Cicloturismo na Estrada Real (relato – parte 2)

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... mas com belas paisagens!

Cicloturismo na Estrada Real

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2º Dia de Viagem – de Conselheiro Lafaiete a Bandeirinhas (MG)

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Trecho Conselheiro Lafaiete – Queluzito

As 6:00 da manhã já estávamos de pé, e depois de um bom café na pousada começamos logo a pedalar. Estávamos animados por começar mais cedo, pois no dia anterior tínhamos começado a pedalar por volta das 9:30, e na minha opinião, o período da manhã é o que mais rende na pedalada.

Saímos de Conselheiro Lafaiete beirando a linha do trem rumo a cidade de Queluzito. Logo na saída da cidade, encontramos um ciclista que se ofereceu para nos acompanhar até a cidade de Queluzito. Resolvemos então, pela 1ª vez, abandonar nosso guia e seguir com ele. Era um trecho de estrada de terra tranquilo, sem muitas subidas fortes.

No caminho, nosso colega encontrou outro amigo e saíram pedalando mais forte (estavam com mountain bikes) dizendo que indicariam na estrada o caminho que deveríamos tomar. Obviamente isso não deu muito certo, e nosso caminho original de 19km foi aumentado em 5km, fora o tempo perdido com as dúvidas e paradas. Eu e meu cumpadre chegávamos a uma conclusão: “vamos sempre seguir nosso guia!”

Eu e Nizier, em Queluzito (MG)

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Dados técnicos do trecho

Percurso: estrada de terra (90%)

Distância: 24,84km

Velocidade média: 11,2km/h

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Trecho Queluzito – Casa Grande

De Queluzito partimos para Casa Grande, em um pequeno trecho de asfalto (+-11km) com descidas e subidas. Casa Grande é uma cidade tranquila do interior. Em uma parada para lanche, me chamou atenção as bicicletas paradas em frente a escola. Eram umas 8 bikes, e os alunos as deixavam na calçada, destrancadas, esperando o fim das aulas para voltar pra casa pedalando. Muito legal! Depois de alguns salgados e garrafas de coca-cola, saímos em direção a bandeirinhas.

Bicicletas em frente a escola de Casa Grande (MG)

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Dados técnicos do trecho

Percurso: asfalto

Distância: 11,29km

Velocidade média: 12,5km/h

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Trecho Casa Grande – Bandeirinhas

Esse foi sem dúvida o trecho mais duro do dia. O cansaço, o sol forte, o acumulo dos quilômetros já pedalados se somaram a uma estrada de terra com um sobe e desce caprichado. Nesse momento, já fazíamos a nossa reorientação de objetivos do dia: queríamos chegar até a cidade de Prados, mas terminaríamos nosso dia em Bandeirinhas. Quando o cansaço já começava a mexer com o nosso humor, o final do percurso guardava uma surpresa: a estrada de terra passava por um trecho de floresta de eucaliptos. Mudar da paisagem de pastagens pros eucaliptos me empolgou demais! Valeu todo o dia pedalando!

Subidas duras entre Casa Grande e Bandeirinhas…
… mas com belas paisagens!

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Ao chegar em Bandeirinhas, nos assustamos com a falta de estrutura do distrito. Era na verdade uma rua, com uma igreja, dois armazéns e uma escola, além de algumas casinhas. Já estávamos exaustos e após tentarmos algumas caronas em caminhões para Prados, decidimos que o melhor seria acampar por lá.

Fizemos algumas comprinhas no armazém, e seguimos pedalando, nos afastando da cidade para encontrar um local tranquilo pra acampar. Encontramos mais do que isso. Em uma pequena propriedade rural, o dono nos deixou dormir na varanda de uma casa que estava fechada. Além de liberar a mangueira da horta pra tomar um banho.

Nosso dia terminava com o cair da tarde e início da noite naquela varanda, depois de 62 km pedalados, 9 horas de pedaladas (contando as paradas), um banho gelado de mangueira e um rango delicioso preparado por meu cumpadre Nizier.

Nosso hotel para a noite: sem barraca, só com isolante e saco de dormir!

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Dados técnicos do trecho

Percurso: estrada de terra (95%)

Distância: 26,28km

Velocidade média: 9,6km/h

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Dados técnicos do 2º dia de pedaladas – percurso Conselheiro Lafaiete a Bandeirinhas

Distância percorrida: 62,41km

Velocidade média: 11,1km/h

Veja também:

Saiba mais sobre nossa viagem de Cicloturismo pela Estrada Real (projeto da viagem)

1º dia de viagem

3º dia de viagem

4º dia de viagem

5º dia de viagem

6º dia de viagem

4 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pelo blog, cara! Muito legal. Sou doido pra fazer cicloturismo mas às vezes fico pensando se não é perigoso, assalto, trânsito. O que você acha? Se puder, fale mais sobre a bike que você usa no dia-a-dia e no cicloturismo.
    Valeu,

  2. Olá Guilherme
    Muito obrigado por sua mensagem. A bike que utilizo no dia-a-dia e no cicloturismo é a mesma: uma Caloi CityTour que comprei em 2008. Ainda pretendo comprar uma dobrável para os trajetos casa-trabalho, mas nos últimos 6 anos tenho usado essa. Ela é excelente para viagens e uma bike simples para a cidade, bem urbana. Tem paralamas e um ótimo bagageiro, onde coloco minhas coisas e pedalo com as costas livres. Eu prefiro usar bikes urbanas na cidade (rodas 700, paralamas e bagageiros) do que mountain bikes. Mas as urbanas ainda são poucas no mercado nacional. Dê uma conferida no nosso Especial Bicicletas aqui do blog que tem mais detalhes sobre todos esses modelos.
    Um grande abraço e boas pedaladas!

  3. Legal! Não conhecia essa bike ainda!
    Mas e com relação aos riscos do cicloturismo? Você já sofreu alguma tentativa de assalto nas viagens? Evita alguma coisa?

  4. Olá Guilherme.
    Acho que evito, mas é de forma não declarada, igual posso evitar alguns locais dentro da cidade. Na verdade a questão sobre assaltos nunca foi a minha primeira preocupação. Uso uma bike simples e se alguém quiser levar, vai levar. Já pedalei por locais bem desabitados e nunca sofri nenhuma tentativa de assalto. Muitos conhecidos me perguntam se não tenho medo de assaltos. De verdade, não. Não deixo de ir a lugar algum pedalando por causa disso. Claro que se eu conheço o lugar pelo qual vou passar ou pedalar e sei que ele deve ser evitado em determinados horários eu não vou passar por ali.

    O que levo em conta em primeiro lugar no cicloturismo é a escolha do roteiro ou de estradas pensando na minha segurança no trânsito e a beleza do lugar. Gosto de pedalar por caminhos mais tranquilos. Mesmo quando vou pegar asfalto, prefiro estradas e rodovias secundárias. Acho que estradas movimentadas e cidades grandes oferecem mais perigos do que as cidades menores (inclusive relativos à possíveis assaltos).

    Espero ter ajudado.
    Um grande abraço e boas pedaladas!

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