Relato – Série Audax 2013: 200km Rio das Ostras

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Joelma, minha bike, pronta para a prova

No post de hoje vou fazer um relato mais detalhado o Audax 200, que pedalei em Rio das Ostras no último domigo. Por ser o meu primeiro, tem um significado bem especial, e além do relato, faço algumas considerações no final do post.

1 – Antes da prova: a preparação

A prova seria no domingo, mas cheguei em Rio das Ostras na sexta à noite. Apesar do tempo nublado, chuva fina e constante, sábado foi dia de uma volta pela cidade. Fui a uma bicicletaria para comprar um colete refletivo, e lá encontrei também meu cumpadre Nino, que acho que posso chamar de um “veterano” de Audax (já brevetou até os 600km!). O Nino me apresentou uma galera super legal, e encontrei outros conhecidos do Rio e de Sampa que estavam lá pra pedalar também.

Depois, o ritual de praxe, mas bem interessante pra mim, que participava pela primeira vez: entrega dos kits para a prova e reunião técnica. Ouvir os “causos” dos colegas já veteranos era uma delícia, e já estava na adrenalina de pedalar. Deixei tudo pronto a noite mesmo na pousada. As 5 da manhã do domingo, já estava de pé.

Joelma, minha bike, pronta para a prova
Joelma, minha bike, pronta para a prova

2 – 200km

Na concentração: fila para vistoria das bikes
Na concentração: fila para vistoria das bikes

As 6:00 da manhã, a concentração e vistoria das bikes. Largamos as 7:30 e apesar de saber que a prova seria longa, era difícil não conter a empolgação e esticar umas pedaladas mais fortes. Outra coisa legal era ver muita gente pedalando junta na estrada. E foi assim apenas até o primeiro Ponto de Controle (PC), onde teve até uma fila para carimbar o passaporte.

Um carimbo no passaporte e uma banana depois, já estava de novo pedalando, agora sozinho, até o segundo PC (50 km de prova), onde dessa vez fiquei mais um tempo pra fazer um lanche. Lá encontrei de novo meu cumpadre Nino, e de lá acabamos seguindo juntos até o final da prova.

Do PC 2 (50km) até o PC 4, em Quissamã (104km) foram pra mim os momentos mais duros da prova.

No PC 3, em Carapebus, já sentia o corpo pedindo energia. Descansei um pouco mais por lá, e as bananas me salvavam.

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Ciclistas no PC 3, em Carapebus

O sol estava forte, e o calor que vinha do asfalto parecia que iria me cozinhar. Além disso, um vento contra daqueles bem chatos, que te fazem colocar força no pedal e não ver tanto rendimento na estrada. O resultado foi o cansaço. Ao chegar no PC 4, estava bem abatido, pensando se a volta seria com o mesmo calor e vento contra. No ginásio poliesportivo de Quissamã, uma macarronada salvadora e um banho gelado no vestiário.

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Chegada em Quissamã, depois de muito calor e vento: exausto.

Descansei lá por cerca de uma hora e só voltei ao pedal depois que comecei a me sentir inteiro de novo.

Na volta, a empolgação. O vento contra tinha ficado a favor, a macarronada tinha recuperado minhas energias, e o calor ia diminuindo. O pedal tava rendendo que era uma beleza! Voltamos em um ritmo muito bom, e a cada km ia ficando mais confiante em terminar os 200km.

Com 160km pedalados, comecei a sentir alguns incômodos. Estava me levantando mais da bike para pedalar, e começava a me incomodar a parte posterior da coxa esquerda. Junto a isso um trecho bem esburacado de estrada em Macaé. Mas me concentrei para a chegada no último PC, que ficava perto dali (aos 183km de prova).

Nesse PC, fomos recebidos com muita animação pelo pessoal da organização. Infelizmente não me lembro o nome da menina que estava lá, mas ela realmente deixava todos muito motivados. A turma chegava lá cansada e saia empolgada com a animação dela.

Reta final: eu e Nino, no último PC antes da chegada.

Os últimos 17 km foram de muita curtição. Eu nunca havia feito essa distância (já havia pedalado no máximo 150km, há uns 3 anos atrás), e tinha a ideia de que fazer isso pudesse ser doloroso, sofrido. Claro que estava cansado, mas estava acima de tudo muito feliz! Pensava no tanto que já tinha andado com minhas bicicletas, a todos os lugares onde elas já haviam me levado. Pensava em “como não tinha experimentado um Audax antes”, e como o espírito dessa prova era tão legal.

Na chegada eramos parabenizados e saudados pelos colegas que já haviam chegado. Era muito bom ouvir as histórias de todos, e como uma prova pode ser tão diferente pra tantas pessoas. Eram colegas que se perderam e terminaram a prova com mais de 200km, casos de pneus furados, quedas, superação de dificuldades, situações engraçadas…

Fiquei com a impressão de que o  Audax parece a “Corrida Maluca”, do desenho animado.

Infelizmente não tive muito tempo pra ficar e aproveitar o pós prova, aguardar a chegada de outros colegas. Tive que correr logo pra voltar pra casa. Se conseguir manter o ritmo de treinos, espero participar de outros brevets. Um agradecimento ao cumpadre Nino, não só pela companhia do pedal, como pelos casos e verdadeiras aulas sobre Audax que pude escutar ao longo do percurso. Valeu demais cumpadre!

Assim que tiver tempo vou editar um video para colocar aqui no post.

Recomendo muito essa experiência a todos que gostam de desafios, pedalar longas distâncias, e conhecer seu corpo e seus limites.

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O odômetro da alegia: 200km

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2 COMENTÁRIOS

  1. Cara, muito legal o seu bloco. Foi meu primeiro audax também e guardarei boas lembranças dele. Apareço no cantinho direito da terceira foto, com uma caad branca, carimbando meu passaporte no pc de Carapebus. Parabens por ter brevetado. Eu consegui também.

    Emerson- Cachoeiro de Itapemirim/ES

  2. Parabéns Emerson! Foi uma prova muito bacana! Vou ver se consigo me organizar e treinar para os 300, mas o trabalho tá apertando muito. Grande abraço e boas pedaladas!

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