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Cicloturismo: Caminho dos Anjos e algo mais…

Por Daniel Saiani Loureiro

[Nota do blog]: esse é um relato longo e completo sobre o Caminho dos Anjos. Não deixe de conferir os detalhes técnicos (distâncias, roteiro e dicas de hospedagem) em cada dia do roteiro.

Caminho dos Anjos e algo mais…

Há tempos que colho informações sobre o Caminho dos Anjos, mas como é um caminho relativamente curto, não queria usar as férias pra fazê-lo… Então resolvi fazer “algo mais” nesta viagem de inverno…

Convidei alguns amigos, divulguei em algumas listas na intenção de pelo menos arrumar companhia para a parte do Caminho dos Anjos, mas sem sucesso… O Léo ficou de confirmar uns dias antes, mas não foi e o Paulo que já fez duas viagens comigo, cancelou na véspera devido a problemas na família… Então o jeito foi fazer uma viagem solo, levei o fone de ouvido e carreguei o celular com bastante Black Sabbath pra realizar meu momento sabático!!! e alguns mais pesados, como AC/DC, Crematory, Necrofobia, Type O Negative, etc…

Caminho dos Anjos – o planejamento da cicloviagem

Depois de definir que faria os 240km do Caminho dos Anjos, comecei a estudar roteiros pra aumentar essa distância, queria fazer pelo menos o dobro… resolvi que terminaria em Ibitipoca, local que visito de vez em quando, mas sempre no verão… dessa vez queria conhecer no inverno!!! navegando pela net, vejo uma propaganda do Guia de Trilhas CicloMantiqueira do Guilherme Cavallari, dei uma pesquisada e vi que seria útil e fiz o pedido…

Apesar do Caminho dos Anjos ter início em Passa Quatro, creio que por ser a cidade mais fácil pra se chegar a partir de São Paulo, pra mim não seria!!! de Ribeirão Preto só tem ônibus pra Caxambu, mas não queria começar lá… esse mesmo ônibus segue pra Juiz de Fora, passando no trevo de Aiuruoca, mas seria inviável parar no trevo as 3h da madrugada e percorrer uns 7km até a cidade e encontrar a pousada fechada… então resolvi ficar por Caxambu mesmo e fazer o trecho de asfalto até Aiuruoca… e de lá iniciar e terminar o Caminho dos Anjos, ficando mais fácil continuar o roteiro por Liberdade, Bom Jardim de Minas, Andrelândia, Santana do Garambéu e por último, chegando em Conceição do Ibitipoca, onde está localizado o Parque Estadual do Ibitipoca.

Saí de Ribeirão Preto no dia 12/6 as 19h no ônibus da Cometa… cheguei em Caxambu um pouco depois das 2h da manhã… tirei o plástico bolha da bike, montei a roda, vesti o fleece, pois estava uns 13ºC e fui direto pro hotel…

1º dia: Caxambu – Aiuruoca

Na manhã seguinte, levantei sem pressa, tomei café e saí sentido Aiuruoca pela BR267, fui tomado por um sentimento estranho, creio que por estar sozinho… no meio do trecho furou o pneu traseiro com uma ferpa de aço… fiz o remendo sem pressa e continuei curtindo a paisagem… e logo avisto o Pico do Pagagaio…

Ao fundo o Pico do Papagaio

Mais alguns kms e chegava em Aiuruoca… Aguardei a atendente da pousada chegar, ainda era hora do almoço… tomei um banho e fui conhecer a cidade…

Aiuruoca

Detalhes do roteiro: Caxambu -> Aiuruoca

Distância: 46,4km

Tempo Pedalando: 2:44h
Tempo Parado: 1:02h

Máxima: 57,8km/h

Média de Pedal: 17,0km/h

Média Geral: 12,3km/h

Ascensão Total: 682m

Altitude Máxima: 1.197m

Baixas: 1 pneu furado

2º dia: Aiuruoca – Espraiado do Gamarra

Levantei cedo, pois seria um dos dias mais puxados, região do Circuito das Montanhas Mágicas… com os primeiros 18km só de subida até atingir 1.900m… Estava um frio gostoso com uma neblina densa que me acompanhou até quase o final da subida… isso foi bom, porque escondia as paredes que tinha que subir!!!

