Cicloturismo: Rota Franciscana sobre duas rodas

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Foto: acervo pessoal Marcio Oliveira Brito

Por Márcio Oliveira Brito

ROTA FRANCISCANA SOBRE 2 RODAS

O meu plano era fazer um dos trechos da Rota Franciscana, programa da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, que contempla diversas cidades e é subdividida em cinco caminhos: Rota Alegria, Rota Conhecimento, Rota Esperança, Rota Equilíbrio e Rota Sabedoria. Escolhi a Rota Alegria, iniciando em São Francisco Xavier – SFX (distrito de São José dos Campos), passando por Monteiro Lobato, Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí, Campos do Jordão e terminando em Guaratinguetá.

Começaria por Caçapava/SP até o centro de SFX, em torno de 45 km, passando por Monteiro Lobato. O fator que também “pesou” nessa escolha é de poder visitar no primeiro dia o Sítio Picapau Amarelo, em Monteiro Lobato, o que me pouparia tempo na pedalada do segundo dia, que seria a mais árdua, pois o sítio abre muito tarde em relação ao tempo que teria disponível para chegar a Santo Antonio do Pinhal.

Em cada cidade que eu chegasse teria que registrar minha passagem, usando um cartão magnético, em um pórtico eletrônico, para no final receber o certificado de participação da rota. No bagageiro levei somente o necessário para a viagem. Pouca roupa, ferramentas, câmera reserva, lanterna, capa de chuva (que não usei), lanche, água, remédios, dinheiro, uns trecos pessoais e um mapa que elaborei, pois a Secretaria de Turismo não fornece um mapa impresso decente.
Vamos ao roteiro!!!

DIA 1:

Minha primeira parada foi na Igreja Nossa Senhora D’Ajuda, igreja com mais de 200 anos e de arquitetura requintada. Parei apenas para tirar algumas fotos, ouvir a primeira canção da missa que iniciava e segui meu destino. Entrei na ciclovia, atravessei a cidade, passando por algumas praças, igrejas, quartéis e casas até que o trecho de ciclovia acabou e entrei na Estrada do Livro, que liga Caçapava a Monteiro Lobato (24 km de estrada asfaltada e bem conservada, sendo 2 km de estrada de terra).

Nos primeiros 10 km a estrada se estendia por longos trechos de retas, com algumas subidas e descidas. Praticamente sem movimento e ladeada por sítios, fazendas, bosques e matagais, eu seguia pedalando e agasalhado, pois a neblina estava densa e fazia muito frio. De vez em quando cruzava com ciclistas e motoqueiros que desciam a serra. Quando apareceu os primeiros raios de sol eu já começava os quase 7 km de subidas. Fui guardando os agasalhos conforme esquentava e cheguei a um trecho onde não conseguia mais pedalar, por causa da inclinação da subida. Durante a subida, fui ultrapassado por dois motoqueiros, que uns 20 minutos depois encontrei-os na beira da estrada fumando cigarro. Resolvi parar para descansar e puxei assunto com eles. Trocamos informações, me despedi e voltei para a estrada empurrando minha bike até o alto da serra, quando então pude subir nela. Já no topo da serra, fui novamente ultrapassado pelos dois motoqueiros que disseram: “Aê, você conseguiu!”, “Demoramos lá atrás de propósito, caso você precisasse de ajuda durante a subida, estaríamos por perto…” e “Boa sorte, campeão!”. Fizemos algumas piadas e os dois seguiram seus caminhos. A minha fé na humanidade aumentou e muito!

