De São Lourenço a Cachoeira do Caldeirão em Baependi-MG

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Cachoeira do Caldeirão.
A Cachoeira do Caldeirão. Foto: acervo pessoal Tomas Dotti.

Por Tomas Dotti

Minha viagem ruma a Cachoeira do Caldeirão em Baependi começou no carnaval de 2016. Eu havia saído na sexta, então no sábado fui dormir  cedo (sob forte protesto dos amigos que estavam comigo e não se conformaram com o fato de eu estar trocando uma noite de curtição no carnaval do Sul de Minas pelo perrengue de um pedal longo e solitário) pra poder começar o pedal no dia seguinte.

são lourenço
Foto: acervo pessoal Tomas Dotti

Rumo à Cachoeira do Caldeirão

Saí de casa às 6:20 rumo a Baependi/MG, que fica a 35kms de São Lourenço/MG, cidade onde eu estava hospedado. O dia já nascera quente e lindo, não encontrei qualquer dificuldade em iniciar o pedal.

Rapidamente já havia atravessado a cidade (atraindo olhares curiosos dos que relutavam em voltar para suas casas após uma noite de folia), seguindo pela estrada que separa as duas cidades. Importante ressaltar que todos os veículos que passaram por mim, sem exceção, respeitaram a distância de segurança de 1,5 metros (em alguns casos até mais que isso, provavelmente eram ciclistas também).

Cheguei em Baependi às 8:00 e não resisti a tentação de tirar uma foto do “Bar Fecha Nunca” fechado! Sempre tive esse sonho, mas o bar realmente não fecha – quase – nunca. Feito isso segui para a estrada que vai até a Cachoeira do Caldeirão, que era minha meta. Passei num pequeno mercado pra comprar Gatorade e abastecer minha mochila de hidratação e retomei a pedalada.

bar fecha nunca em baependi
O Bar Fecha Nunca… fechado. Foto: acervo pessoal Tomas Dotti

A estrada é de terra batida, com boa qualidade para pedalar. Rapidamente cheguei a um desvio que levava até a Cachoeira de Itaúna e como eu estava num bom ritmo decidi parar para conhecê-la. Fiquei maravilhado ao chegar pois é uma das cachoeiras mais bonitas que já vi. Aproveitei para comer umas barrinhas de cereais e receber uma massagem nas quedas d’água.

Cachoeira de Itauna em Baependi
Cachoeira de Itauna em Baependi. Foto: acervo pessoal Tomas Dotti

Ao voltar retomar o pedal, seguindo a partir do desvio que eu havia pegado, notei que a estrada até então muito boa foi ficando diferente. A terra batida agora tinha pontos de muita lama e começaram a aparecer morros longos. Numa descida em que me distraí quase caí dentro do rio, pois ela terminava em uma ponte bem numa curva, sobre a qual tinha muita lama, o que fez a roda da frente deslizar e quase sofri um acidente grave. Foi por pouco! Recuperado do susto prossegui.

Encontrei então um morro enorme, com aproximadamente 1km de subida. Quando cheguei no topo perguntei a um senhor que ali estava deitado (afirmou estar descansando para poder prosseguir) se era o caminho certo para a Cachoeira do Caldeirão e ele disse que não, que eu precisava voltar e pegar uma outra entrada. Relutei em acreditar mas voltei. Quando cheguei no pé do morro encontrei e parei um motociclista para pedir informação. Ele era ciclista e disse conhecer bem aquelas trilhas. Me garantiu que eu deveria subir o morro e seguir em frente.

O alto do morro: o melhor lugar pra descansar. Foto: acervo pessoal Tomas Dotti.
O alto do morro: o melhor lugar pra descansar. Foto: acervo pessoal Tomas Dotti.

Subi os mil metros novamente e ao chegar lá em cima encontrei o senhor ainda deitado na posição original e contei que ele estava errado, que pra Cachoeira do Caldeirão eu deveria seguir em frente e não ter voltado. No que ele me respondeu: “mai foi isso mêmo que eu falei, uai!”

Achei por bem não discutir, seria perda de tempo. Joguei uma barrinha de cereal pra ele e segui meu caminho. “@#%&*¥”

Foto: acervo pessoal Tomas Dotti.
Foto: acervo pessoal Tomas Dotti.

A estrada foi ficando ainda mais difícil. Passei por uma longa subida com tanto barro que algumas motos e carros não puderam prosseguir e retornaram. Dali pra frente somente motos e Fuscas conseguiam transitar. Vez outra passavam algumas picapes e moradores locais experientes com veículos de passeio, mas eram exceção.

Placa Cachoeira do Caldeirão
Cada vez mais perto. Foto: acervo pessoal Tomas Dotti.

Chegando na Cachoeira do Caldeirão

Minha meta era chegar na Cachoeira do Caldeirão até o meio-dia, nadar, curtir o local até às 14:00 e então voltar. Mas a essa altura já passava das 13:00 e ainda tinha muito chão pela frente. Até pensei em desistir pra não correr o risco de voltar no escuro, mas como sou teimoso decidi que pedalaria até as 14:00. Mas acabei chegando à Cachoeira do Caldeirão quando o relógio já marcava 14:20.

Perdi o fôlego com a visão daquele lugar. Uma queda d’água com 8 metros de altura e um poço com 30 metros de profundidade, cercada por paredões rochosos que ecoam aquela barulheira de água caindo e tornam ainda mais evidente a força da natureza contrastando com sua generosidade em criar algo tão belo.

Cachoeira do Caldeirão.
A Cachoeira do Caldeirão. Foto: acervo pessoal Tomas Dotti.

Tirei fotos e me obriguei a ir embora rapidamente, o que só consegui com muita dificuldade.

A volta pra casa

Voltei o mais rápido que pude, comendo e enchendo minha mochila de hidratação nos mercadinhos e bares que encontrava pelo caminho. Como minha bike não tinha lanterna e eu estava muito cansado já considerava a hipótese de pegar um ônibus de Baependi para São Lourenço, evitando assim pedalar os 35kms de estrada entre uma cidade e outra. No entanto meu orgulho me impediu de recorrer a essa alternativa e como ainda estava claro decidi continuar o pedal até meu local de inicio.

Nos últimos 10kms a escuridão se fez presente e eu nada podia enxergar à minha frente quando não havia um carro para iluminar a pista. Nas descidas eu rezava para aparecer algum veículo andando bem devagar, pois assim eu podia aproveitar melhor o embalo e poupar esforço.

No total foram +- 140km de pedal: 70 de ida e volta entre Baependi e São Lourenço, e mais 70 de ida e volta na estrada de terra para a Cachoeira do caldeirão.

Enfim cheguei a São Lourenço e para minha alegria me lembrei que era domingo, dia em que meu avós Tereza e Moacir Dotti tradicionalmente fazem uma macarronada italiana sem igual e fui direto pra casa deles. Eram 20:40 e eu pela primeira vez no dia, enfim, comia comida de verdade e de quebra a mais deliciosa que eu poderia escolher.

macarronada
Um banquete após um dia inteiro de pedal. Foto: acervo pessoal Tomas Dotti.

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Hospedagem em São Lourenço e Baependi

Se você vai pedalar pelas cidades desse roteiro, pode consultar campings, hostels, pousadas e hotéis nos links abaixo:

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