Conhecendo Pedalando a região Costa Verde Mar de Santa Catarina

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Por Bruno Wilwert Tomio

Um dos objetivos do Projeto Conhecer Pedalando é conhecer lugares, belezas naturais e pessoas, com intuito não apenas de conhecer, mas de divulgar e disseminar as experiências e vivencias obtida nas pretendidas buscas. Buscamos conhecer o proposto por meio da bicicleta quando possível, pois acreditamos que a mesma pode oferecer uma experiência e relação com os lugares e as pessoas de forma única e diferenciada dos meios de transportes motorizados. Diante do exposto segue um relato de uma viagem de bicicleta pelo litoral e cidades próximas da região Costa Verde Mar.

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A viagem mencionada neste relato passou pelas cidades de Gaspar, Ilhota, Itajaí, Navegantes, Penha, Balneário de Piçarras, Luiz Alves, Camboriu, Itapema e Balneário Camboriú. O trajeto seguiu muitas das vezes a rota do Circuito Costa Verde Mar de Cicloturismo e mais trechos e atrativos próximos à rota, dos quais serão apresentados no presente relato. Esta viagem teve a duração de 3 dias, com aproximadamente 300 quilômetros percorridos. Algumas imagens desta viagem podem ser visualizadas no link https://www.facebook.com/media/set/?set=a.764115280359571.1073741828.764066890364410&type=1&l=63038c4a53 e mais informações sobre o Circuito Costa Verde Mar de Cicloturismo e sobre o Projeto Conhecer Pedalando podem ser acessadas nos link http://www.costaverdemar.com.br/cicloturismo/ e http://conhecerpedalando.wix.com/projeto.

Recém iniciado o novo ano de 2016, levantei-me cedo para dar inicio a mais uma viagem de bicicleta. Saindo de Gaspar sobre fina garoa após uma semana inteira de sol e calor, pensei em parar e esperar a chuva passar, mas as interferências climáticas estão sempre presentes em viagens de bicicletas e também como dizia Raul “a chuva é minha amiga e não vou me resfriar”. Pedalando pela rodovia Jorge Lacerda passando também por Ilhota segui rumo a Itajaí.

Chegando em Itajaí, pedalei pelo centro da cidade, onde passei e parei na praça da bela Igreja Matriz, lá conheci o simpático Sr. Rafael, paulista que morou por muito tempo em Foz do Iguaçu e agora reside em Itajaí, trabalhou um bom tempo com baterias e hoje aposentado está gostando muito de morar na cidade.

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Dando continuidade a viagem cheguei no Morro da Cruz, onde se tem uma vista panorâmica da cidade e do encontro do Rio Itajaí-Açu com o mar. O morro é calçado e de fácil acesso, próximo a Univali. Partindo do Morro da Cruz segui em direção ao Parque Natural Municipal do Atalaia, uma unidade de conservação da qual vale a pena visitar, o parque é contemplado por dois mirantes que oferecem belas vistas das praias de Itajaí e região. Uma boa opção de caminhada em meio à natureza para as comunidades locais e turistas.

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Seguindo viagem, visitei o Morro do Careca, localizado entre Itajaí e Balneário Camboriú, um ponto de voo livre com parapentes que também oferece uma bela vista das praias e região. O acesso ao morro é asfaltado, onde infelizmente há congestionamento de carros na alta temporada. Eu e os pedestres tivemos dificuldades em passar em meios aos carros parados, fervendo ou queimando embreagens e pneus na tentativa frustrada de estacionarem o mais próximo do topo.

Comecei a seguir a Rota de Cicloturismo Costa Verde Mar a partir do Morro do Careca que é um dos atrativos mencionados na rota. Seguindo a rota, passei pela praia Brava uma área que há décadas atrás era preservada ambientalmente e hoje já ameaçada e atingida pela especulação imobiliária, sofre com as visíveis agressões ao meio ambiente causados pelos grandes empreendimentos imobiliários e turísticos. Passei também pela praia de Cabeçudas e por parte do centro de Itajaí, onde no ultimo citado, se há um belo exemplo de infraestrutura de lazer e para mobilidade de pedestre, ciclistas e afins. Peguei a balsa do centro de Itajaí para Navegantes, onde pernoitei na casa de amigos.

Iniciando em Navegantes, a jornada começou mais cedo no segundo dia de viagem, mais preciso às 5h da manhã. Passei pela Meia Praia de Navegantes, Praia de Gravatá e várias praias do município de Penha. Esperei o dia amanhecer na beira da praia Grande em Penha, e após o dia amanhecer continuei visitando as próximas praias, inclusive praias que não são mencionadas na rota do circuito. Uma praia de Penha que não visitei nesta viagem, mas recomendo visitar é a bela e preservada praia Vermelha.

