Cicloturismo Vale Europeu: “Forever Alone” com Neve

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Foto: acervo pessoal Caroline de Barba

Por Caroline de Barba

Resolvi fazer o Circuito Vale Europeu de Cicloturismo (SC) em julho de 2013. Não achei vivente disponível para me acompanhar na data. Então, tive que percorrê-lo sozinha. Tudo bem, já que moro nessa região e conheço todo o trajeto. Meu plano era percorrer os 300km em 4 dias.

Uma chuva torrencial me fez perder o primeiro dia de viagem e encurtar uns 30 km do percurso inicial. No dia seguinte, saí num frio tenebroso, num céu apocalíptico com a missão de fazer dois trechos da programação inicial. Desinformada dos acontecimentos da madrugada parti “empacotadamente” feliz.

Na segunda cidade do roteiro (Rodeio), parei para almoçar e descobri que havia nevado na região. “Sabe de nada, inocente!”, pensei. Mesmo com as previsões sinistras de geada negra anunciadas exaustivamente durante a semana, saí de casa sem ligar TV, rádio ou internet… Nem as coisas brancas estranhas nas montanhas de Indaial me fizeram desconfiar. Uma mulher, mais desinformada que eu, falou que era geada.

Fiquei com medo, mas segui caminho, nem que fosse para ver a neve e voltar para casa. E como tinha neve ainda (apesar do sol)! Tudo tão branco, tão diferente! Resolvi seguir com o plano da viagem. Tive mais sorte que juízo.

Foto: acervo pessoal Caroline de Barba
Foto: acervo pessoal Caroline de Barba

No dia seguinte acordei com muita geada e muito frio. Logo cheguei ao primeiro riacho do caminho. Estava muito cheio e a água devia estar geladíssima (meu garmin marcava 3 º C). Eu já estava começando o tirar a botinha e sacrificar meus pezinhos para atravessá-lo. Quando, milagrosamente, naquele lugar inóspito, apareceu um motoqueiro de bota de borracha. O camarada gentilmente atravessou minha bike pelo rio e depois me atravessou montada na moto. Deus abençoe esse cidadão!

Mas havia mais perrengues me aguardando. A neve havia derrubado muitas árvores (e entortado outro tanto). Em alguns trechos a estrada estava fechada e tive que me arrastar por baixo delas, puxando a bicicleta. Foi um dos momentos mais tensos que já vivi com a magrela.

Ainda havia muita neve e a paisagem compensava. Nesse dia, além de frio, também passei fome. Contava com uma paradinha num hotel no meio do percurso da tarde. Mas ele estava fechado e só fui achar um boteco perto do local de pernoite. O dono teve ter se assustado com a troglodita devorando salgadinhos e bolachas enquanto falava de boca cheia.

Já havia passado por neve, geada e para fechar com chave de ouro, choveu no último dia. A estrada estava uma lama só. Com duas pedaladas eu já estava imunda! Não resisti e cortei caminho. Esse é um dos problemas de conhecer bem a região: você sabe exatamente como trapacear…

Cheguei em casa mais cedo, encharcada, moída e feliz. Cheia de aventuras para contar e roupas sujas para lavar!

Essa e outras histórias estão no livro “Cicloviagens 2013”. Disponível em: https://clubedeautores.com.br/book/175067–Cicloviagens_213#.VFPONuktCHs

[Nota do blog:] se você vai pedalar pelo Circuito de Cicloturismo Vale Europeu, pode consultar campings, pousadas e hoteis nos links abaixo:


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