Muita neblina no caminho

Quando o sol abriu, já na cota dos 1.800m, era possível ver no horizonte a serra de Carrancas…

Serra de Carrancas

No caminho…

Chego nos 1.900m de altitude, o ponto mais alto da viagem, onde é possível ver os dois lado da serra… e começo descer sentido a Baependi…

1900m de altitude: o ponto mais alto

A estrada na descida está feia… nos trecho de pedra fincada é horrível andar de bike, e nos trechos sem calçamento tem erosões que cabem a bike e o ciclista juntos!!!

Hora de segurar firme o guidão

Aproveito pra apreciar a vista, já que a pior parte já tinha passado e tinha tempo de sobra…

Fiz o restante da descida com muito cuidado, pois carregado e com a inclinação do terreno, o pneu escorregava muito… depois foi um trecho acompanhando as encostas do Rio Gamarra… tive a companhia de uma senhora e seu cavalo por alguns instantes…

Um pouco depois das 15h, chego no Espraiado do Gamarra, onde fui muito bem recebido pelo Nadinho, que preparou uma belo peixe…

Dados técnicos: Aiuruoca -> Espraiado do Gamarra

Tempo Pedalando: 4:35h

Tempo Parado: 2:17h

Máxima: 37,5km/h

Média de Pedal: 8,1km/h

Média Geral: 5,4km/h

Ascensão Total: 1.532m

Altitude Máxima: 1.900m

Baixas: Nenhuma

3º Dia: Espraiado do Gamarra – São Lourenço

Na manhã seguinte, continuo seguindo as margens do rio até chegar em Baependi, um pouco depois começo a encontrar com os toten’s da Estrada Real, o caminho é o mesmo até São Lourenço…

Totem da Estrada Real

Passando por Caxambu, paro para um bom pão de queijo, descanso um pouco e continuo seguindo sentido São Lourenço, onde terminaria o trajeto do dia…

Região do Circuito das Águas, a altitude se manteve na cota dos 900m e poucas subidas fortes e muitos cursos d’água nas regiões mais baixas…

Chegando em São Lourenço, não tinha o hotel marcado no GPS e quando paro nesta praça pra tentar localizar o endereço, percebo que o hotel estava bem atrás de mim!!!

Tomei um bom banho com aquecimento central, fui comer alguma coisa e depois conhecer o Parque das Águas com suas fontes de vários tipos de água… experimentei todas!!! a noite jantei uma suculenta lasanha por perto do hotel mesmo e fui dormir…

Dados técnicos: Espraiado do Gamarra -> São Lourenço

Tempo Pedalando: 3:38h

Tempo Parado: 1:48h

Máxima: 40,3km/h

Média de Pedal: 13,6km/h

Média Geral: 9,1km/h

Ascensão Total: 827m

Altitude Máxima: 993m

Baixas: Nenhuma

4º Dia: São Lourenço – Passa Quatro

As 7:30h já estava tomando o que seria o mais farto café da viagem… logo depois saio num frio gostoso e já de cara uma pirambeira pra subir e aquecer!!! mas o frio ainda acompanhou por alguns kms até o sol esquentar…

Começo a ver ao fundo a região do Circuito das Terras Altas da Mantiqueira, mas antes de enfrentá-la, parei no Pesqueiro 13 Lagos (apoio e ponto de pernoite do Caminho dos Anjos) para almoçar uma porção de filé de tilápia enquanto batia um bom papo com o Mauro, proprietário do local…

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Chegando ao ponto mais alto do dia, virei a serra e me deparo com um tempo carregado pro lado de Passa Quatro… achei que ia enfrentar chuva forte, mas logo as nuvens dissiparam enquanto eu curtia um bom trecho de descida até chegar na cidade…

E que cidade, muito agradável… entrou na lista das cidades em que gostaria de morar!!! Reza a lenda que o nome Passa Quatro teve sua origem devido ao fato da estrada ali cruzar quatro vezes o rio, que acabou recebendo a mesma denominação!!!

Fui até o hostel, e depois de tomar um banho, saí pra tirar algumas fotos e conhecer a cidade…

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A noite, seguindo a dica do Rodolfo (proprietário do hostel), fui no La Motta comer uma lasanha e algumas empadas, tudo preparado na hora…

Dados técnicos: São Lourenço -> Passa Quatro

Tempo Pedalando: 3:58h

Tempo Parado: 2:19h

Máxima: 50,9km/h

Média de Pedal: 13,9km/h

Média Geral: 8,7km/h

Ascensão Total: 942m

Altitude Máxima: 1.266m

Baixas: Nenhuma

5º Dia: Passa Quatro – Fazenda da Mata

Na manhã seguinte, parto rumo a Itamonte… sigo por trechos rodeados de montanhas por todos os lados… um dos pontos mais belos do roteiro!!!

