3 dias de bicicleta em Brasília (DF)

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3 dias de bicicleta em Brasília
Foto: acervo pessoal Thiago Silva Soares

Por Thiago da Silva Soares

Nas férias de 2016 resolvi passar uns dias em Brasília, na casa do amigo Bruno Coutinho. Não é a primeira vez que vou à Brasília, e já andei e fotografei bastante a capital federal de carro, de ônibus, de metrô e até mesmo a pé, mas nunca de bicicleta! Por isso, quis dedicar 3 dias de bicicleta pela Capital Federal.
Esses dias ocorreram bem, graças a ajuda do Bruno e do empréstimo de uma bicicleta do ciclista Hiltoney, que pedala no Cerrado: a Sibilante.

A Sibilante é uma bike customizada pelo Hiltoney. Trata-se de uma Diamondback Sorrento, sendo construída com um quadro de aço com liga de cromo-molibdênio, sem suspensão, kit de marchas Shimano alívio, freios v-brake e selim Endzone. Os pneus slick garantem o ganho de velocidade numa pista de asfalto ou ciclovia, fazendo de Sibilante ideal para um passeio urbano.

DIA 1

No primeiro dia, iniciei o pedal saindo às 9h do Setor Terminal Norte, em direção ao Setor Hospitalar Local Norte (SHLN), bordeando pelos setores de quadras residenciais, em direção ao Parque Olhos D´água. Do momento em que sai do SHLN, todo o percurso, até o Parque, foi por ciclovias.

As ciclovias na cidade Brasília não são retilíneas e contínuas como as pistas criadas para os carros. As ciclovias também são interrompidas em alguns trechos, porque atravessam as quadras comerciais e residenciais. Em algumas quadras residenciais, estão paralelas às calçadas e as pistas de corrida, que também são bastante usadas pelos brasilienses.

A vontade em conhecer Brasília de bicicleta fora aumentando cada vez mais e percebia que a chegada ao Parque Olhos D´água pelo Eixo W Norte e Ciclovia da L1 Norte era apenas o início.

Não é permitido andar de bicicleta dentro do Parque Olhos D´água, por isso fiz uma caminhada carregando a Sibilante comigo, justamente pra ela conhecer o parque (risos!)

Durante as pedaladas pelas ciclovias nas superquadras, não tive problemas em relação ao trânsito com os carros, porque quando precisava atravessar de uma parte da ciclovia à outra, a maior parte dos motoristas davam preferência. Mesmo assim, com todo esse costume novo nas superquadras de Brasília, minha atenção ao pedalar era máxima, em todos os trechos, afinal de contas, não conhecia a cidade de bicicleta!

E, no meio de uma pedalada e outra, sempre uma parada para fotografar. Afinal de contas as belas árvores do cerrado encontram-se entre as superquadras!

Logo após visitar o Parque Olhos D´água, continuei pedalando pelas quadras até a Universidade de Brasília (UnB).

Tive a sorte de encontrar um ciclista indo estudar na UnB. Seguindo-o até uma das entradas da universidade tive mais facilidade em encontrar as ciclovias que se encontram na Universidade.

Assim, foi possível visitar novamente o Memorial Darcy Ribeiro, mais conhecido como Beijódromo, um espaço idealizado pelo próprio Darcy, projetado por seu amigo, o arquiteto Lelé Filgueiras Lima e inaugurado em dezembro de 2010. Também fiz uma parada para beber água na Biblioteca Central e observar o mapa da universidade.

No momento em que cheguei ao Instituto de Ciências Biológicas da UnB, o meu celular pifou e a bateria morrera completamente, não finalizando a marcação de meu percurso no Strava. Continuei tirando algumas fotos com a minha câmera esportiva e decidi realizar o retorno para a casa do Bruno pela ciclovia da L2 que continuaria pela L4, até chegar novamente ao Setor Terminal Norte, no final da Asa Norte.

DIA 2

No segundo dia pedalando pela capital federal decidi percorrer o Eixo Monumental, da Praça do Cruzeiro até a Praça dos Três Poderes.

3 dias de bicicleta em Brasília
Museu Nacional Honestino Guimarães. Foto: acervo pessoal Thiago da Silva Soares

Assim, saindo da ciclovia na W4 Norte e pedalando até a próxima ciclovia na Torre de TV de Brasília pela pista dos carros, ouço um grito de um motorista: “Vai pra calçada, p#**@!”. Um comentário violento, já que o pequeno percurso de menos de 200 (duzentos) metros, próximo à Escola Militar não conecta com a ciclovia do Eixo Monumental.

Após ouvir a ignorância desse motorista, saio próximo à Praça dos Buritis. Todo o trecho já conhecia de carro, mas andar de bicicleta foi realmente diferente porque o pedal não ocorrera completamente nas pistas, mas sobre o canteiro central que existe em todo o eixo monumental.

O ponto mais interessante que achei nesse segundo dia, pedalando por todo o trecho no Eixo Monumental, foi a ciclovia próxima ao Memorial dos Povos Indígenas. Além de fortemente arborizada, as árvores próximas à ciclovia, possuem na base de seus troncos, anéis coloridos com dialetos indígenas. Um belo resgate histórico, feito com uma idéia simples, para que você pare e observe a memória indígena que está ao seu redor.

A ciclovia do Eixo Monumental termina no final do canteiro, próximo ao final da Esplanada dos Ministérios. Por isso prolonguei o percurso entrando na via com os carros, indo até a Praça dos Três Poderes, atrás do Congresso Nacional.

DIA 3

E, no terceiro dia, fiz uma exploração intensa no Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, localizado na Asa Sul.

O trajeto até o Parque da Cidade fora o mesmo que fiz dia 06 de abril até o Eixo Monumental, só que inverti o percurso, ou seja, fui para o parque pela ciclovia da w4 norte e voltei para a casa de Bruno pela w1 norte. Bom que assim descobri realmente onde termina a ciclovia da w1 no SHLN.

Quando cheguei ao Parque da Cidade fiz uma volta pela pista, bordeando-o por completo. Essa pista é a mesma avenida movimentada com os carros que desejavam atingir mais rapidamente diversos locais de Brasília. A pista da direita é sinalizada para ciclistas e as inúmeras placas indicam cuidados aos ciclistas e motoristas que utilizam essa faixa compartilhada. Essa volta ao parque tem cerca de 10 (dez) quilômetros e, após isso, resolvi pedalar pela pista para bicicletas no interior do parque.

A pista para bicicletas, na área verde do Parque da Cidade, possui uma extensão de quase 10 quilômetros também e passa por inúmeros de seus ambientes, desde a proximidade com a pista de cooper até a área de pinheiros e suas churrasqueiras.

Finalizando assim, os três dias em Brasília, concluo que fiquei surpreso em conhecer essa cidade de bicicleta, tão carimbada pela cultura do uso do carro, mas aderindo o uso das magrelas. Faltam melhorias na malha cicloviária, principalmente nas conexões das ciclovias.

Apesar de ter lido inúmeras críticas negativas e positivas de diversos ciclistas em relação a implantação dessas ciclovias no Distrito Federal, vejo que a cidade mudou bastante em relação ao uso da bicicleta. Não mudou ao nível de perfeição em mobilidade urbana, mas mudou! Agora, é necessário que os cidadãos busquem trabalhar os pontos negativos e fiscalizar novos pontos positivos para que a Brasília vire uma referência para o Brasil.

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