Acabou o trecho de asfalto e a estrada agora era terra e pedregulho. Depois de descer um trecho bem irregular e passar por uma cachoeira na beira da estrada, voltei à parte com asfalto quando, finalmente, cheguei ao Sítio Picapau Amarelo. Após conhecer o sítio, atualmente um museu, onde viveu o escritor Monteiro Lobato, fui fotografar uma cachoeira atrás do sítio, no fim de uma trilha. Na volta comprei uns doces, ficando tentado em degustar os diversos tipos de cachaças, mas tive que continuar minha pedalada com os reflexos aguçados. Após alguns trechos de aclives e declives, peguei uma subida de quase 3 km e uma descida de mesma proporção e já sentia os primeiros sinais de desgaste físico. Finalmente cheguei ao centro de Monteiro Lobato, que se destaca pela cultura caipira, artesanato e danças folclóricas. Que delícia os doces de Monteiro Lobato! Vale muito a pena passar um dia por lá!

Como não poderia demorar muito na cidade, pois no dia seguinte passaria por ela novamente, e por ainda ter um grande percurso a completar, fiz um lanche reforçado e entrei na rodovia asfaltada, pedalando 18 km até chegar a SFX. O trajeto é bastante arborizado, com muitos sítios e pesqueiros. Os primeiros 9 km eram somente de subidas, que pareciam não ter fim. Chegando no topo do morro começaram as descidas, algumas retas e quase nenhuma subida.

Cheguei a SFX no começo da tarde, almocei (quanta comida deliciosa tem nesse lugar), dei uma volta pela cidade e fui para a Praça Cônego Antônio Manzi fazer meu registro no primeiro pórtico eletrônico. A rota, propriamente dita, começava ali… SFX, além de ser literalmente abraçado pela Serra da Mantiqueira, fica situado dentro de uma Área de Proteção Ambiental, simbolizada pelo muriqui. Deixei de visitar as cachoeiras e trilhas da região, pois estava com o cronograma apertado e não queria passar a noite pedalando. Em outra oportunidade (sem bike) retorno para aproveitar melhor o lugar.

Após registrar minha passagem, segui meu mapa da rota, onde graças a ele pude encontrar o começo da Rota Alegria. Senti falta da sinalização da Rota Franciscana em cruzamentos importantes, o que pode induzir os caminhantes a errar o caminho. Acredito que tenham sido arrancadas. A partir de São Francisco Xavier seriam aproximadamente 15 km em estrada de terra, saindo depois na rodovia asfaltada, percorrendo mais 11 km até chegar a Monteiro Lobato.

Os primeiros 7 km foram de muitas subidas e trechos de retas. Conseguia avistar SFX do alto do morro. A estrada é muito bonita e passa por diversos sítios, fazendas e matagais. Fui recebido em vários trechos por cachorros, uns bastantes amistosos, outros muitos ferozes – tive que ficar atento para não ser atacado por nenhum deles. Chegando ao alto do morro, começava então a parte das descidas. Tive que me manter bastante concentrado para desvencilhar dos obstáculos e buracos na estrada de terra até chegar à Estrada do Rio do Peixe, que margeia o rio, de mesmo nome. Essa estrada de terra tem um espaçamento e condição melhor para transitar. A estrada termina na rodovia, o rio continua sentido SFX.

Voltando ao trecho asfaltado, passei pela Igreja de Santana do Cafundó, a qual estava fechada, e começo novamente a empurrar a bike por aproximadamente 3 km até o topo do morro. Do alto até Monteiro Lobato é somente descida e pude aproveitar a velocidade da descida. Terminei a pedalada a 2 km de Monteiro Lobato, na Pousada Alto do Morro, aonde cheguei com a noite a espreita, para ter o descanso merecido e me preparar para o próximo dia.

Foto: acervo pessoal Marcio Oliveira Brito
Foto: acervo pessoal Marcio Oliveira Brito

DIA 2:

Esse seria o dia em que passaria pelo maior perrengue da viagem, mas em contrapartida, um dos trechos mais bonitos.
Levantei cedo, tomei café, arrumei minhas coisas e pedalei os 2 km de descida que faltava até Monteiro Lobato e registrei minha passagem no pórtico eletrônico, localizado na rodoviária. Cidade natal do escritor José Bento Monteiro Lobato, foi o cenário de inspiração de vários personagens famosos, como a Emília, o Visconde de Sabugosa, a Tia Nastácia e Jeca Tatu. Dei uma volta pela cidade, visitei rapidamente a Igreja Nossa Senhora do Bonsucesso, com suas pinturas em estilo barroco e vitrais decorativos. Entrei também numa gruta artificial, a Gruta Nossa Senhora de Lourdes. Logo após, segui pela Estrada do Livro que leva até Caçapava, porém, antes de chegar ao Sitio Picapau Amarelo existe uma bifurcação, onde segue até Santo Antônio do Pinhal, por aproximadamente 40 km em estrada de terra – a maior parte de subidas.