Em Itamonte, passei pelo Hotel Thomaz do meu amigo Telles pra lhe dar um abraço, mas não estava… só encontrei com sua esposa Nilce… Quando for fazer o caminho a pé, passarei novamente!!!

Aproveitei pra comer um misto quente e segui subindo a serra em direção a Fazenda da Mata…

Outro local que fui muito bem recebido pela Neide e seu marido e também pela Silvana, que me prepararam uma deliciosa truta e ainda me deixou um caldo no fogão a lenha!!!

Dados técnicos: Passa Quatro -> Fazenda da Mata

Tempo Pedalando: 3:35h

Tempo Parado: 1:47h

Máxima: 43,7km/h

Média de Pedal: 11,8km/h

Média Geral: 7,8km/h

Ascensão Total: 1.173m

Altitude Máxima: 1.454m

Baixas: Nenhuma

6º Dia: Fazenda da Mata – Aiuruoca

Na manhã seguinte, com um friozinho na casa dos 10ºC, tomei meu café e saí pra subir o resto da serra entrando novamente no Parque Estadual Serra do Papagaio…

Chegando na virada da serra, o visual é estonteante… fiquei um tempinho só observando… a estrada para Alagoa continua a direita, está sendo preparada para receber o asfalto… se bem que não tem nenhuma máquina mais por ali… mas tem as estacas branca nas laterais… o Caminho dos Anjos segue a esquerda beirando a encosta do vale…

Dentro do parque, a maioria das descidas são calçadas com pedra fincada, o que torna o pedal muito desconfortável…

Em Alagoa, parei para um pão de queijo com suco de laranja e logo segui para o último trecho do Caminho dos Anjos…

Segui um tempo pela estrada que liga Alagoa a Aiuruoca, margeando o rio Aiuruoca pelo lado esquerdo… estava tão atento as paisagens que acabei esquecendo de olhar o GPS e não percebi uma seta verde que indicava uma entrada a direita… acabei pedalando mais de 1km errado… voltei e atravessei uma ponto sobre o rio Aiuruoca… agora o caminho seguia margeando o lado direito do rio, por estradinhas sem movimento algum… Em certo momento, foi possível ver o Pico do Papagaio indicando que o fim já não estava tão distante…

Nesse trecho acabei errando mais duas vezes o caminho, mas foram logo percebidos… tinha pontos que nem estrada existia!!!

Voltei para a mesma pousada que tinha ficado no início…

Dados técnicos: Fazenda da Mata -> Aiuruoca

Tempo Pedalando: 4:52h

Tempo Parado: 2:01h

Máxima: 44,6km/h

Média de Pedal: 12,2km/h

Média Geral: 8,7km/h

Ascensão Total: 1.264m

Altitude Máxima: 1.824m

Baixas: Nenhuma

7º dia: Aiuruoca – Liberdade

Agora, o Caminho dos Anjos já era lembrança e na manhã seguinte, rumei pra Liberdade em baixo de um tempo um pouco fechado… já tinha chuva prevista para os próximos dias… e como já estava no inverno, fiquei um pouco receoso!!!

Mais um dia alto, quase 1.300m!!! e com o sol escondido, nas descidas esfriava um pouco…

Mais um companheiro de viagem… retiro o fone de uma orelha e sigo proseando com o cavaleiro que tocava sua boiada… até que chega uma descida e consigo passar entre as vacas…

Um pouco antes de Liberdade, já no asfalto que me levaria até a cidade, começa a cair alguns pingos de chuva… foi o tempo de chegar no hotel e um chuvisco molhou o chão… mas foi curto, logo parou e fui conhecer a cidade…

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Dados técnicos: Aiuruoca -> Liberdade

