Uma vida em cima da bicicleta

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Foto: acervo pessoal Humberto Pellizzaro

Por Humberto Pellizzaro

Em 1960, ganhei minha primeira bicicleta. Brasília havia sido recém-inaugurada, mas continuava toda em obras. Nossa família morava no alto de um morro, próximo à represa do Paranoá, local da primeira obra que meu pai, que era engenheiro, participou.

Vimos o lago sendo enchido aos poucos. No ano seguinte, fomos para a Vila Planalto, levando o “camelo” (como chamávamos as magrelas). Foram anos e anos de uso diário de bicicleta. Para tudo. Para buscar alguma coisa para casa, um pão, uma compra da minha mãe, ou para dar um recado. Não haviam telefones. À noite saíamos também para pedalar, no escuro mesmo.

Nas férias, pescávamos e nadávamos na Lagoa do Jaburu, que tinha acesso público, perto do Palácio da Alvorada. Ou então íamos para o Brejinho, uma nascente maravilhosa com uma mata linda, que foram destruídos na construção da UnB. No atual Centro Olímpico da UnB, existiam as melhores frutas do cerrado. Nossa turma também gostava de ir à Água Mineral, que virou Parque Nacional de Brasília, em 1961. Tudo isso de bicicleta. Nessa época, as crianças em Brasília viviam soltas, junto à natureza, e nossos pais, que trabalhavam muito, não se preocupavam. Outra atividade era pegar passarinho. Íamos com uma tranqueira fantástica em cima de uma bicicleta. Conhecíamos todas as trilhas pelo cerrado. Todas as nossas atividades incluíam a bicicleta. Até jogar bola, pois íamos de magrela para o campo.

Foto: acervo pessoal Humberto Pellizzaro
Foto: acervo pessoal Humberto Pellizzaro

Hoje, caminhando para os 70 anos, ainda utilizo a bicicleta diariamente. Só tive duas em todo esse tempo. A atual tem quase 40 anos e continua inteira. Até onde deu pra Ir de bicicleta? Nunca fui muito longe, em termos de distância. Mas no tempo, é toda uma vida em cima da bicicleta, e quero continuar ativo até idade avançada. Na foto enviada, em 1961, em frente à minha casa, na Vila Planalto.

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