Bicicleta, a plebeia do trânsito

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Estou analisando algumas fontes para uma pesquisa, e eis que encontro esse texto lindo, de 1960: “A plebéia do trânsito”, de Milton Costa. No texto, o autor conta de sua paixão pela bicicleta, e das dificuldades que um ciclista urbano enfrenta para pedalar a sua magrela.  Destaco dois trechos abaixo, e deixo a íntegra na foto (basta clicar para ampliar, ou salvar no seu computador). Leitura mais do que recomendada.

“Na interminável hierarquia dos veículos, uma bicicleta representa a classe menos favorecida. É a plebéia do trânsito. Tem que ir constantemente junto aos meios-fios, como quem pede esmolas nas portas das casas. É perigoso dar uma guinada à esqueda; o cadilaque luxuoso que vem atrás não a respeita e não a vê.”

“Fala-se, no entanto, em regras de trânsito. Mão e contra-mão. Preferências. Sinais semafóricos. Pura ingenuidade: uma bicicleta pode ir pela direita, que mesmo assim estará sempre contra a mão. Não há, para ela, vias preferenciais.”

 

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Impressionante como 52 anos depois, a discussão permanece atual e forte, ganhando a mídia com a brutalidade dos últimos episódios envolvendo mortes de ciclistas no trânsito. Digo sempre que conviver na diferença exige a educação da sensibilidade. Ônibus, carros, motos, bicicletas, pedestres… a humanidade precisa compreender o trânsito como espaço coletivo.

P.S. – A texto acima é parte da Revista Alterosa (nº 366), publicação mineira que circulou entre as décadas de 30 e 60. A revista está disponível na página do Arquivo Público da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. Para acessar basta clicar aqui.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Transcrevi (digitei) o texto inteiro para publicar em nosso blog de forma que seja possível copiar e colar.

    http://vadebici.wordpress.com/2012/03/08/bicicleta-a-plebeia-do-transito-transcricao/

    Muitíssimo obrigado, André Schetino, por essa maravilhosa escaneada, que tem um valor incalculável, que de outra forma poderia ter sido perdida. Posso te afirmar que o autor parece ter entrado em minha alma para captar cada impressão quando me desloco pela cidade de Porto Alegre de bicicleta em meio a esse trânsito de hoje. Esse texto é genial, é perfeito!

    Obrigado mesmo.

  2. Grande Helton.

    Não precisa agradecer cumpadre! Tive a mesma sensação à medida que eu lia o texto. Só dei a sorte de encontrá-lo nesta revista. É uma revista de sociedade, mais voltada inclusive para o público feminino. O que mostra a força que a bike tem cumpadre. Apesar de todas as mazelas, as dificuldades do trânsito, as bikes vieram pra ficar. É como gosto de dizer: as bicicletas são há mais de 150 anos o veículo mais moderno do planeta!

    Um grande abraço e parabéns pelo blog!

    André

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