Tempo Pedalando: 3:22h

Tempo Parado: 0:39h

Máxima: 47,9km/h

Média de Pedal: 11,8km/h

Média Geral: 9,9km/h

Ascensão Total: 1.109m

Altitude Máxima: 1.297m

Baixas: Nenhuma

8º Dia: Liberdade – Bom Jardim de Minas

Na manhã seguinte, acordei sem pressa… já que estava no 8º dia de pedal e este foi planejado pra ser o dia do descanso ativo… só iria girar e o trecho era curto, por volta dos 22km… Logo na saída começa a chover… ainda na marquise do hotel, coloco as capas dos alforges e quando vou colocar a minha, a chuva para… resolvi tentar seguir sem e se voltasse a chover, colocaria… As nuvens estavam bem carregadas e segundo notícias na TV, no estado de SP a chuva castigava!!! Eu estava bem no limite da frente fria… Ao sair da cidade, pergunto pra 2 garotos o caminho pra Bom Jardim de Minas e eles indicam que estava certo… era só seguir o leito da antiga estrada de ferro, mas que era mais fácil pelo asfalto…

Tudo o que precisava era isso, o leito de uma estrada de ferro, ou seja, sem grandes subidas e descidas… acompanhando o vale e com alguns cortes nos morros deixando sempre a inclinação baixa…

Nesse trecho tive o momento mais estressante com cachorros… até o momento, sempre que encontrava algum maior que me avançava… eu descia da bike sem demonstrar medo e caminhava… isso era o suficiente para o cão desistir da investida… mas nesse dia foi diferente… tinha uma carroça parada ao lado da estrada com um cachorro de pequeno porte que me avançou, mas nem dei atenção pra ele… mas detrás da carroça saiu um Pastor Alemão que era o verdadeiro “cão”… pela 1ª vez fiquei apreensivo… usei da manobra de caminhar ao lado da bike, mas não funcionou… ele avançou com vontade rosnando e mostrando os dentes de uma certa forma que me preocupou… fui protegendo com a bike e gritando com ele, o que fez com que ele desistisse e voltasse pra debaixo da carroça… mas do nada aparece outro cachorro do mesmo porte do Pastor Alemão e vem atrás de mim, com isso o Pastor resolveu atacar novamente… Agora tinha que me defender de dois… e enquanto protegia com a bike de um, o outro tentava ir por trás… e assim por alguns minutos, virando bike pra um lado, virando bike pro outro lado e me afastando de costa aos poucos, até que saí do território deles e resolveram abortar o ataque…

No meio do trajeto do dia, cheguei na antiga ponte de ferro e continuei seguindo o leito… quando olho pro GPS, percebo que a trilha tinha sumido… achei que fosse algum problema, mas ao diminuir o zoom vejo que ela estava a direita… então volto até ponto onde errei e vejo que teria que atravessar uma porteira e sair da antiga estrada de ferro… pelo relevo do vale, tinha certeza que adiante as duas se encontrariam… e como quem vai pedalar em Minas, não vai pra pedalar no plano… resolvi seguir o que estava no tracklog e lá se foi o descanso ativo… mas compensou… era uma estrada com pouco uso… e com um vista do alto muito bonita…

Cheguei cedo em Bom Jardim de Minas, e sem chuva… embora o tempo permanecia carregado anuniando chuva a qualquer momento…

Parei em uma pracinha por um tempo e fui para o hotel… banho tomado, saio atrás de almoço… encontro o restaurante do João Boquinha… estava bem movimentado… logo percebo porque!!! uma bela refeição preparada pela sua esposa…

Após o almoço, fui fazer a já tradicional caminhada pra conhecer a cidade…

A noite não teve jeito… a chuva chegou… mas não demorou muito e parou… aproveitei pra sair e procurar algum lugar pra comer… acabei comendo pastel…

Dados técnicos: Liberdade -> Bom Jardim de Minas

Distância: 22,6km

Tempo Pedalando: 1:37h

Tempo Parado: 0:39h

Máxima: 40,6km/h

Média de Pedal: 13,9km/h

Média Geral: 9,9km/h

Ascensão Total: 234m

Altitude Máxima: 1.170m

Baixas: Nenhuma

9º Dia: Bom Jardim de Minas – Andrelândia

Na manhã seguinte, tudo molhado, mas tinha parado a chuva… como esse dia seria de asfalto até Andrelândia, não me preocupei!!! Asfalto porque não achei uma rota ideal por terra ligando as duas cidades… e Eu não quis continuar por baixo da BR até chegar em Ibitipoca… Eu queria chegar por cima, fazendo o trecho alternativo de Andrelândia/Santana do Garambéu que o guia do Guilherme indicava… segundo ele, é um lugar muito parecido com a Serra da Canastra… queria conferir isso… então tive que pegar um dia de asfalto…

Logo que saí de Bom Jardim de Minas, peguei a BR por um pequeno trecho e um pouco depois de cruzar a Ferrovia do Aço, entrei na estrada pra Andrelândia, que segue sempre próxima a Ferrovia do Aço… Na verdade são duas linhas de ferro paralelas distantes poucos kms uma da outra… creio que pelo grande movimento de trens…

Logo na entrada de Andrelândia, vejo que não estou tão distante de São João Del Rey, até deu vontade de pegar esse rumo… quem sabe em uma próxima!!!

