Impressões ao Pedalar – VZAN Spix 27.5 30V

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Andamos com uma das novas bikes da VZAN para 2014, mostrando o que ela tem a nos oferecer.

Texto, fotos e edição: Kiko Molinari Originals®
Agradecimento especial a “Chico” e Rogério “Kaba” da Pro Bike Bike Shop

Desde que o Mountain Bike foi criado, muita coisa mudou desde sua criação até os dias de hoje. No Brasil, marcas como Caloi e Monark apostaram na ideia e hoje vemos que quem apostou nesse então “nicho de mercado” se deu muito bem (exceto a Monark que parou no tempo e anda bem esquecida do público)

Hoje, vemos mais marcas brasileiras aderindo ao MTB, ainda mais com o advento das “rodas grandes”, de 27,5” e as famosas “29ers” E falando delas, hoje mostraremos a brasileira VZAN Spix 27.5 30V:

VZAN Spix 27.5 (1)

Não, você não leu errado!
Embora a VZAN traga as versões de aro 29” da Spix com os grupos Shimano Deore 30V e Shimano Acera 24V (além de outros modelos em aro 26” e uma Full Suspension 29” com peças distintas, sem contar os quadros avulsos e demais acessórios), fica claro que a marca aposta nas rodas “meio termo”, neste caso as bikes de aro 27,5”.

A unidade usada é uma “pré série”, isto é, unidade geralmente destinada a testes internos a serem feitos pelo fabricante antes do lançamento, mas que nesse caso foi destinada a alguns lojistas pré selecionados já como um produto definitivo, para avaliação da reação do público diante da novidade. Não é a toa que na loja onde a bike se encontrava a fila de espera para um “test drive” era de até 3 dias! Mas nós do site Até Onde Deu Pra Ir de Bicicleta conseguimos uma brecha e mostraremos em primeira mão o que a bike tem a oferecer.

VZAN Spix 27.5 (2)

Inicialmente fabricando aros simples e de folha dupla (mais conhecidos como “aero”) em 2002, passando a fabricar rodas prontas para Speed e Mountain Bike a partir de 2009, a VZAN aposta na montagem de bikes prontas usando uma mescla de componentes importados e nacionais.

A bike possui componentes  importados em sua maioria, como quadro em alumínio 6061, canote de selim, canote de guidão e guidão TranzX e suspensão Suntorur XCM 27,5 vindos de Taiwan, enquanto o kit Shimano Deore 30V vem do Japão. Apenas os aros Strike 27,5 de 32 furos, são feitos no Brasil (fica a dúvida quanto aos raios, se são da brasileira DDL ou da taiwanesa Chairman Spokes).

Apesar de possuir os mesmos componentes da Spix 29.0, o quadro é bem diferente na versão 27.5, bem como obviamente as rodas e suspensão dianteira. Segue a foto da Spix 29.0 para comparação:

VZAN Spix 29 - Divulgação VZAN

Analisando:
Devo confessar-lhes que nunca havia andado em uma bike dessa nova safra, seja aro 27,5” ou 29” (no máximo algumas pedaladas com uma Giant 29” de um amigo colombiano, em um espaço pequeno durante a última edição do XCO Masters realizado em Balneário Camboriú/SC em 2011), mas a experiência foi muito boa. Com a Spix 27,5, pude pedalar mais e explorar o que ela tinha a oferecer. Começando pelo quadro: o quadro é em alumínio em liga 6061 feito com tubos hidroformados, com ligeiras diferenças se comparado a Spix 29.0 (suporte da pinça do freio traseiro e uma leve ondulação no downtube perto do movimento central são as mais notórias).

VZAN Spix 27.5 (4)

A suspensão dianteira desta unidade é uma Suntour XCM 27,5 com trava rápida no guidão e 100 mm de curso. Apesar de ter rodado menos de 15 km com a bike, o trecho por onde rodei teve vários tipos de piso, de asfalto lisinho até trechos de paralelepípedos bem irregulares. O desempenho foi satisfatório em ambos os pisos, garantindo agilidade e boa dirigibilidade. A trava no guidão é de acionamento rápido chamado RSLO (Remote Speed Lock Out), o que garante a trava/destrava da suspensão com uma agilidade considerável.

As rodas usam aros exclusivos para a linha Spix, chamadas de Strike. Nesse caso, temos aros Strike 27,5” montados com cubos Shimano Deore M595 Center Lock e raios inox na cor preta. As rodas são calçadas com pneus Maxxis Crossmark 27,5 x 2.0, de cravos baixos e composto macio. Esse conjunto proporcionou um bom desempenho independente do piso. O único inconveniente é a retomada de velocidade quando se está quase parando: é um pouco mais lenta se comparada as aros 26”, mas isso é compensado quando se embala mais e mantém uma cadência mais alta. Depois que embala, a bike dispara!

VZAN Spix 27.5 (5)

O grupo de componentes é o já consagrado Shimano Deore M595 com 30 marchas e passadores Rapid Fire DynaSys, que garante trocas muito rápidas tanto para marchas ascendentes quanto descendentes. Um prato cheio para os bike-entusiastas e atletas amadores que procuram um bom desempenho. Infelizmente não pude testar a bike em subidas mais íngremes. O canote de selim, mesa e guidão são da TranzX em liga 6061 e 7075 respectivamente, e o selim é um Velo Plush VL-3256 em gel e vazado.

