1º Caminhos de Nossa Senhora / 2º RAAN – Rolé até Aparecida

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Por Rodrigo Ganhadeiro

1º Caminhos de Nossa Senhora / 2º RAAN – Rolé até Aparecida

Há exatamente um ano tinha realizado o feito de ir de Vassouras/RJ a Aparecida/SP de bicicleta, foram 215km pela Via Dutra, uma viagem nada convencional para quem vai de bicicleta e não menos tensa, mesmo contando com carro de apoio. Então surgia a ideia de fazer um caminho alternativo, que não se utilizasse da Via Dutra e que pudesse ser feito sem o carro de apoio, uma viagem de bicicleta, totalmente livre. Após algumas pesquisas tomei como base o roteiro utilizado pelo Padre Cristovão Sopicki, realizado na Romaria Ciclística da Paz, ligando Niterói, no Rio de Janeiro, até o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo. Um trajeto de fé e devoção, sendo este também, o primeiro Caminho de peregrinação do Rio de Janeiro, até a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, os Caminhos de Nossa Senhora.

Havia lido em uma revista especializada que o principal item para uma viagem de cicloturismo é a CORAGEM, então não me faltava mais nada. Convidei alguns amigos e apenas um aceitou o desafio de encarar uma inédita viagem para Aparecida/SP, Vitaly Costa e Silva. Coincidência é que ambos tinham somente um final de semana disponível para realizarem o desafio, então com pouco tempo para se preparar para a viagem e não havendo outra data disponível, estava combinado e desmarcar o evento nunca foi opção, sairíamos no dia 17 de Julho, com previsão de chegada a Aparecida/SP, no dia 19. O Dia D.

1º dia – 17/07

Às 6h do dia 17/07 partimos de Vassouras/RJ com as bicicletas devidamente carregadas e equipadas. Os primeiros quilômetros foram de adaptação ao peso e a nova forma de condução da bike. Seguimos por Barão de Vassouras (Vassouras/RJ), Barão de Juparanã (Valença/RJ) e Conservatória (Valença/RJ) onde após 51km de asfalto tranquilo e 3h de viagem fizemos uma parada para um café da manhã. Dali em diante, tudo seria novidade, ao menos para mim.

Seguimos para São José do Turvo (Barra do Piraí/RJ) e Nossa Senhora do Amparo (Barra Mansa/RJ), por uma estrada de terra (RJ-143) sem muita dificuldade de navegação. Aproximava-se o horário do almoço e escolhemos Quatis/RJ para almoçar, já havíamos rodado 100km em 6h de viagem. Almoçar pra mim, nessa situação, soava estranho, não sabia como o corpo iria reagir após a refeição, então optei por comer pouco e não me aventurar com alguns alimentos. Então, durante a pausa do almoço, meu companheiro faz o seguinte comentário: “para fechar o dia, só faltam 60km”.

Não precisa de muitos quilômetros para perceber que seu amigo de pedal é diferente de você! Porém isso pouco importa para o sucesso da viagem! Mas pelos menos em uma coisa vocês precisam ser iguais, na VONTADE. Dizer que restavam 60km para fechar o dia significava que ele realmente colocaria em prática os planos de chegar a São José do Barreiro/SP ainda no primeiro dia e aproveitar o corpo inteiro. Nos meus planos chegar a Resende/RJ (120km) estaria ótimo. Então decidimos seguir e ver até onde daria para andar no primeiro dia. Saímos de Quatis/RJ, atravessamos o Rio Paraíba do Sul em direção a Porto Real/RJ e seguimos pela “Via Dutra”, num dos momentos mais tensos da viagem até Resende/RJ. Uma parada para se hidratar com água de coco, antes de adentrar Resende/RJ.

No perímetro urbano de Resende/RJ perdemos muito tempo com informações, que se eu consegui entender, indicavam três acessos diferentes a São José do Barreiro/SP, qual deles seria o melhor para fazer de bicicleta? Tivemos a sorte de ao pedir informações num posto de gasolina contar com valiosa informação de um ciclista da região, aquela altura, com três caminhos diferentes a informação de um ciclista era mesmo valiosa, porque não confiar? Retornamos até uma Faculdade, onde encontramos a única placa indicativa de São José do Barreiro/SP, após o Condomínio Alphaville pegamos uma estrada de terras que nos levaria até a Rodovia dos Tropeiros (SP-068). Uma estradinha de terra, bem sinuosa, acompanhando um riacho e com uma subida suave, aquele ciclista estava realmente correto.

O dia estava terminando e certamente o final do trajeto seria feito a noite, um dos poucos momentos em que fiquei realmente preocupado. Esperava chegar a Rodovia dos Tropeiros (SP-068) ainda com um pouco de luz, pedalar a noite, por estradas de terras sem qualquer sinalização, com pontes, poderia ser mesmo perigoso. E felizmente quando a noite caiu já estávamos no asfalto da Rodovia dos Tropeiros, mais sinalizada e com alguma referência para a noite. Só me restava uma preocupação, se a rodovia não nos levasse diretamente a São José do Barreiro, correríamos o risco de ficarmos perdidos a noite.

