Cicloturismo na Estrada Real (relato – parte 6 – FINAL)

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Paraty - chegada da Estrada Real

Cicloturismo na Estrada Real

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6º e último dia de viagem – Cunha (SP) a Paraty

Acordamos por volta das 6:30 da manhã e deixamos tudo arrumado para o início da pedalada. Nosso último dia começava bem, com o melhor café da manhã de toda a viagem: curau de milho, arroz doce, biscoitos, broa de fubá e outras delícias, todas feitas pela dona da pousada.  Estávamos prontos para partir!

O acúmulo dos dias pedalados com pouco preparo (não treinamos para a viagem) não era nada perto da nossa vontade de chegar. Sabíamos que tínhamos as subidas mais duras de todo o percurso (maior inclusive do que a do dia anterior), mas que depois de vencida, daria lugar a longa descida até Paraty.

Como no dia anterior, combinamos o “empurra bike” com pedaladas nas subidas. O destaque ficou para uma cachoeira que beirava a estrada, que mereceu uma boa parada pra descanso e lanche (banho não, pois ainda estava bem frio!).

Pausa na cachoeira para um descanso…
Pra continuar subindo!

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Interessante como o próprio caminho estabelece marcos, divisas e transformações. Nossa subida foi toda em asfalto, por uma estrada linda (a mesma, SP-171). Quando finalmente vencemos a subida, a paisagem e o tempo se transformava: a divisa entre os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, o fim do asfalto e início da estrada de terra, o fim do sol e a neblina à frente. Cruzar fronteiras é um marco simbólico que acho muito interessante. A estrada continua, mas já estamos em outro lugar.

Entre SP e RJ – rumo ao destino final.

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Do ponto de vista do esforço, estávamos bastante contentes pois sabíamos que a dureza das subidas tinha acabado, que de agora em diante seriam só descidas e melhor, que estávamos chegando.

A descida até Paraty é um dos momentos especiais da viagem. São mais de 20 km de descidas em estrada de terra, trecho do Parque Nacional da Serra da Bocaina, saindo de 1500m de altitude e chegando ao nível do mar!

A descida foi fantástica. A neblina não nos permitiu curtir a paisagem nos pontos com mirantes, mas não comprometeu a visibilidade do caminho, e ainda adicionou mais um componente de adrenalina na nossa aventura. A estrada é muito acidentada, a terra estava bastante úmida, com pontos de lama. Não devemos ter encontrado mais do que 5 carros durante toda a descida (a maioria 4×4), além de pedaços de carro que ficavam pela estrada.

Mirante encoberto na estrada.

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Nós, de bike, descíamos com tudo! As mãos controlando os freios o tempo todo, íamos soltando as bicicletas o máximo que podíamos dentro dessa situação. Não sei como o pneu não furou com tantas batidas nos buracos e pedras. Ríamos muito e curtíamos cada momento da nossa descida.

Faltando 2km pra terminar a estrada de terra chegamos a um bar onde fizemos nossa última parada. Parecia que a medida que íamos chegando éramos brindados com momentos maravilhosos. Lanchamos junto a muitos pássaros maravilhosos, que voavam pelo bar comendo frutas deixadas pelo dono. Eram mais de 20, 30, incontáveis, que chegavam pertinho da gente sem medo algum. Demais!

Nossos companheiros de lanche.

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Terminamos a estrada de terra e a descida continuava forte pelo asfalto. Agora era a hora de acelerar! Senti o cheiro de borracha queimada da sapata de freio da bike de meu amigo Nizier. A neblina tinha finalmente terminado e já conseguíamos ver Paraty ao longe. Depois de montanhas e mais montanhas, lá estava o mar!

Depois da neblina, Paraty aparece…

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Momento “Ode ao Mar”

Ah, o mar! Esse objeto de fascinação de 10 entre 10 mineiros, especialmente desse blogueiro que vos escreve! As vezes é difícil pra quem mora na praia entender, mas tudo bem! Eu entendo quem não entende que o mar é algo tão maravilhoso! E com ele tão pertinho da gente, nossa chegada foi bastante tranquila e numa alegria só. Pegamos um pequeno trecho com uma ciclovia, entramos pela cidade, e como bons mineiros, fomos direto para a praia.

A chegada em Paraty!

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Terminava ali nossa viagem de bicicleta. E  que aventura! Foram 6 dias (que pareceram 12!), quase 300km e muita história bacana, que tenho o prazer de dividir com vocês aqui no blog. Além é claro do processo de conhecimento, os encontros, conversas, as transformações, a mudança de perspectiva e da forma de ver o mundo e as pessoas que uma viagem de bicicleta pode (ou não) proporcionar. Felizmente, no meu caso, saio dessa viagem diferente de como entrei.