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Seguindo viagem cheguei a Balneário de Piçarras, percorri por diversas praias do município. Além das praias citadas na rota de Cicloturismo visitei também as do bairro Barra Velha. Acessei a BR 101, onde tive que pedalar aproximadamente 11km para retomar a rota do Circuito que no próximo trecho seguia rumo a Luiz Alves.

Ainda na BR conheci o seu Ciro e Aline, um casal de Itaqui RS que viaja de bicicleta há algum tempo e estava a caminho de Ponta Grossa PR. Seu Ciro mecânico de carros já aposentado diz ter viajado por todo Brasil e também países da America do sul. O casal normalmente viaja pelas BRs e dormem em postos de gasolinas e albergues, suas bicicletas são extremamente simples e levam apenas o essencial para a sobrevivência. O que pode parecer encantador em uma visão um tanto ingênua e romântica sobre a realidade do casal, pode também ser interpretado de forma diferenciada por meio de outra visão. Após conversa com o casal, soube que o mesmo não possui residência e almeja conseguir de alguma forma adquirir uma Kombi para morar e poder vender artesanato ou algo que lhe dê sustento, visto que dependendo de uma aposentadoria de um salário mínimo não conseguem garantir uma sobrevivência digna com acesso à moradia, alimentação, lazer… Então seguem viajando de bicicleta nas perigosas BRs na aventura pela sobrevivência.

Pedalei até Luiz Alves por trechos de estradas de barro que me levaram ao centro da pequena cidade cercada de Alambiques. Chegando à cidade procurei algum lugar para passar a noite, onde perguntei aos bombeiros a respeito de um lugar seguro para se acampar. Os bombeiros não poderiam ter indicado lugar melhor, me sugeriram uma bela e tranquila gruta da cidade. Pernoitei na bela Gruta Nossa Senhora da Imaculada Conceição que é um local em meio à natureza, com quedas da água no seu topo e cachoeiras no seu inicio.

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Ao amanhecer do terceiro dia quando eu estava levantando acampamento tive o privilégio de conhecer o seu Pedro e a dona Marta, um casal de Blumenau que tem grande fé pela santa e pelo local e que em todos os meses visitam a gruta para orar e agradecer à santa. Dona Marta me contou que foi curada pela santa de um problema que tinha na perna da qual dificultava a sua locomoção, onde antes não conseguia chegar ao topo da gruta e agora curada após um dia iluminado visita à santa todos os meses. Despedimo-nos agradecidos pelo nosso encontro e desejando felicidades uns aos outros.

Dando continuidade a viagem, segui sem intenção a um caminho oposto ao da rota, não havendo problema algum mesmo tendo que retornar alguns quilômetros para voltar à rota, pois prossegui por uma estrada em subidas ao lado de um belo riacho. Voltando a rota, pedalei em direção a Ilhota, percorrendo na maioria da parte em estradas de barro. Contornei o Morro do Baú em Ilhota até chegar à balsa, atravessando o rio pela balsa segui o roteiro rumo a Camboriú.

Chegando a Camboriú passei pelo centro da cidade e comecei a subir o Morro do Encano, uma subida longa por estrada de barro em meio à mata. No fim da subida procurando um local para ter uma visão do entorno do morro encontrei o seu Claudio, gente finíssima, que após conversarmos me levou a sua residência onde há uma vista privilegiada da região. Seu Claudio me mostrou os vários pontos de Itapema que podem ser vistos da sua varanda. Conheci as plantações e arredores da residência de seu Claudio e experimentei algumas frutas de seu pomar. Após despedir-me do novo amigo que me deixou o convite para visita-lo novamente, desci o morro do Encano do qual me levou a beira da BR 101 em Itapema.

Cruzando a BR 101, fui aproveitar um pouco da praia da Ilhota de Itapema. Partindo da praia da Ilhota segui em direção à praia de Taquaras pela rodovia Interpraias, da qual contempla mirantes e o acesso a belas praias como Estaleirinho, Estaleiro, Praia do Pinho, Taquaras, Taquarinhas e Laranjeiras.

Em Taquaras fui ao encontro com familiares, onde pretendia passar alguns dias com eles, resolver pendências necessárias em Florianópolis e Gaspar, e seguir a viagem rumo a Porto Belo e Bombinhas, continuando pela rota do circuito e conhecendo atrativos e lugares além da rota. Mas infelizmente tive que adiar a continuação da viagem até então pretendida devido a uma indisposição física diante de febre, dores no estômago e mal estares. Fiquei debilitado após voltar de Gaspar para Taquaras de bicicleta, onde já não me sentia bem fisicamente por causa de dores no estômago da qual se agravou pelo esforço físico da volta para Taquaras.

Assim que possível pretendo conhecer pedalando o restante dos lugares e atrativos que desejava conhecer nesta viagem, buscando realizar desde modo uma nova aventura de forma econômica e de baixíssimo impacto ambiental.

[Nota do blog:] se você vai pedalar pelas cidades do Circuito Costa Verde e Mar, pode consultar campings, hostels, pousadas e hotéis nos links abaixo:

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