3 problemas que podem fazer a sua cicloviagem terminar no meio do caminho (e como resolvê-los)

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problemas em cicloviagem
Direitos autorais: alekseyrezin / 123RF Imagens

O cicloturismo é uma atividade extremamente prazerosa, mas que, como qualquer outra, está sujeita a alguns problemas que podem interferir na sua prática. Tanto que os assuntos mais procurados pelos leitores aqui do blog são conhecimentos que evitam problemas quando os dominamos: planejamento de cicloviagens, conhecimentos sobre mecânica básica, treinamento físico, entre outros.

Nesses 7 anos de cicloviagens, e trocando idéias com muitos cicloturistas leitores que publicam as suas viagens aqui no Até Onde Deu pra Ir de Bicicleta, percebi que esse é um assunto importante.

Já recebi relatos de alguns cicloturistas – poucos, felizmente – que tiveram que encerrar suas viagens de bicicleta antes do planejado, por conta de algum problema. Eu mesmo precisei encurtar a minha primeira cicloviagem pelo problema número 2 que apresento aqui nesse post.

Pensando nisso, eu resolvi listar aqui 3 problemas que podem te obrigar a encerrar a sua cicloviagem antes do planejado. Apesar do texto falar sobre problemas, tenho duas ótimas notícias:

  • A lista de problemas em cicloviagem é pequena.
  • A grande maioria desses problemas podem ser resolvidos, minimizados ou até mesmo evitados. E alguns deles com atitudes tomadas antes mesmo da viagem.

Por isso mesmo, a abordagem desse post é bem positiva. Vamos apresentar os problemas e também dar dicas de como resolvê-los. Acredito que saber dos possíveis problemas e como resolvê-los seja uma forma de conquistarmos confiança e segurança para nossas cicloviagens. E meu objetivo aqui é sempre incentivar o cicloturismo de forma segura 🙂

Vamos nessa!

3 problemas em cicloviagem que podem fazer você voltar pra casa antes do planejado (e como resolvê-los)

problemas em cicloviagem
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1 – problemas mecânicos

Essa é uma das maiores preocupações de muitos cicloturistas. Sempre que andamos de bicicleta (não precisa nem ser em cicloviagem), estamos sujeitos a uma série de problemas mecânicos. Eu dividi os problemas abaixo de acordo com o seu grau de complexidade. É claro que, dependendo do seu conhecimento sobre mecânica, alguns problemas podem ser mais fáceis ou mais difíceis de resolver. Vamos a eles.

Problemas mecânicos simples

Direitos autorais: 123bogdan / 123RF Imagens
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São problemas que podem ser resolvidos por você mesmo na hora em que acontecem, desde que você domine algumas técnicas básicas de mecânica e esteja com as ferramentas apropriadas. São eles:

  • Pneu furado
  • Corrente arrebentada
  • Cabos de freio ou marcha arrebentados
  • Quebra de gancheira do quadro (simples caso você leve uma gancheira reserva)

Problemas mecânicos intermediários

problemas em cicloviagem
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São problemas um pouco mais complexos, que podem ser resolvidos em bicicletarias ou mecânicos (caso esteja em pequenas cidades, locais com pouca estrutura). Ou mesmo por você, se tiver um pouco mais de perícia e mais ferramentas. Exigem um pouco mais de tempo para resolver, e podem exigir trocas de peças mais simples.

  • Raios quebrados / roda empenada (causado por pancadas fortes)
  • folgas ou desregulagem de freios ou marchas
  • quebra de bagageiro

Problemas mecânicos graves

Eu sei, a foto está exagerada. Mas é só pra mostrar que alguns problemas realmente acabam com uma viagem. Direitos autorais: dotsent / 123RF Imagens
Eu sei, a foto está exagerada. Mas é só pra mostrar que alguns problemas realmente acabam com uma viagem. Direitos autorais: dotsent / 123RF Imagens

Geralmente te obrigam a encerrar a sua viagem, ou exigem alguma medida mais drástica, como por exemplo trocar peças mais complexas ou a bicicleta.

  • quebra de quadro, garfo ou suspensão
  • problemas no movimento central (quebra / travamento)

Como resolver os problemas mecânicos em uma cicloviagem

Primeiro passo: analise o local onde você está. O local é seguro? Você está próximo a algum local com estrutura? Avalie se é melhor empurrar alguns kms, ou se tem transporte fácil para chegar a um lugar com mais estrutura.

Segundo passo: avalie o tipo de problema mecânico que você teve.

