Cicloturismo: de Parnaíba (PI) a Jericoacoara (CE) – relato (parte 4 – final)

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Terceiro dia: de Camocim a Jericoacoara

O último dia da viagem revelaria as últimas surpresas, resolvidas de forma bem mais tranquilas, depois da gota d’água (ou do encharcamento mesmo) do episódio de perder a câmera. No dia de minha chegada a Camocim (sábado) rodei por toda a cidade e consegui achar uma câmera fotográfica – dessas de filme – por 20 reais. Seguindo os preceitos da implacável lei de Murphy, não consegui achar filme. Me disseram estar em falta, e só chegaria estoque na cidade na segunda-feira.

O adeus a Sebastiana

Acordei na madrugada de domingo com o dedinho do pé direito latejando, estava inchado e sentindo muita dor. Achei estranho pois pedalei sempre de tênis e não bati o pé em lugar algum. Algum bicho poderia ter me mordido, mas não encontrei nada no quarto. Pela manhã a dor persistia, e vi que não conseguiria pedalar.

A viagem de bike se encerraria por ali, mas Sebastiana ainda cumpriria sua parcela de responsabilidade em me levar a meu destino final. Vendi a bike ao dono da pousada, o Sr. Carlos, por 63 reais (13 da diária do quarto mais 50 reais em dinheiro). Com os R$50, paguei o passeio de buggy até Jericoacoara. Um caminho lindo, que vi que poderia ter feito de bike, gastando mais um dia da viagem. Mas não esquentei, e resolvi curtir o passeio (que é muito bonito). Passando pela vila de Tatajuba e por Guriú, cheguei em Jericoacoara uns 45km depois. O caminho de bike deve ser feito com cuidado, pois ao contrário dos outros trechos da viagem, o percurso é muito explorado pelo turismo, e o tráfego de buggys e carros 4×4 é intenso.

 

O adeus a Sebastiana: 130km percorridos

Chegando em Jeri consegui comprar filme pra máquina, finalmente. Só falta agora revelar e arrumar um scanner (rs). Terminei a viagem em alto astral, pois além de aproveitar mais um dia de praia e descanso, consegui recuperar as fotos e vídeos no cartão de memória da máquina (que ajudaram a “colorir” esses relatos).

Resumo da viagem e algumas considerações

Percurso pedalado: 130km

A bicicleta: a melhor bicicleta para cicloturismo é a sua. Você pode economizar em tudo numa viagem, menos na bike. Não foi isso que eu fiz. Como foi uma viagem de trabalho em qua a possibilidade de pedalar apareceu em cima da hora, foi uma solução barata. Sebastiana era limitada, mas me serviu bem por apenas 2 dias de pedalada. Tenho certeza que com Joelma renderia bem mais, mesmo que pedalasse o mesmo percurso, teria terminado mais inteiro. Na próxima viagem vou abrir a mão e descolar um mala-bike.

Segurança: Não me senti ameaçado ou com medo durante todo o percurso. Seja pelo percurso (trânsito etc) ou por situações de perigo. Ao contrário, pedalei totalmente sozinho por grande parte do trajeto.

Pedalar sozinho: sempre pedalei sozinho, mas em trechos conhecidos e geralmente habitados ou mais movimentados (estradas). Pedalar sozinho em áreas totalmente desabitadas exige um certo grau de concentração, a medida em que a situação vai se prolongando. Durante o segundo dia, por alguns momentos, senti certo incômodo a medida em que essa situação ia se estendendo. Creio que isso aconteceu comigo por não saber a distância que estava do meu destino, e a incerteza do percurso. Mas estava tranquilo, tinha minha barraca, comida e água caso precisasse pernoitar. Como sempre gostei dessa sensação de isolamento, conversei bastante comigo, com Deus e com tudo que via pela frente.

Pedalar no sol: O sol forte foi um fator complicador da viagem. Usar muito protetor solar, boné e se hidratar constantemente é fundamental. O sol do nordeste é implacável. Procurei, sempre que possível, pedalar de manhã bem cedo, parando pra descansar nas horas de sol mais forte, e continuando no período da tarde.

Planejamento: cada viagem exige um planejamento específico. Quanto mais “aberta”, mais amplo deve ser o planejamento. Foi o caso dessa viagem. Fui preparado pra dormir em pousada ou em barraca, levando mantimentos que previssem essa situação. Apesar de apenas 2 dias pedalando, carreguei 20kg de bagagem, incluindo, água e mantimentos, barraca e mochila. Levei também ferramentas e câmara de ar reserva.

Pedalar carregado: é muito diferente, mas acho que me adaptei bem. É muito importante definir “o que vai aonde”, distribuir bem o peso, e amarrar bem a carga. No primeiro dia senti um leve desconforto, pois a parte posterior da coxa encostava na mochila ao pedalar. Corrigi na hora e segui viagem tranquilamente.

Encontros: durante toda a viagem sempre encontrei pessoas disponíveis para ajudar. De informações até as travessias de barco, sempre troquei a possibilidade de chegar em meu destino mais cedo por um bom papo.

Perdeu alguma coisa dessa cicloviagem? Acompanhe nos links abaixo.

Parte 1 – Planejamento da viagem

Parte 2 – de Parnaíba (PI) a Cajueiro da Praia (PI)

Parte 3 – de Cajueiro da Praia (PI) a Camocim (CE)

Video da Cicloviagem entre Parnaíba (PI) e Jericoacoara (CE)

Cicloturismo e fotografia: fotos do caminho entre Parnaíba (PI) e Jericoacoara (CE)

Quer mais dicas de roteiros para cicloturismo? Clique aqui e veja nossa lista completa de relatos de viagens.

6 COMENTÁRIOS

  1. Ai André… adoro ler relatos de viagem e o seu tá muito bacana! Esses dois dias pareceram uma semana rs… que intenso, não? Meu deu uma super vontade de pedalar, acredita? Que tal largar a vida de professor e virar viajante profissional? rs….
    Abraço grande!!!

  2. Ei Nina! Pois é… ganhar grana pra viajar pra onde quiser, nos roteiros que quiser, e no tempo que quiser… eita sonho gostoso! Brinco com os amigos que nessa viagem me senti “o Indiana Jones da bicicletinha” hahaha! Um beijão do seu amigo ainda professor…

  3. Olá, gostei do relato. Realmente parece mais que dois dias. É muito bom ver que tem gente que passeia com prazer por caminhos pouco percorridos no Brasil..

  4. Adorei seu relato! Li sobre seu bolg ontem no Jornal Destak do RJ e entrei hj para conferir. Um dia ainda vou ter um assimm.
    Vc é professor de que?
    Abçs,
    Marianne (profª do RJ)

  5. André,
    Adoooorei o relato. Muito legal sua empolgação e espirito aventureiro.
    Quero muito pedalar pelo nordeste, espero poder fazer isso em breve.
    Vou dar uma lida nos posts mais recentes para ver o que vc anda aprontando.
    Abs

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