Dados técnicos: Bom Jardim de Minas – Andrelândia

Tempo Pedalando: 2:21h

Tempo Parado: 1:02h

Máxima: 58,6km/h

Média de Pedal: 15,1km/h

Média Geral: 10,5km/h

Ascensão Total: 617m

Altitude Máxima: 1.159m

Baixas: Nenhuma

10º dia: Andrelândia – Santana do Garambéu

Novamente chuva a tarde, e na pequena trégua saio pra jantar… mas choveu forte a madrugada inteira!!! o que me deixou apreensivo!!! no café da manhã pergunto para uma moça do hotel se a estrada para Santana tinha muito barro… a resposta me preocupou mais ainda… segundo ela, tinha muito e era possível “agarrar” o  carro no barro… disse que eu estava de bike, e ela falou que aí num tinha problema pois era só empurrar… pelo jeito ela nunca andou de bike no barro… na verdade, acho que nem em lugar algum!!! rsrs Tinha duas possibilidades, seguir por 30km direto até Santana pela estrada usual ou fazer um desvio que daria 52km por cima da serra que parece com a Canastra… saí sem resolver… Alguns pingos de vez em quando, e quando entro no trecho de terra, percebo que teria problemas esse dia!!!

Quando chegou no ponto que teria que escolher… pensei um pouco e avaliando que a estrada usual já estava ruim, a outra por cima da serra não deveria ser tão pior… até porque, já que seria no alto da serra, a água já teria descido serra abaixo!!! E realmente na parte da serra não tive muitos problemas, mas pra chegar até ela… o terreno estava feio… uma mistura que num sabe se é terra ou areia deixava o terreno muito pesado pra pedalar e em alguns trechos verdadeiros atoleiros!!!

Mas logo percebi que tinha feito a escolha certa… apesar dos 20km a mais que teria que pedalar e das subidas… o visual compensou muito!!!

A maioria dos mata burros (ou mata ciclistas), são feitos de trilho de trem, mas colocados no sentido da estrada, obrigando a se descer da bike pra passar empurrando…

O desvio era tão isolado, que até a ponte estava faltando!!!

E o Guilherme tinha razão… muito parecido com a Serra da Canastra… até as “cercas” de pedra tem!!!

Cheguei no ponto mais alto com 1.309m, parei pra apreciar a vista do outro lado enquanto comia algo…

E comecei a prestar atenção nesta serra, sem perceber ainda onde era… vi no lado direito encrustado na montanha uma vila… achei que era Santana do Garambéu… a distância aproximada batia, mas o rumo não!!! Então lembrei do formato do Parque Estadual do Ibitipoca, e percebi que a vila era na verdade Conceição do Ibitipoca, e logo acima dela o Morro da Cruz, o ponto mais alto é a Lombada com seus quase 1.800m e o lado esquerdo a Cachoeira Janela do Céu… nesse momento, só não chorei de emoção por avistar o meu destino, porque tinha que economizar água!!!

Fique mais um bom tempo apreciando a paisagem, pois sempre que fui pra Ibitipoca, cheguei pelo outro lado, por Lima Duarte, por onde não se tem visão da “Serra Grande” (como é conhecida pelo outro lado) e depois segui pedalando até chegar em Santana do Garambéu…

Dados técnicos: Andrelândia -> Santana do Garambéu

Tempo Pedalando: 4:56h

Tempo Parado: 1:30h

Máxima: 45,6km/h

Média de Pedal: 10,5km/h

Média Geral: 8,1km/h

Ascensão Total: 1.484m

Altitude Máxima: 1.309m

Baixas: Nenhuma

11º dia: Santana do Garambéu – Conceição do Ibitipoca

Saí logo cedo, já com aquela sensação de dever cumprido… mas ainda faltava uns 35km… um bom trecho de asfalto que me desanimou no começo… achei que estaria tudo asfaltado…

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Mas logo chegou no final do asfalto e tudo ficou bom novamente…

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Agora com visão da serra onde eu estava no dia anterior… logo cheguei em Ibitipoca e o frio apareceu… parei no Ibiti Lua pra almoçar e tomar uma cerveja em comemoração ao sucesso da empreita!!!