VZAN Spix 27.5 (7)

Pedalando:
Pego a bike e a levo para fora da loja. Sinto que é bem leve a um primeiro contato, mas não chega a ter a leveza de uma bike em fibra de carbono. Apesar da bike ser maior para o meu tamanho (era tamanho 19”), senti que a bike se encaixara perfeitamente ao meu biotipo. Como eu havia chegado a loja com a “Juliana” (minha Caloi Supra Aerolight para trilhas) e já estava de sapatilhas, não foi difícil usar a bike com os pedais Shimano DX que estavam nela. Ao montar nela, já senti que ela era mais alta mesmo tendo geometria slooping. Primeiras pedaladas: não senti muita diferença no inicio, mas notei que tinha marcha “sobrando”, isto é, pedalava e trocava de marchas mais vezes para conseguir mais velocidade (me senti o Brian O´Connor da saga Velozes e Furiosos nessa hora ^^! “entendedores entenderão”)

No primeiro semáforo, já pude sentir a precisão dos freios hidráulicos Shimano Deore com seus rotores de 175 mm: já freiam ao menor toque nos manetes, possibilitando uma boa modulação na frenagem. Sinal verde, hora de arrancar! Com a suspensão travada, a bike ficou bem firme e aliado a  precisão das trocas de marchas do Rapid Fire Deore com a tecnologia DynaSys, garantindo trocas mais rápidas se comparados com as versões mais antigas de Rapid Fires da mesma linha. Mais um semáforo e dessa vez uso os freios com mais intensidade, e mais uma vez eles funcionaram de maneira impecável e precisa.

Volta na quadra, hora de pegar o trecho de paralelepípedos: a suspensão Suntour XCM trabalhou muito e garantiu uma boa dirigibilidade. Os aros maiores passavam por trechos que seriam mais sofridos com tal facilidade que parecia que estava em um asfalto apenas ondulado. Passei novamente pelo trecho, desta vez com a suspensão travada: senti o trecho dessa vez, mas ainda assim com menos intensidade se comparado com minha bike aro 26”. Mais alguns giros testando acelerações e frenagens e uma última volta na quadra, passeando e apreciando a geometria slooping da bike. Volto pra loja com um gostinho de “quero mais”, encosto ela no balcão e converso com o Chico da Pro Bike Bike Shop sobre a bike. Agora entendi o porque da fila de espera ser tão grande!

VZAN Spix 27.5 (6)
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Em Resumo:
Para um giro de pouco mais de 15 km na região da loja de bikes (mais precisamente um “bate-volta” entra a loja e a ciclovia da beira mar de Itapema/SC), a bike me agradou muito tanto pela novidade de se pedalar uma mountain bike com aro maior quanto pelo desempenho que ela proporciona. Apesar de grande, eu “vesti” a bike e parti pro pedal como se a conhecesse de muito tempo, tamanha a facilidade de guiar a bike. Ficou aquela vontade de pedalar muito mais (pelo menos uns 100 km com ela), mas foi o suficiente pra satisfazer a curiosidade inicial.

Não sabemos o preço final dessa bike, mas se depender da fila de espera para fazer o test-drive e os elogios que a bike recebeu por quem já andou nela, pode ser que se torne uma boa preferência para quem não quer (ou não pode) ter uma aro 29”. Eu gostei 😀

Abs
Kiko Molinari Originals®

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Meu nome é Cristiano Correa Molinari, mas sou mais conhecido como “Kiko Molinari” (ou simplesmente “Cris” para os mais chegados). Desde pequeno apaixonado por carros, e por volta dos 8 anos já gostava de bikes, mas só aos 15 anos foi que me dei conta que a paixão seria ainda maior. Fiquei conhecido no Orkut em algumas comunidades como “Caloi Oficial”, “Cicloturismo”, “Mecânicos de Bicicleta” e “Bicicleta – o melhor transporte”, devido ao meu empenho em ajudar os mais novatos sobre os vários assuntos acerca das “magrelas”, além de prestar consultoria no meu perfil e no extinto MSN, e assim conquistando muitas amizades durando até hoje. Anos mais tarde, fui editor do blog Bizarrices Automotivas desde a sua criação, por 3 anos a fio, e assim pude aprender a como ser um blogueiro. Com isso, tenho o meu blog chamado Carros Raros BR, focando em modelos considerados raros nas ruas brasileiras. Hoje, faço parte do site Até Onde Deu Pra Ir de Bicicleta, aliando meus conhecimentos adquiridos nos blogs automotivos com os conhecimentos sobre bicicletas que conquistei até hoje. Abraços e bons giros o/

4 COMENTÁRIOS

  1. Boas dicas. A versao Acera 24v tambem eh muito boa, mantidas as devidas proporcoes.
    Excelente dirigibilidade e muito confortavel.
    Geometria slooping da muita seguranca no single e velocidade no downhill.

  2. Ontem eu comprei a vzan spix, com a relação alivio 27 marchas e freios hidráulicos, ainda não tive a oportunidade de testar ela na terra mas dei uma volta na cidade, os freios são muito eficientes e as marchas trocam numa velocidade surpreendente, andando nela tive a mesma postura de estar em cima de uma aro 29, bike muito boa mas depois eu conto como foi a experiencia na terra.

  3. Comprei uma bike dessas, Vzan Spix 27,5 30 marchas. É muito boa, em qualquer tipo de trecho. Apenas não me adaptei com o Selim e tive de trocar.
    Parabéns para a Vzan. Ela compete com qualquer importada. A questão do quadro ser em alumínio, me parece que talvez não faça tanta diferença, pois o de carbono Egale da Vzan, pesa apenas 350 gramas a menos.

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