Passei pela vila Pedra Branca, pela Capela de Santo Antônio, por alguns sítios, pesqueiros e áreas densas de floresta. Em vários trechos precisei fugir dos cachorros e em um grande trecho integralmente de mata, quase fui atacado novamente por um cachorro, que não sei de onde saiu. Foi um susto desgraçado!!!

Toda a paisagem é exuberante, entre campos, pastos, matas, montanhas e rios. Passei por um trecho onde a derrubada de árvores era feita em grande escala e alguns tratores e caminhões passavam carregados de troncos. Em alguns momentos conseguia ouvir o barulho das motosserras a trabalhar. Em alguns trechos encontrava alguma sinalização da Rota Franciscana, em outros tinha que seguir o meu mapa, quando o pior aconteceu.

Justamente em um grande trecho do percurso em que a mata cobria a vista aérea do mapa e por falta de sinalização da Rota Franciscana, entrei no caminho errado. Justamente na bifurcação onde tem a placa “km 50” da Rota Franciscana, não tem a seta, comum em todas as placas, de qual caminho seguir. Com certeza foi arrancada. Resolvi seguir reto, na estrada mais larga e quase paguei caro por isso. Peguei uma subida muito íngreme, ladeado por eucaliptos e pinheiros que, quilômetros depois, terminou em um mirante. Dai percebi que estava fora da rota, pois de lá eu avistava parte das cidades de Taubaté e Tremembé, no Vale do Ribeira. Até então, do último ponto de referência, havia me afastado uns 6 km. E pra piorar, me sobrara somente uma garrafinha de água, pois havia consumido muita água na subida. Parei para descansar e observei 5 caminhões carregados de madeiras que passavam e, depois de um tempo, parei um senhor que passava de moto para pedir informações. Daí já sabia onde teria que entrar. Na placa de “km 50” eu teria que virar e subir por uma rua bem estreita, a quase 180º em relação a estrada principal. Na placa do “Km 50”, vire à esquerda – tem uma ruazinha com a entrada quase escondida, mas é por lá que terá que seguir.

Segui então pela estrada correta, onde bem mais a frente encontrei outras placas da Rota Franciscana, daí um erro que só faz confundir o usuário: desde o começo da rota encontrei marcações (as de quilometragens) a cada 5 km, porém, em um trecho que passei, encontrei uma placa de “km 60”, mais a frente, uma placa de “km 56” e bem mais a frente uma placa de “km 66”. Optei ignorar essas marcações, pois já não faziam sentido algum. Passei por mais alguns sítios, que mais pareciam sítios-fantasmas, passei por porteiras no meio da estrada, que fiquei na dúvida se estava ou não entrando em propriedade particular (uma tive que abrir pra passar e fechá-la novamente após). Boa parte do caminho tinha um rio rente a estrada, onde podia ouvir o barulho das aves e outros animais silvestres.

Essa parte do trecho, depois da segunda porteira, eu não aconselho ninguém fazer de bike, pois é um peso desnecessário que terá que carregar serra acima de, 700 metros de altitude para 1.300. O ideal é ir com carro de apoio, pedalar até a segunda porteira, colocar as bikes no carro e continuar a pé até o topo da serra. Nesse trecho também não aconselho subir de carro. O carro teria que voltar para Monteiro Lobato e seguir pela rodovia até Santo Antônio do Pinhal e entrar na estrada de terra, já no alto da serra, para se encontrar com os caminhantes, para então continuar na pedalada.

