Cicloturismo: de bicicleta dobrável no Uruguai

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Foto: acervo pessoal Ariadne Dan'Chior

Por Ariadne Dan’Chior

De bicicleta dobrável no Uruguai

Para começar este relato, coloco que eu, como a maioria das pessoas, quando pensa em Uruguai, logo pensa em Montevidéu.

Ou melhor, pensava. Pois em janeiro deste ano, tive a sorte de conhecer um uruguaio que estava viajando de bicicleta pelo Brasil e pernoitamos o mesmo camping. Trocamos muitas ideias e fiquei com uma vontade absurda de conhecer o Parque Nacional de Santa Tereza, em Rocha, Uruguai.

Eu pretendia voltar ao Rio Grande do Sul para terminar um roteiro interrompido, mas a vontade de visitar a terra castelhana foi tanta que decidi mudar meu roteiro. Depois de encarar horas dentro de ônibus (aproximadamente 18), desembarquei na manhã do dia 13 de fevereiro no Chuí – RS. Extremo sul do país, divisa com Chuy – URU. Apesar do cansaço, logo desdobrei a bicicleta coloquei a bagagem, e parti para Dieciocho de Julio, cidade bastante próxima onde se localiza o Parque Nacional San Miguel. Lá se localiza o Fuerte de San Miguel, uma construção que começou em 1734 a partir de uma fortificação de campanha e evoluiu para um imponente forte no formato retangular, com baluartes pentagonais nos vértices, arrematados por guaritas.

A construção e o parque são maravilhosos. Cheguei lá por volta das nove e meia da manhã. O forte só abre para visitação às onze. Eu desconhecia o horário de funcionamento. Aproveitei o tempo para fazer meu desjejum e passear pela área do parque. Existe um cemitério ao lado do forte onde pude curtir um pouco do silêncio e o sol da manhã.

bicicleta dobrável no uruguai
De bicicleta dobrável no Uruguai. Foto: acervo pessoal Ariadne Dan’Chior

Após visitar cada espaço do forte, retornei para o Chuí e segui até o famoso Farol da Barra do Chuí, onde funciona um rádio farol. Mas infelizmente só é aberto à visitação pública terças e quintas. E lá estava eu em plena sexta no lado de fora da cerca, com a bicicleta praticamente atolada na estrada de areia fofa, decepcionada.

Deixei a decepção de lado e fui comer em uma bizcocheria. Pois apesar de estar no Arroio Chuí do lado brasileiro, praticamente todos os moradores são uruguaios. Confesso que o fato tornou o passeio ainda mais interessante, pois ao me deparar com a porção de placas em espanhol, eu já entrava no clima do que estava por vir.

Ao visitar os campings, nenhum me atraiu. E meu corpo após horas mal acomodada em ônibus, pedia uma boa noite de sono. Retornei novamente para o Chuí em busca de um local para pernoitar. Encontrei uma pousada ruim, mas ao custo de R$ 50. O que na região é muito barato. Tomei um banho e fui visitar as lojas da fronteira e aproveitei para trocar mais reais por pesos. Jantei e fui descansar.

Depois de uma boa noite se sono, ajeitei a Cleópatra (sim, ela tem nome) e rumei para o Uruguai novamente, porém entrando pelo Chuy. Por este caminho é preciso passar pela alfandega uruguaia. Perdi um pouco de tempo, porém sem problemas.

Depois de uns 35kms, cheguei no Parque Nacional de Santa Tereza. O mesmo é administrado pelo exército. Pedi aos guardas informações sobre o camping e eles me encaminharam para o escritório onde eu pude acertar as taxas e procurar um local tranquilo para armar minha barraca. Após tudo terminado, fui fazer um reconhecimento do local e curtir a praia.

A infraestrutura do parque é ótima! Tinha até um mercadinho. Pontos como camping, banheiro, restaurantes e o mercadinho são longe uns dos outros. Mas não para quem está de bicicleta. Passei os três próximos dias pedalando e visitando lugares maravilhosos.

Lá foi possível me divertir com a paisagem, belas praias, trilhas, ruínas, e outros. Mas sem sombra de dúvidas os atrativos mais encantadores foram a Fortaleza de Santa Tereza, o Invernáculo (tipo de jardim botânico) e o Sombráculo (onde também tem um aquário). A Fortaleza data de 1762 e é uma belíssima construção. Dentro é possível entender como era a rotina da época.

O Invernáculo e o Sombráculo foram construído em 1939 e nele são cultivadas espécies de plantas dos 5 continentes. É interessante a arquitetura de pedras e cúpulas de vidro somada às plantas. E entre ambos, o Rosedal, jardim com aproximadamente 300 espécies de rosas.

Com a bicicleta foi possível percorrer aproximadamente 50 kms dentro do Parque.

Pena que a partir do segundo dia o clima novamente se revoltou contra mim, tendo eu novamente ter que enfrentar chuvas. No quarto dia resolvi retornar. Eu havia feito planos de percorrer mais alguns quilômetros do litoral uruguaio. Mas desisti, pois a temperatura baixou bastante e eu particularmente não gosto do desse tipo de clima, me resfrio muito facilmente.

O retorno não foi fácil, pois o acostamento lá é péssimo e as pancadas grossas de chuvas castigavam bastante.

Ao chegar no Brasil, fui comprar as passagens. O ônibus era somente a noite e eu ainda tinha muito tempo. Almocei e fiquei zanzando pela cidade. No entanto a chuva deu uma trégua e rumei para a Barra do Chuí, distante 15 km. Curti um pouco da praia e da Barra e retornei para embarcar.

As muitas horas no ônibus foram entediantes, porém pude deleitar-me com as lembranças de um pequeno pedaço de um país pelo qual me deslumbrei. Lá vivenciei momentos incríveis e experiências consideráveis, a começar pelo idioma. Uruguai, espero poder te “pedalar” novamente!

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