30 km antes, onde começam as formações rochosas. Decidimos fazer com o dia claro, pois é uma beleza deslumbrante e merecia ser feita de dia. As 05:30 partimos e fomos agraciados com uma intensa neblina, que suavizou o calor, nos revigorou e presenteou com um belo visual. A emoção foi apertando. Fomos encontrando os pontos turísticos, mas não paramos para visitação, pois ficaríamos um dia a mais para as visitações turísticas. O foco era completar o percurso. Chegamos ao ponto Geodésico da America do Sul, num grande Canion as 08:30 hs, com minha mãe e filho nos aguardando e também alguns meios de comunicação.

Foi uma realização imensa ter tido o prazer de conviver momentos tão preciosos e nossos. A força e foco para ele conseguir fazer esta aventura teve muito treino, disciplina alimentar, apoio logístico e familiar. O apoio logístico foi fundamental , pois nos gerava segurança e foi muito paciente o motorista Juscelino. Não houve uma queda e nem incidente. Dois pneus furados somente.

A bicicleta nos deixa muito soltos, desprendidos com um modo de viver e encarar o momento com as possibilidades que ai estão : natureza, pessoas, lugares e essa interação tem que ter um equilíbrio e um olhar de realização.

Assim foi a nossa grande aventura de pai e filha….Tenho orgulho de muitas histórias, mas essa é minha , dele e nossas grandes companheiras: a bike.

[Nota do blog:] Você pode consultar campings, hostels, pousadas e hotéis próximos a Chapada dos Guimarães neste link


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