A estrada foi ficando cada vez mais estreita, esburacada e inclinada. Percebi então algumas marcas de pneus de bicicleta que calculei ter passado por ali entre 1 e 3 dias. Tive que atravessar por diversos atoleiros. Em um deles foi difícil passar com a bike, ora atolava, ora me desequilibrava com o peso no bagageiro, mas sempre seguia na estrada. Restava pouca água, pouca comida, o calor era enorme, a subida ficava cada vez mais íngreme, o cansaço era grande e já passava das 4 horas da tarde. O receio de passar a noite num lugar desconhecido, cercado de floresta, sem barraca, com pouca comida e sem água me assombrava, mas mantive concentrado no objetivo. Pensei: “Sou tranqüilo, se chorar desidrato”, não podia desperdiçar líquido… kkkkk. Voltar não era opção, pois, pelos meus cálculos, havia percorrido 70% do caminho entre Monteiro Lobato e Santo Antônio do Pinhal, portanto, teria que seguir em frente até chegar a Santo Antônio do Pinhal. Quanto mais subia, mais ladeiras apareciam. Quando pensava que já havia vencido a serra, outro trecho de subida bem maior aparecia. Intitulei o trecho de “escalaminhada de bike”.

A estrada reduziu-se a uma trilha, onde seria possível passar somente motos, no máximo jipes. As câimbras começavam a me importunar. As costas doíam, as pernas doíam, os dedos das mãos doíam. Eu sentia câimbras até na palma da mão ao segurar o guidão da bike. A sede já me castigava. Tinha ainda alguns goles de água e várias barras de cereais e um pouco dos biscoitos que comprei no Sitio do Picapau Amarelo, no dia anterior. Não podia comer mais nada por que sentiria mais sede ainda, por isso optei não consumir nada e guardei os últimos goles da água pra mais tarde. Manter concentrado e não se desesperar foi crucial para simplesmente não ter me jogado no chão e ficar por lá mesmo, por causa do cansaço. Se não fosse pela falta da sinalização da rota, fazendo-me pegar o caminho errado, ainda teria mais tempo de luz do dia, água e vigor para terminar o percurso sem maiores problemas. Estava com lanterna, mas me programei para não realizar meu percurso a noite, ainda mais nesse trecho cercado de mato, muito barro e urubus…

Depois de muito sacrifício cheguei ao topo da serra, a vista da cadeia montanhosa e do vale é espetacular. Descansei por alguns minutos e terminei de beber o pouco de água que me restara. Daí a estrada se alargou um pouco mais. Pedalei alguns quilômetros e passei pelo primeiro sítio já na área rural de Santo Antônio do Pinhal. Ainda tive tempo de correr de mais alguns cachorros. Em uma das vezes tomei uma “carreira” de uns 6 cachorros (emoção pura). Finalmente tive a primeira vista do Complexo da Pedra do Baú, na distante São Bento do Sapucaí. Faltavam poucos minutos de luz natural e aproveitei o grande trecho de descida para ganhar tempo. Passei pela Capela Santa Cruz e o número de casas aumentava cada vez mais até que encontrei um bar. Encostei minha bike, ofegante e quase sem voz, pedi água. Num só gole tomei a primeira garrafa de água e pedi outra. Peguei o primeiro salgado que vi e dilacerei-o como um zumbi de “The Walking Dead” faz com suas presas. Passado o sufoco, descansei um pouco, sentado no chão ao lado de uma mesa de bilhar, paguei a conta e segui, já à noite para o final da programação do dia.

Em uma encruzilhada encontrei outra placa da rota, indicando qual caminho seguir e outra placa indicando o caminho para o Pico Agudo, onde tinha programado ir, mas pelo que havia passado, desisti de subir qualquer trecho desnecessário. Na próxima oportunidade voltarei de carro, só para subir o Pico Agudo.