Depois segui mais 2km até a Reserva Canto da Vida, onde já tinha reservado o meu “lar” com o meu amigo Nelson…

Dados técnicos: Santana do Garambéu -> Conceição do Ibitipoca

Tempo Pedalando: 3:04h

Tempo Parado: 2:15h

Máxima: 59,1km/h

Média de Pedal: 11,2km/h

Média Geral: 6,5km/h

Ascensão Total: 925m

Altitude Máxima: 1.267m

Baixas: Nenhuma

12º dia: Pedal por Ibitipoca

Na manhã fria de domingo, resolvi dar uma voltinha até o Arraial dos Moreiras, pois a Gisele só chegaria no meio da tarde… mas minhas pernas estavam estafadas… e com tanto sobe/desce, faltando uns 3km pra chegar, ainda tinha uma grande descida que teria que subir de volta, desisti, voltei e fui até a Vila ligar pra Gix pra ver onde estava… Ainda não tinha chego em Caxumbu… demoraria um tempo ainda pra chegar e voltei pra pousada, pois já estava ficando com frio…

Foi uma cicloviagem muito prazerosa, um pouco diferente do que estava acostumado, sempre com companhia… mas confesso que gostei de viajar solo… Agora estamos planejando Eu + Gix a fazer o Caminho dos Anjos a pé!!!

 Total da cicloviagem

Distância: 511,1km

Tempo Pedalando: 40:45h

Tempo Parado: 18:01h

Máxima: 59,4km/h

Média de Pedal: 13,4km/h

Média Geral: 9,5km/h

Ascensão Total: 11.405m

Altitude Máxima: 1.900m

Baixas: 1 pneu furado

Download do trajeto para GPS -> wikiloc


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There are 37 comments

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  1. maria luisa principessa

    ADOREI SUA VIAGEM, MUITO LEGAL, PRECISA DE MUITA CORAGEM!!!!!!!PARABENS, DEUS ABENÇOE VCS!!!!!!BJS.

  2. João C.P.Neto

    Parabéns Daniel!Viagem com bastante detalhes e bem documentada .Facilita a vida de quem pretende realizar o percurso.

  3. Gustavo

    Grande mestre. Quem sabe num futuro próximo eu não dou conta de te acompanhar. Aí a gente arruma um sistema de som pra ir ouvindo um som pesado! Parabéns pela viagem tão bem organizada e documentada. Abraço.

  4. Wiliam

    Maravilhoso passeio. conheço boa parte do percurso e assino embaixo pela escolha de ir para Ibitipoca por Andrelandia e Santa do Garambeu. O lugar é fantastico. Parabens pela viagem e obrigado por compartilhar estas belas fotos.

  5. Chinaf

    Cara que viagem show !!!

    Não faria de bike nem F…. Mas admiro quem tem a coragem de viajar como vc…. Na velocidade da bike, curtindo tudo mais devagar e vendo o mundo passar mais devagar.

    Abraços e boa sorte no concurso

  6. BETH Couto

    Fiquei encantada com seu percurso , lugares lindos e vc viveu momentos de muito esforço ,disciplina , belezas e muita experiência . Valeu Daniel !!!!!

  7. Andre Nami

    Que relato sensacional… e a vontade que deu de fazer o mesmo trajeto ?! Sucesso em todas suas aventuras Daniel ! 😀

  8. nilton cassimiro de paiva

    Parabéns Daniel,muita coragem,eu ainda tenho vontade de fazer uma coisa assim um abraço.Nilton

  9. Raquel Junqueira

    Linda viagem e relato!!!
    Deu vontade de fazer tb!
    Já tem gente (chinaf) planejando fazer, mas de moto.
    🙂

  10. Adriana Bike

    Parabens Daniel! Belíssimo relato, com riqueza de detalhes! Ainda serei cicloturista assim…

  11. jorge yodono

    Grande Daniel San… vc e a nossa referencia no ciclotursmo hj em Rib.Parabens pelas aventuras…Voce e que vive..gd abraco

  12. Guilherme

    falaê daniel, vc está convidado a me treinar p/ fazer um desses c/ vc… bem legal, parabens pelo relato irmão

  13. Christiane

    Daniel grata pela viagem virtual!!! E grata por nos transmitir experiências dicas e magia ! Bjo Chris


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