Um agradecimento especial ao meu cumpadre Nizier. Foi minha primeira cicloviagem acompanhado, e pedalar contigo foi ótimo amigão! Durante a viagem já planejamos voltar a Estrada Real, para percorrer o trecho que pulamos de ônibus. Que venham mais pedaladas, sempre!

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Dados técnicos do 6º dia de pedaladas – percurso Cunha (SP) a Paraty (RJ)

Percurso: asfalto (+-60%) e terra (+-40%)

Distância percorrida: +-50km

Velocidade média: 11,5 km/h

Veja também:

Clique aqui e conheça o projeto da nossa viagem de Cicloturismo pela Estrada Real

1º dia de viagem

2º dia de viagem

3º dia de viagem

4º dia de viagem

5º dia de viagem

7 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns! Me motivou ainda mais na vontade de ganhar o mundo de bicicleta! Realmente chegar ao mar deve ser uma sensação incrível. Além disso, pensei ainda em como seria percorrer o caminho de Diamantina a Ouro Preto. É uma região com cachoeiras incríveis!
    Algumas perguntas. Vcs optaram pelo pneu de asfalto ou misto?
    E, sobre o peso da bagagem, com o peso de 20 quilos deve ter sido meio sofrido. Esse peso foi para cada um? O equipamento de acampamento foi o maior responsável por esse peso todo? Depois da viagem, vcs chegaram a pensar se levaram algo que seria dispensável? Ou algo que teriam feito de maneira diferente?
    Parabéns novamente!
    Um grande abraço.

  2. Parabéns! Me motivou ainda mais a ganhar estradas com a bicicleta!
    Fiquei na dúvida se vcs utilizaram pneus de asfalto ou misto. Qual deles vc acha a melhor opção?
    20 quilos de bagagem deve ter sido sofrido, né? A maior parte do peso foi proveniente dos equipamentos de acampamento? Com essa experiência, vc acha que poderia ter dispensado alguma dessas coisas que vcs levaram?
    Bom, é isso. Parabéns novamente! Adoro o blog, ele é estímulo para continuar a pedalar. Espero que em breve comece também a fazer viagens com a magrela.
    Um grande abraço.

  3. Ei Mariana!
    Olha, o peso foi de +-20kg pra cada um! Foi bem puxado, e o maior responsável foi mesmo o conjunto barraca/sacode dormir/isolante. Como só usamos durante um dia, acho que, se for o propósito da viagem, vale a pena deixar o equipamento de camping e optar por pousadas (isso é o que eu faria diferente nesse percurso especificamente). Outra coisa que pesou e ocupou um bom espaço são os agasalhos. Mas foram todos muito necessários pois pegamos um frio danado na viagem (a noite). Levamos coisas que pesaram e não usamos, mas que devem sempre ser levadas: kit de primeiros socorros, algumas ferramentas, kit remendo… O que menos levamos foram roupas. A comida foi um peso inicial que levamos mas que foi diminuindo ao longo da viagem. Depois vou fazer um post sobre essas escolhas do que levar em cicloviagens. Obrigado por seus comentários!
    Um grande abraço e boas pedaladas pra você!

  4. Esqueci de falar! Meu amigo usou pneu de asfalto, slick, bem lisinho. O pneu que usei é de asfalto também, mas com ranhuras (são os pneus kenda 700/38 que vem com a Caloi City Tour).
    Abraços!

  5. Obrigado pela oportunidade Andrezão, só as pessoas que ousam sair da sua zona de conforto são as realmente vivem. Fazer todo esse percurso foi incrivel e desafiador. Agora é pensar no Atacama.

    Abraço

  6. Qual o bagageiro que vc usou? Num outro post aqui do blog, vi a foto do bagageiro (http://ateondedeuprairdebicicleta.files.wordpress.com/2009/05/023_trilha_estrada-real_sabarabucusabara_pompeu_estrada-de-caete.jpg) que acredito ser o seu. Pela experiência com ele na Estrada Real, você recomendaria?

    To organizando com amigos uma viagem de bike do Rio até Campos dos Goytacazes, e depois seguindo as dicas daqui do site fazer a Estrada Rea tb, e estou buscando boas opções de bagageiros que aguentem o tranco.

  7. Oi Leo
    Eu recomendo esse bagageiro sim. É o original da Caloi City tour. Já fiz 3 viagens com alforje bem carregado, mais barraca, isolante e saco de dormir e aguentou o tranco perfeitamente. Outra coisa importante é o sistema de fixação do bagageiro. O quadro da minha bike já vem com furação própria para o bagageiro. Em bicicletas onde esse mecanismo é adaptado (não vem de fábrica), o desempenho do bagageiro pode variar, mas não creio que ocorram graves problemas ou impossibilite a viagem. Legal demais seus projetos. Depois conta pra gente como foram as pedaladas ok?
    Grande abraço!

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