  • Problema mecânico grave (eu não consigo resolver): você deverá conseguir ajuda para ir com sua bike até a cidade mais próxima. Avalie todas as condições: é possível ir empurrando? Qual o local mais próximo onde posso pedir ajuda? Mantenha a calma
  • Problema mecânico intermediário (eu não consigo resolver naquele local ou momento): avalie se a bike consegue chegar – mesmo com alguma adaptação ou gambiarra – ao local mais próximo onde possa ser reparada. Caso seja algo que você precise colocar a mão na massa pra alguma gambiarra ou adaptação, siga as orientações do próximo item.
  • Problema mecânico simples (eu consigo resolver): procure um local seguro e confortável na medida do possível. Se estiver no meio da estrada, procure uma sombra onde possa trabalhar mais tranquilo. Faça o reparo necessário e siga viagem  🙂

2 dicas sobre mecânica que te deixarão mais seguro em uma cicloviagem

Direitos autorais: nmcandre / 123RF Imagens
Direitos autorais: nmcandre / 123RF Imagens

Dica 1: Antes da viagem, faça uma revisão geral na sua bicicleta. Acho um investimento necessário e pode evitar muitos dos problemas descritos. Infelizmente algumas pessoas não dão a devida atenção a esse ponto e começam uma viagem com a bike já precisando de alguma regulagem, troca ou manutenção de peças.

Dica 2: aprenda o básico sobre mecânica, para resolver os problemas simples. Isso vai te dar mais segurança e confiança. Saber remendar furos em uma câmara de ar (ou substituí-la), emendar uma corrente ou trocar cabos de freio e marcha. Existem muitos vídeos na internet que ensinam esse tipo de manutenção básica.

2 – exaustão física ou lesão por esforço excessivo

Direitos autorais: magryt / 123RF Imagens
Direitos autorais: magryt / 123RF Imagens

Um problema muitas vezes ignorado, mas que está diretamente ligado à segurança e ao bem estar do cicloturista em uma viagem. Está relacionado a um esforço físico muito grande comparado ao seu condicionamento físico, podendo acarretar inclusive em lesões. Tenho uma experiência que aconteceu comigo em minha primeira cicloviagem que explica bem o problema.

Eu tinha planejado uma viagem de bike de 4 dias entre Parnaíba (PI) e Jericoacoara (CE). Porém, depois de dois dias de pedal muito intenso, na areia da praia, acabei lesionando a musculatura da perna e não tive condições de seguir pedalando.

Essas lesões por esforço excessivo podem acontecer quando nos submetemos a um esforço muito maior do que nosso condicionamento atual pode suportar, ou ainda, se não descansamos a musculatura o suficiente antes de seguir pedalando.

Como evitar problemas de exaustão física

Direitos autorais: gilitukha / 123RF Imagens
Direitos autorais: gilitukha / 123RF Imagens

Esse problema pode ser evitado de algumas formas. A melhor solução para esse caso é conhecer o seu corpo e saber dimensionar o esforço durante a sua cicloviagem de acordo com as suas capacidades.

Eu digo sempre que um cicloturista não é um atleta de ciclismo, mas um cicloturista bem condicionado consegue aproveitar melhor a viagem. Isso porque um cicloturista que chega “inteiro” ao seu destino final (do dia ou da viagem toda) consegue aproveitar melhor do que aquele que chega no seu último esforço querendo apenas uma cama para descansar.

Veja algumas atitudes que você pode tomar antes e durante a viagem para evitar o problema de exaustão física

Antes da viagem

  • Procure estar com as pedaladas em dia.
  • No momento do planejamento, escolha distâncias diárias de acordo com o seu condicionamento e capacidade.

Durante a viagem

  • Se perceber que está ficando muito cansado ao final do dia, considere diminuir a quilometragem diária pedalada
  • Se estiver muito cansado depois de alguns dias de viagem, considere a possibilidade de intercalar dias de descanso (aproveitando em algum lugar bem legal) com dias de pedal.

Dicas para o condicionamento físico para cicloturistas

Aqui no blog temos alguns posts que podem te ajudar com relação ao condicionamento físico para cicloviagens. Confira abaixo:

3 – não levar tudo o que precisa

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Bike carregada durante cicloviagem pela Estrada Real. Foto: André Schetino

Outro problema ligado ao planejamento que vai ter consequências durante a viagem (muitas vezes te obrigando a encerrá-la). Esquecer ou deixar de levar propositalmente coisas.

No primeiro volume do meu Guia para Viajar de Bicicleta (clique para baixar gratuitamente) eu escrevi um capítulo sobre o que levar em uma viagem de cicloturismo. Nele eu fiz uma lista que chamei de “coisas que você deve levar em uma cicloviagem, mas espera não usar (ou o peso da segurança)”.

Imagine deixar de levar um desses itens? Por exemplo, você está em viagem, em algum ponto mais distante, e acontece algum problema mecânico simples descrito no item 1 desse post. Um simples pneu furado, e você não levou kit remendo ou câmara de ar reserva. Sua corrente arrebenta, e você não possui uma ferramenta simples para fazer a emenda.

Nesses casos, um problema simples pode atrasar muito a sua viagem, ou mesmo te obrigar a encerrá-la.

Como evitar a falta ou esquecimento de itens importantes em uma cicloviagem

Antes da viagem

Checklist de Cicloturismo do Até Onde Deu pra Ir de Bicicleta
Checklist de Cicloturismo do Até Onde Deu pra Ir de Bicicleta

Faça um planejamento cuidadoso de tudo o que precisa levar. São itens que vão influenciar na sua segurança e conforto na viagem. Uma ótima dica é baixar gratuitamente o nosso Checklist de Cicloturismo. Nele você possui uma lista completa de todos os materiais que vai precisar para sua cicloviagem, de acordo com a duração e com o seu estilo de cicloturista.

