Pedalando no Rio II

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Que bacana as coincidências da vida.

No fim de semana que estava no Rio pedalando recebi do meu amigo Bob Villela (dono do blog Linhas Minhas) o belo texto abaixo, que descreve algumas das suas sensações de pedalar na Cidade Maravilhosa. Valeu Bob!

Magrela (por Bob Villela)

Guidom, rodas, selim e detalhes atrelados a um quadro. Nesse quadro, cada movimento sobre os pedais faz surgir um fragmento ainda mais rico da pintura maravilhosa. Não há moldura. Por óbvio, a paisagem que se forma é ilimitada. Fantástica mesmo é a impossibilidade absoluta de ficar indiferente diante das descobertas.

Caetano berrava pelo aterro, pelo desterro. Caetano não tinha uma bicicleta. No aterro, em vez de berrar, concentrei todas as minhas energias nas pedaladas. Caetano dizia que o papo estava qualquer coisa. Mas, definitivamente, a sensação de passear entre as belezas desta terra não é coisa qualquer, e cultiva similaridades com a obra do baiano: graça, surpresa e privilégio.

O caminho fino e sinuoso escrito por Burle Marx atenuava minha ansiedade por chegar à enseada de Botafogo. O passeio continuava, fluíaem perfeição. Nasproximidades da famosa churrascaria, era eu o convidado especial para um rodízio de monumentos à existência.

No mar, sal a gosto e peixinhos sambando. Figuravam pratos típicos: a prática de esportes; o paisagismo como aditivo do que é naturalmente belo; a alegria e o ganha-pão de quem não tem a mesma sorte. O Redentor, mesmo não tão perto, era o adereço que emocionava na decoração. Pão de Açúcar na sobremesa. Para relaxar o corpo e descansar a cuca, pedalei até a Urca.

No retorno, o desejo de ir do Leme ao Pontal. Haja treino! Mas, assim como não resta dúvida de que do primeiro ao segundo não há nada igual, transborda em mim a certeza de que também essa brisa, essa honra, esse circuito, serão partes da história que escrevo. Pedalando, contemplando, vivendo.

Pedalar… Por lazer, por recomendação médica ou para acabar com a gordura localizada. E, se a gordura estiver localizada no Rio, pedalar é muito mais que diversão ou cuidado com o corpo. É vida plena e exercício para a memória. Duvido que alguém consiga se esquecer de tantas maravilhas.

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