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Caminho da Fé com rota no Strava

Por Paulo Lange

Acabei de realizar o caminho da fé, de Águas da Prata até Aparecida, completamente pelo caminho da fé mesmo, sem desvios! Fui eu e um amigo apenas, no início era apenas eu, depois foram surgindo outros interessados, depois alguns foram sumindo, e no final sobrou apenas eu e o Alexandre!

Essa foi minha primeira viagem de bike! Foram 6 dias de pedal, começava a pedalar as 08:00 e terminava as 17:00, às vezes não parava nem pra almoçar, apenas comia algumas coisas pelo caminho e continuava a pedalar! Foi bastante exaustivo, a maioria das subidas são muito íngremes, não dá pra subir pedalando, tinha que empurrar e o pior é que a bike + bagagem pesava uns 23kgs! Achei que seria melhor pecar pelo excesso do que pela falta, por pura falta de experiência mesmo, mas eu estava errado, rsrs! Para subir os morros empurrando esse peso todo foi complicado!

As pousadas que dormimos são bastante simples, algumas são mega improvisadas, mas sempre com a melhor das intenções! A turma se vira nos 30 pra dar hospedagem pra galera, e sempre sorrindo e contando várias histórias legais! Alguns serão sempre lembrados, e visitados também!

O que mais cansava eram os finais dos dias, quando você rezava (literalmente) pra pousada estar próxima, ai você via aquela subida interminável…. Lembro da pousada da vó Maria, em São Bento do Sapucaí, que vimos uma placa que ainda faltava 6km e era um morro gigante à frente! E a placa era mentirosa também, faltava 8km na realidade! Depois ainda teve a placa dos 600m, que também era enganosa, rsrsrs! Mas quando chegamos lá, o Jucemar (dono) saiu gritando pra gente ir lá tomar água, quando acenamos que iríamos, ele saiu gritando “mãe faz um suco para os peregrinos”! Imediatamente ele veio até nós falando pra gente tomar banho em uma ducha de água de mina que ele instalou estrategicamente no meio do jardim, ao lado de duas redes!

Ele nem perguntou se a gente ia ficar ou não, foi puro altruísmo da parte dele! Em Campos do Jordão, a pousada em que ficamos tudo é liberado, você se serve do que quiser (até de baden) e você mesmo marca o que está consumindo, depois, tem uma caixa de madeira com dinheiro dentro, você mesmo acerta sua conta, pega seu troco e não precisa prestar contas de nada! Os donos, Marilda e Sergio estão dedicados aos peregrinos e tem muitas histórias bacanas pra contar!

Caminho da Fé com rota no Strava

Caminho da Fé com rota no Strava. Foto: acervo pessoal Paulo Lange

Tivemos apenas um pneu furado, porém vários problemas mecânicos com o freio a disco da bicicleta do Alexandre. O freio dele era Hayes, e as pastilhas fritaram no segundo dia e ele não levou reserva. Em Borda da Mata conhecemos uma pessoa que conhecia o dono da bicicletaria, e ele abriu as portas pra gente em pleno domingo! Mas infelizmente ele não tinha as pastilhas, mas ele inverteu a da frente pela de trás para ter um pouco de freio na traseira, onde estava o peso.

Seguimos para Estiva, e lá chegando, o Alexandre foi procurar a única pessoa que mexe com bicicletas na cidade, mas ele também não tinha nada de freio a disco. Uma alma caridosa ouviu a história e imediatamente se propôs a levar o Alexandre até a cidade de Cambuí para procurar! Eles seguiram para lá e pararam e uma bicicletaria, onde não acharam a pastilha. Seguiram para uma segunda, também não acharam. Ai o Alexandre seguiu minha dica e comprou um par de freios a disco simples, para poder seguir viagem. Retirou os hidráulicos e instalou os mecânicos. Infelizmente estes freios duraram apenas um dia, quando estávamos seguindo de São Bento do Sapucaí para Luminosa, o freio traseiro deu problema. Ele espanou por dentro, mas a gente ainda não sabia disso, desmontamos, remontamos, deu pressão e achamos que tinha resolvido. Porém ao chegar no final da descida, o freio perdeu pressão novamente, como se soltasse a mola. Falei para o Alexandre para trocarmos os freios, pegar o da frente e colocar atrás, e depois colocar o hidráulico na frente novamente e pegar a pastilha boa e instalar nele. Mas o Alexandre achou que tinha conseguido resolver o problema e seguimos por mais duas ruas, e deu problema novamente. Ai fizemos a troca, deixamos o mecânico bom com pastilha nova atrás, e voltamos o hidráulico para a frente e instalamos a pastilha que tinha ido para o hidráulico traseiro novamente nele.

O meu freio, v-brake, também derreteu, literalmente, no segundo dia, junto com as pastilhas do Alexandre, mas eu levei sapatas extras, e troquei em borda da mata, nem precisei comprar, felizmente! De problema mecânico foi apenas isso, tive que trocar meu cambio antes de ir porque estava com a mola muito fraca (9 anos de uso) e não estava pulando marchas legal. Meu pedivela estava com a coroa do meio torta, amassada, mas só fui perceber no meio da viagem, mas nada que comprometesse, segui assim até o final! A roda da frente, estava tudo ok, no final da viagem, ultimo dia, ao soltar as mãos do guidão no asfalto, a frente tremia. Mas também segui assim até o final!