Faltavam 3 km para chegar ao destino, porém o trecho já era completamente asfaltado. Cheguei em Santo Antônio do Pinhal por volta das 19:30 horas e fui direto para a pousada com a bike e metade do corpo cheio de lama. Ao chegar à recepção nem acreditei no que perguntei: “Tem temaki?” Engraçado como o cansaço nos faz tomar atitudes irracionais… Recompus-me, fiz o check-in e fui para o chuveiro, levando quase uma hora para eliminar toda lama. Ainda tive disposição para jantar num restaurante perto da pousada. De cliente, só tinha eu nesse restaurante. Resolvi contar toda minha história, enquanto jantava, para os donos do estabelecimento e para o garçom, que também assistiam à novela. Eles me disseram que há dois dias, um grupo de ciclistas de Ribeirão Preto havia passado pela cidade e que também viam de Monteiro Lobato. Depois de comer uma saborosa truta ao molho de alcaparras e acompanhado de batatas souté, ainda ganhei uma bebida de brinde… Ah, eu mereço!

Fazia muito frio. Após a refeição voltei para a pousada e em poucos minutos estava no “mundo de Thundera”. Zzzzzzz…

DIA 3:

Um novo dia me aguardava pela frente. Após a dificuldade superada no dia anterior, pensei seriamente em desistir do roteiro, porém já havia percorrido cerca de 120 km do trajeto planejado e decidi continuar.
De antemão já sabia que dos quatro dias, esse seria o mais tranquilo de todos. Cerca de 30 km me separava do objetivo do dia, sendo aproximadamente 90% de descida. Resolvi aproveitar parte do dia para conhecer o centrinho de Santo Antônio do Pinhal com seu ar romântico, não é à toa, uma vez que seu nome é derivado da capela construída na cidade em 1811, dedicada ao santo casamenteiro. Fazia frio, mesmo com o tempo bom e praticamente sem nuvens e fui para a Praça dos Emancipadores no Boulevard Araucária, a menos de 100 metros da pousada, para registrar minha passagem no pórtico eletrônico. O engraçado é que nenhum dos funcionários da pousada sabia o nome da praça. Tive que andar pela cidade para descobrir a praça, que fica ao lado da rodoviária. Visitei a Igreja Matriz de Santo Antônio do Pinhal, a Igreja São Benedito e a Praça do Artesão Benedito Marcondes Raposo com seu aspecto oriental.

Enchi meu cantil e outra garrafa reserva com a água da Fonte Santo Estevão, onde toda cidade bebe dela e por volta do meio-dia comecei minha pedalada para São Bento do Sapucaí.
Nesse trecho, entendi o porquê de Rota Alegria. A maior parte do percurso, por ser descida, tive a oportunidade de aproveitar melhor o vento batendo no rosto e apreciar a paisagem do local. O Complexo da Pedra do Baú ficava cada vez mais próximo e mais imponente. Senti falta das placas da Rota Franciscana – a primeira que encontrei estava depois de percorrer 20 km. Se não fosse pelo meu mapa, elaborado e impresso por mim, não teria acertado o caminho facilmente. A primeira sinalização da rota apareceu já no pequeno trecho que tive que passar pela cidade de Sapucaí – Mirim, já em Minas Gerais. Ohhh Minas Gerais…

Cheguei a São Bento do Sapucaí às 14:09 horas. Fui até a Praça Padre Pedro registrar minha passagem no pórtico eletrônico e fui procurar a pousada para deixar a bagagem. A missão do dia foi cumprida e agora deveria descansar para o último dia da aventura.

DIA 4:

Optei ir de São Bento do Sapucaí para Campos do Jordão de ônibus, o trecho é somente de subida.
Levantei às 05:00 horas, arrumei minhas coisas e fui para a rodoviária. Aproveitei a viagem para apreciar a paisagem da Serra da Mantiqueira. Cheguei na cidade mais alta do Brasil – Campos do Jordão, antes das 8 da manhã e fui registrar minha passagem no pórtico eletrônico, situado no portal da cidade.