Passamos pelo simpático lugar chamado Formoso, onde recebemos a informação de que restavam “apenas” 9km. Foram os 9km mais longos da minha vida com subidas íngremes e a falta de orientação provocada pela noite, parecia nunca chegar. Chegamos a São José do Barreiro/SP, onde havia uma quermesse para animar a noite, depois de 168,5km e 10h de viagem, procuramos por hospedagem e fomos gentilmente atendidos pela proprietária da Pousada Guimarães, que também nos indicou o Restaurante Rancho para saciar a fome. Era hora de dormir e tentar descansar para o dia seguinte.

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2º dia – 18/07.

Como a distância no dia seguinte seria menor, esticamos um pouco mais na cama e tomamos um café da manhã com mais calma, observando melhor os arredores da praça da Matriz e os hábitos de seu povo. Ao chegar na pousada e arrumar as coisas para seguir viagem, uma surpresa, minha bike estava com o pneu traseiro furado, dos males o menor, melhor trocar ali na pousada que no meio do caminho.

Saímos em direção a Areias/SP e logo sentimos as consequências do abuso do dia anterior, sentar na bicicleta parecia impossível, mas logo o corpo aquece e pedalamos melhor, mesmo doloridos, passamos pela Represa do Funil e presenciamos as consequências da crise hídrica, daria para atravessar a pé aquele braço da represa, triste! Logo após fomos presenteados com uma serra, uma subida longa e íngreme, aproximadamente uns 6km de subida, mesmo com o peso dos alforjes e o cansaço do dia anterior, empurrar não era opção, fomos girando, exercitando a paciência, a arte de padecer no paraíso… Embora a quilometragem pretendida para este dia fosse menor a altimetria não ajudou em nada.

Após Areias/SP seguimos para Silveiras/SP, atravessando outra serra muito dura. Paramos para o almoço quando já somavam 49,3km em 3h de pedal do segundo dia. Uma pausa para a refeição e aguardar o horário crítico do calor. De Silveiras/SP seguimos para o que seria nosso último ponto do dia, Cachoeira Paulista/SP, a essa altura a altimetria tinha dado uma aliviada e a viagem começava a ganhar ritmo. Chegando em Cachoeira Paulista/SP com 68,6km e 5h23m de viagem, não havia vagas para hospedagem e decidimos aproveitar o dia e seguir até a próxima cidade em busca de um local pra dormir.

Após um pequeno trecho de Dutra, uma surpresa, de Cachoeira Paulista/SP, passando por Canas/SP até Lorena/SP existe uma ciclovia com aproximadamente 12km, devidamente sinalizada o que possibilitou desenvolver uma das maiores médias da viagem, com total segurança. Em Canas/SP, não havia opções de hospedagem e estrutura, uma cidade que me causou má impressão, como a primeira impressão é a que fica, decidimos então seguir um pouco mais até Lorena/SP e aproveitar a ciclovia e o pouco de dia. Chegamos a Lorena/SP com 87km e 6h34m, quase 20km a mais que o planejado para o dia, nos hospedamos no Dom Apart Hotel e no jantar resolvemos experimentar a hamburgueria do hotel, vale até dizer o nome “Big Deal”, o sanduiche era proporcional a fome e a nossa necessidade calórica, podem ter certeza, foi um jantar e tanto.

3º Dia – 19/07

Tomamos um café da manhã reforçado, até demais, uma preguiça bateu e resolvemos descansar um pouco mais antes de partir, era merecido, pois faltavam apenas 21km! Como a distância era pequena resolvemos seguir pela Dutra de Lorena/SP até Guaratinguetá/SP, onde pegamos a estrada velha para Aparecida/SP, esse caminho poderia ser feito todo pela “Estrada Velha”, sem muitos problemas. Enfim, chegamos a Aparecida/SP, são e salvos, concluímos nossa cicloviagem, um momento sem igual. Foram 03 dias, 14 municípios, 277km, 5.532m de elevação, sem apoio, somente com o que cabia em nossos alforjes. Até agora a maior viagem feita por mim e meu companheiro e já estamos nos perguntando, quando será a próxima.

Video da viagem


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5 COMENTÁRIOS

  1. Que massa!!! Parabéns aos dois. Quero fazer mais umas assim. Fui somente de Brasília a Pirinólpolis(100 km.). Mas minha meta é a E.Real,meu sonho!

  2. Parabéns aos dois! Não pude participar dessa cicloviagem mas na próxima estarei na resenha do pedal!

  3. Parabéns aos dois.Gostaria de fazer algo semelhante muito em breve. Fica a dica do roteiro chamado Caminho da Fé que vai de Águas da Prata/SP até Aparecida do Norte/SP. São 333km pela serra da Mantiqueira. Boas Pedaladas!

  4. Estou planejando uma pedalada do Rio de Janeiro até Aparecida só pela Pela via Dutra solicito informar na bagagem que vocês levaram
    zarco

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