Bagagens, gastos e dicas

Nenhum tombo, graças a Deus, mas também evitamos abusar porque sabíamos que se a gente levasse um tombo, por mais bobo que seja, com o corpo quente e dolorido, seria o fim da viagem. As descidas são muito perigosas, muita pedra, buraco, curvas fechadas e veículos trafegando em várias delas. E o peso do bagageiro piora tudo. Infelizmente errei nas medidas, poderia ter levado menos coisas, mas como não conhecia nada da viagem, preferi pecar pelo excesso, o que me ajudou apenas a perder mais peso (MEU peso), rsrs! Ali a regra do “quanto menos melhor” vale sim. Todos locais têm tanque pra lavar roupa, se você calcular bem os horários de término de cada dia, dá tempo de levar e secar para o dia seguinte. Referente aos gastos, tudo é muito barato, os preços das pousada condizem com o preço que está no site do Caminho da Fé, e as refeições extras você não gasta muito não, mas é bom ter um porquinho extra pra poder quebrar caso tenha alguma peça da bike cara que tenha que trocar. Freios extras são imprescindíveis, impossível não gastá-los.

O Percurso

Sobre o percurso, ele não foi feito pra ser fácil, foi feito planejado pra ser difícil mesmo! Tem trecho que você entra e pensa “seria muito mais fácil ter ido por ali…” e pode acreditar que provavelmente você estava certo, porém você está lá pra fazer o caminho da fé, e não o “atalho da fé”! Se for fazer o percurso já vá com isso em mente! O caminho foi concebido dessa forma pra ser apreciado, pra ter seus momentos de dificuldade, e pra ser feito na sua integridade! Vá com o pensamento de que ele é difícil de propósito mesmo, e que você está lá pra seguir o caminho, e você terá mais forças pra terminar a viagem, podem acreditar!!

O tempo ajudou muito a gente, teve vários dias que o tempo nublou e ajudou. Pegamos alguns chuviscos no meio do caminho mas foi apenas para refrescar! Apenas no último dia que pegamos chuva pra valer, chegamos a Aparecida debaixo de temporal, temporal mesmo! Os ventos fortes tiravam a bike da reta! Já o calor, foi de lascar… Inclusive para dormir! Muito abafado e quente.

Enfim, toda viagem foi muito boa, muito difícil também, mas já voltei com saudade dessa turma e certeza que os verei novamente, em breve! E a basílica também! Nunca tinha ido para Aparecida, e quero voltar com a família para conhecer melhor a basílica, e poder apreciar essa enorme obra de arte!!

Caminho da Fé com Rota no Strava

1º dia: Águas da Prata até Barra – Hospedagem na Pousada Tio João

Strava: https://www.strava.com/activities/414974173

2o dia: Barra a Borda da Mata

Strava: https://www.strava.com/activities/415856918

3o dia: Borda da Mata a Estiva – Hospedagem na Pousada do Poka

Strava: https://www.strava.com/activities/416282958

4o dia: Estiva a Cantagalo – Hospedagem na pousada Vó Maria

Strava: https://www.strava.com/activities/416971598

5o dia: Cantagalo a Campos do Jordão – Hospedagem na Pousada do Peregrino

Strava: https://www.strava.com/activities/417630316

6o e último dia: Campos do Jordão a Aparecida

Strava: https://www.strava.com/activities/418050209

É isso ai, espero que gostem do relato e se encorajem a ir!! Ano que vem se Deus quiser irei novamente rever toda essa gente simpática e as belas paisagens do caminho!

[Nota do blog:] Muitos ciclistas pedalam de vários lugares do Brasil com destino a Aparecida. Veja opções de hospedagem em Aparecida neste link


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There are 5 comments

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  1. Evandro

    Muito legal seu relato! Eu também fiz o Caminho da Fé no último mês de maio e com certeza vou fazer de novo em 2016, se Deus quiser! O clima psicológico ou emocional do Caminho é fantástico: camaradagem, fraternidade, companheirismo. As pessoas parecem mesmo estar ali desapegadas de tudo e focadas apenas em viver aqueles momentos. O sistema na pousada do Sérgio em Campos do Jordão tb me chamaram muito atenção, algo de europeu, de pais civilizado! Muito legal. Quem quiser conhecer minha viagem, as fotos e também os mapas e links para o meu strava da viagemn pode acessar: http://www.clipcom.com.br/cdafe. ABs! Evandro.

  2. Carlos Magno Guerra

    Amigo, parabéns pela conquista. Muito legal o seu ralato.
    Ainda irei fazer essa viagem, está nos menus planos.
    Mas dúvidas ainda pairam.
    Mas o que levar? Qual a medida certa?
    O que levou em excesso que podemos dispensar?
    Conta aí pra gente. ?

  3. Wadilson

    Que legal… já fiz algumas viagens mas nenhuma com mais de 2 dias, e o Caminho da Fé é o primeiro da lista.

    Pedi para seguir seu perfil no Strava, assim é possível fazer o download do GPX. Nos vemos lá.

    Bom pedal!


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