Cicloturismo: aventura com uma bicicleta dobrável

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Foto: acervo pessoal Ariadne Dan'Chior

Por Ariadne Dan’Chior

Há tempos eu pensava em conhecer o Parque Nacional Aparados da Serra. Mas sempre que tentava, não dava certo.

Porém, em dezembro do ano passado (2014), coloquei na cabeça que faria um ciclotur solo. Já havia viajado de bicicleta antes, mas sempre acompanhada. Como não tenho tempo para treinar e a vontade era realmente muito grande, lá fui eu preparar a minha aventura com uma bicicleta dobrável: a Caloi Bend. Não sem antes, lógico, ser advertida por todo mundo que seria perigoso, que a bike é pesada, que enfrentaria estrada de chão, etc.

Coloco que não fiz nenhuma modificação na magrela e também não investi em alforjes. Prendi malas comuns com elásticos. O único investimento foi um bagageiro dianteiro, que fez muita diferença. Apesar de saber que iria sofrer nas estradas de chão, não desanimei. Programei pedalar onde a estrada realmente valesse a pena, e onde não houvesse beleza cênica, embarcaria no ônibus até o próximo atrativo. Eis a vantagem da dobrável!

Estabeleci o seguinte roteiro: ônibus até Bom Jardim da Serra. De lá, seguiria pedalando até Lauro Miller, passando pela Serra do Rio Do Rastro. Seguiria para Laguna de ônibus, onde passaria dois dias pedalando pela região, visitando museus, centro histórico e Farol de Santa Marta. De lá, seguiria pedalando pelo litoral até Torres – RS, onde visitaria o Parque da Guarita e suas incríveis falésias. Tiraria um dia para curtir a praia e pedalaria até Praia Grande – SC, onde pegaria um ônibus até a entrada do Canyon Itaimbezinho. Seguiria pedalando até Cambará do Sul, onde embarcaria para Caxias do Sul e de onde partiria de bike, para fazer o trecho de Petrópolis até Canela, que dizem ser maravilhoso. Já em Canela visitaria o Parque do Caracol e Parque da Ferradura. Seguiria para Três Coroas para visitar um templo Budista. De Três Coroas a São Miguel Arcanjo, continuaria de ônibus, onde visitaria As Ruinas de São Miguel Arcanjo e outras da região, e por fim, embarcaria para casa.

Mas infelizmente não consegui realizar este roteiro. Iniciei a viagem dia 2 de janeiro de 2015 com a intuito de permanecer pelo menos 15 dias na estrada. Passei uma manhã maravilhosa curtindo a Serra do Rio do Rastro. E muita gente parava para falar comigo e dar uma olhada na bicicleta, toda carregada. Por alguma razão inexplicável, tive a intuição de ir para Aparados da Serra, no dia seguinte. Foi o que fiz, e foi a minha salvação, pois o Rio Grande do Sul enfrentaria dias de chuvas intensas.

O Parque Nacional de Aparados da Serra é incrível. A beleza cênica não cabe nos olhos, sendo necessário dedicar algum tempo de contemplação. Fiz bem de mudar o roteiro, pois peguei céu limpo. E por lá, com chuva ou neblina, pouco se vê. Depois de passear pelo parque, ser abordada por muita gente, segui para Praia Grande para visitar o que havia ficado para trás. No entanto foi uma aventura e tanto. A estrada é péssima, com muita pedra solta e desníveis fortes. Minha bicicleta é para asfalto, sendo quase impossível conseguir pedalar em alguns trechos. Tive que empurrá-la em muitos momentos, inclusive em descidas onde não conseguia manter a instabilidade. Uma tortura, mas que compensou devido ao visual. Foram 22 km. Alguns ciclistas passaram por mim, e teve um até que me achou uma doida por estar ali com aquela bicicleta. Mas teve também algumas famílias que acharam o máximo, me oferecendo água e perguntando se precisava de ajuda. Decidi que iria com aquilo até o fim, e fui. E valeu cada segundo.

aventura com uma bicicleta dobrável
Uma aventura com uma bicicleta dobrável. Foto: acervo pessoal Ariadne Dan’Chior

Cheguei exausta e sem ânimo para armar acampamento. Me hospedei em uma pousadinha, onde a dona era toda simpática e cheia de histórias para contar. Me disse que eu fui a primeira mulher a chegar lá sozinha e com uma bicicleta tão incomum. Confesso que me orgulhei de mim mesma.

No dia seguinte, com as energias repostas, pedalei 45 kms até Torres. Mal armei o acampamento, desabou chuva. Fiquei conversando com a moçada do camping. Quando passou a chuva, fui visitar o Parque da Guarita. Amei a formação do lugar. O parque não é grande, mas possui boa estrutura e trilhas bem limpas. Voltei para o camping e retornou a chover.

No dia seguinte, pela manhã fui a praia. Pretendia seguir para Laguna na manhã seguinte e queria estar bem relaxada. No entanto logo após almoço, caiu um temporal que chegou a deixar a cidade sem luz, e a chuva não deu mais trégua.

Fiquei mais um dia, mas a previsão do tempo não era das melhores. Decidi então retornar para casa, e deixar a outra parte do passeio para quando o tempo estiver firme.

Apesar de ter ficado imensamente infeliz por desistir, julguei ser o melhor a se fazer no momento. A bicicleta apanharia em algumas estradas e penso que com o tempo chuvoso, o prazer do pedal não seria o mesmo. Além do mais, a maior parte das paisagens da região são de montanhas, sujeitas a instabilidades e neblinas, sendo preciso tempo bom para apreciá-las.

Apesar da aventura ter durado tão pouco tempo, as emoções foram intensas, e agradeço por, a três anos atrás, ter investido na minha dobrável, que sempre me propiciou passeios e viagens incríveis.

[Nota do blog:] se você vai pedalar pelas cidades desse roteiro, pode consultar campings, pousadas e hotéis nos links abaixo:

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2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns, muito legal o relato da viagem! Também viajo de dobrável e sempre fico impressionado positivamente pela grande quantidade/qualidade de circuitos de cicloturismo não mapeados que acabo tendo conhecimento através de relatos como este… um país com tantas belezas naturais, há muito à ser explorado com certeza…

    Cicloabraços
    Joãozinho (Santo André-SP)

  2. Parabens….
    Quero comprar uma e ir para Playa del Carmen com ela.

    Tem um roteiro muito interessante que é cruzar a ilha de Cozumel, são 10 km somente..

    .

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