Tomei café da manhã, comprei chocolate e voltei para a Rota Franciscana, pois teria que percorrer 65 km até Guaratinguetá. Atravessei a cidade de Campos do Jordão e segui na estrada asfaltada sentido ao Horto Florestal.
A partir daí a estrada era só descida e um pouco antes do Horto Florestal encontrei uma placa da Rota Franciscana, indicando que deveria sair da estrada asfaltada e entrar numa estrada de terra. Averiguei a informação com meu mapa impresso e confirmei que era mesmo o caminho a seguir – a Estrada do Gomeral. Estava a aproximadamente 1650 metros de altitude e tive que empurrar a bike até 1950 metros de altitude, onde cheguei ao Mirante do Pau Arcado, com sua vista espetacular, dando para avistar a cidade de Campos do Jordão e o Complexo do Baú em São Bento do Sapucaí. Após um intervalo de descanso e contemplação, continuei a subida, passando por lugares incríveis e paisagens surreais. As subidas acabaram e começou então um longo trecho de retas. Cheguei à divisa de municípios Campos do Jordão – Guaratinguetá e continuei na estrada, passando por algumas casas e fazendas isoladas, até que o tempo começou a esfriar rapidamente – eram 4 horas da tarde.

Ainda no topo da serra parei para fotografar em frente a uma pousada no meio do nada – a Pousada Santa Maria da Serra. Perguntei para uma senhora se tinha alguma coisa quente para beber, ela me ofereceu uma caneca grande de chocolate quente e digo: Foi o melhor chocolate quente da minha vida!!! Enquanto tomava meu chocolate quente, veio uma senhora de dentro da cozinha com um prato cheio de bolo. Ela disse: “É pra você!”. Surpreso, agradeci muito a ela.
Após alguns minutos de conversa, me despedi e segui minha trajetória rumo a Guaratinguetá.

Em pouco tempo, cheguei à beira da serra, onde dava pra avistar as cidades de Cunha, Lorena, Guaratinguetá, Aparecida, Roseira, Pindamonhangaba, Tremembé e Taubaté. A partir daí seria somente descida, de 1950 de altitude para 500. Os primeiros 3 km fui empurrando a bike por que, recentemente, alguns caminhões haviam jogado pedregulhos enormes na estrada e temi furar algum pneu ou quebrar algum mecanismo da bike. Terminando o trecho de pedregulhos, subi na bike e passei pela vila do Gomeral, por uma cachoeira à beira da estrada, até que cheguei na parte asfaltada da estrada. Ao passar pela vila chamada Pedrinhas, a noite já caia sobre a região. Liguei minha lanterna e o sinalizador traseiro da bike e pedalei a toda velocidade, passando por vastas regiões de campos e pastagem. Quanto virava minha lanterna para o rebanho, via centenas de olhos brilhantes me olhando de volta. Sentia-me num campo de pouso de óvnis…

Pedalei durante 1 hora até que cheguei a Guaratinguetá. Passei em frente a Catedral de Santo Antônio, local onde Frei Galvão foi batizado e rezou sua primeira missa. Fui até a Praça Santo Antônio, onde estava o último pórtico eletrônico da Rota Alegria, mas para minha infelicidade, também minha passagem não foi registrada pelo pórtico. Conversei com o funcionário do posto de informações turísticas, localizado na mesma praça e ele disse que há dois dias um grupo de ciclistas também se decepcionaram por suas passagens não terem sido registradas pelo pórtico eletrônico. Eu perguntei: “Por acaso é um grupo de Ribeirão Preto?”. Comecei a rir. Ele disse: “Como você sabe, são seus amigos?”. Respondi: “Não conheço eles, mas desde que saí de Monteiro Lobato, venho seguindo suas pista.”. Rimos um pouco e ele sensibilizado com o problema do pórtico eletrônico, me ajudou a procurar uma pousada barata na região.

A experiência dessa viagem foi excelente e muito importante para mim, tanto do ponto de vista cultural como do ponto de vista pessoal.

O relato encontra-se em: http://marciobritotrilhas.blogspot.com.br/2014_05_01_archive.html

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