Cicloturismo: 1650 km pelo Leste Europeu

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Foto: acervo pessoal Fernando Castilho Cintra

Por Fernando Castilho Cintra

O ponto de partida de uma jornada sobre duas rodas normalmente é a porta de nossas casas. Algumas vezes, no entanto, carregamos alguns apetrechos e a magrela em nossos carros até um lugar longe da selva de pedra. Certas vezes até mesmo colocamos a bike no bagageiro de um ônibus para uma cidade ideal. O ponto de partida de uma jornada pode parecer uma coisa corriqueira. Mas diz muito sobre ela.

1650 km pelo Leste Europeu

Em Agosto de 2013 abri as portas de minha casa. Pneus calibrados, mantimentos para alguns dias, poucas roupas, muita ansiedade. Morava na Avenida da Liberdade, ou “Laisves Aleja” em Lituano. Vivi na cidade de Kaunas, segunda maior cidade da Lituânia, por aproximadamente 6 meses por conta de um intercâmbio – como cheguei a morar lá é outra longa história que talvez não venha ao caso. Era um ponto de partida simbólico, pois deixava a Lituânia para nunca mais voltar. Estava de mudança.

Evidentemente que o destino final também é algo importante. Me mudaria para a longínqua Romênia, cidade de Târgu-Mures, no coração da região conhecida como Transilvânia. Aqui ainda não tinha amigos, moradia, nada. Só sei que viria para um outro intercâmbio – outro assunto também que não cabe aqui.

Era uma mudança inusitada. Boa parte da bagagem foi despachada por correio, porém quando vi minha bicicleta encostada num corredor de minha antiga casa pensei “como é que vou fazer pra te levar até lá, hein?”. E quase como um reflexo, já tinha a resposta “Fácil. Pedalando!”

Foram 1650 km pelo Leste Europeu, percorridos em 14 dias de pedalada (19 ao todo, contando algumas paradas). Lituânia, Polônia, Eslováquia, Hungria e finalmente Romênia. O roteiro? Não havia um. Simplesmente marcava uma rota no meu precário GPS de um velho smartphone e o seguia quase a risca – desviava quando sentia vontade. Isso me proporcionou conhecer regiões com lagos maravilhosos no nordeste polonês, as belas montanhas dos Tatras na eslováquia, e os maravilhosos montes Apuseni na Romênia.

1650 km pelo Leste Europeu
1650 km pelo Leste Europeu. Foto: acervo pessoal Fernando Castilho Cintra

Hotéis? Que nada. Adotei o sistema Couchsurfing e fiz dezenas de amigos pela estrada. Ou então conhecia um amigo que tinha um primo de um cunhado de um irmão de uma tia que sabia de alguém na próxima cidade e me aceitava hospedar.

Pelo caminho fugi de ciganos na Hungria, de cão pastores na Romênia e até mesmo me deparei com uma placa “Warning!” e uma foto de um Urso pardo, na Eslováquia, orientando qualquer desavisado para que trocasse de rota.

Nessa viagem tive uma das mais importantes lições da minha vida. Pouco importa o valor na etiqueta da sua bike. Menos ainda importa o quão renomado e famoso é o lugar onde vai pedalar. Fiz uma rota longe de holofotes de percursos “clichês”, vim pelo belíssimo leste europeu, com pouca bagagem e grana e fui recompensado com a forma mais pura do que a bicicleta nos é capaz de proporcionar: Viver aqui e agora.

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