Durante a viagem

Aqui infelizmente não há muito o que fazer. Se você não tiver acesso a algum lugar onde possa comprar ou emprestar o item do qual precisa, é possível que a sua viagem tenha de atrasada, adaptada ou mesmo encerrada.

Dicas finais – quando precisamos terminar uma viagem antes da hora

Eu relatei aqui no problema número 2 sobre uma vez na qual precisei encerrar uma viagem antes do planejado. Isso sem contar inúmeras vezes onde a viagem precisou ser adaptada.

O cicloturismo é uma atividade aberta, com um bom grau de imprevisibilidade. Por mais que planejemos, na hora de botar a bike na estrada podem acontecer problemas ou situações que nos obriguem a adaptar nosso planejamento. Em casos mais extremos, talvez desistir daquela viagem e prepará-la novamente para um outro momento.

Caso isso aconteça, é o momento de assimilar o aprendizado e se preparar para as outras.

Na verdade, o grande aprendizado para a resolução de problemas está na forma como lidamos com eles. Confesso que tenho o perfil mais otimista, mas acho que uma atitude positiva é fundamental na hora de lidar com problemas e dificuldades. Isso é uma lição que tento levar para a minha vida, e não seria diferente em uma cicloviagem.

Se você tem alguma experiência sobre problemas enfrentados em uma cicloviagem e como você lidou com eles, conte a sua história aqui nos comentários desse post. Ela será importante  para complementar a informação do post, e é onde mais uma vez a sua experiência pode contribuir para a prática de outros cicloturistas.

Um abraço e boas pedaladas sempre

15 COMENTÁRIOS

  1. Gostaria de compartilhar um problema que tivemos em ciclo viagem na estrada real entre outro preto a congonhas:
    Fizemos todo o panejamento para um dia de viagem de +/- 80 km, mas, aproximadamente após 18 km percorridos, quando atravessávamos uma trilha fechada, fomos atacados por um enxame de marimbondos chumbinho , onde tivemos varias picadas pelo corpo, o que acabou interrompendo a viagem.
    Não estávamos preparados para esse imprevisto, demoramos a chegar no vilarejo mais próximo para tomarmos as providencias necessárias.
    Sofri com problemas alérgicos (não só eu, mas, vários outros companheiros), ao consultar um médico alergista, fui orientado a fazer alguns testes alérgicos, inclusive, para marimbondo, descobri que tenho uma alergia média a essas picadas, então, fui orientado em ter nos primeiros socorros (anti-alérgicos, pomadas e comprimidos) e também uma ampola de adrenalina para casos extremos (em caso de abelhas/marimbondos maiores , que o veneno é mais perigoso).
    Concluindo, é uma experiência desagradável que pode terminar com problemas muito sérios, então, acho importante que todo ciclo turista saiba se é alérgico a algum tipo de inseto e que tenha os primeiros socorros adequados.
    Um abraço,
    Saulo Menezes

  2. Olá Saulo, muito obrigado por seu comentário e por partilhar conosco uma questão tão importante!
    E melhor ainda, que bom que você e seus companheiros cicloturistas estão bem.
    Que venham muitas outras cicloviagens, sempre com o kit de primeiros socorros.
    Um abraço e boas pedaladas

  3. Ótimo artigo…

    Duas historinhas de “fim da linha antes da hora” ocorridas comigo:

    1) Saí de Ribeirão Preto com destino a Ilha Comprida. Mês de agosto de 2016. O tempo estava quente e seco, as previsões me garantiam uma boa viagem. Após passar Piracicaba, metade do caminho, o tempo virou completamente, com chuva e muito frio. Eu não tinha levado roupa apropriada, daí cheguei na cidade de Tietê e peguei um ônibus para Avaré onde tenho parentes e deixei a bike lá mesmo e voltei de ônibus (moro em Brasília-DF). Quando cheguei em Avaré, à noite, o termômetro marcava 9º C…

    2) Dois meses depois, em outubro, fui para Avaré resgatar a bike. Para me “vingar” da frustração, resolvi que iria até Uberaba pedalando, onde pegaria ônibus para casa. Quá, faltando uns 15 km para chegar em Araraquara, o cubo traseiro resolve estourar o rolamento… E ainda havia outro fato negativo nessa viagem: como fiquei 2 meses sem pedalar, parado completamente, o corpo sentiu bastante, eu me cansava muito rapidamente. Não me animei de reparar a bike ali e continuar. Embarquei na mesma noite em Araraquara mesmo….

    Quanto ao comentário do Saulo, esse é um problema que ninguém prever mesmo. Entretanto, desde minha primeira viagem carrego anti-histamínicos para essa emergência, orientado por um farmacêutico.

    Abraço e continue com sucesso…

  4. Fala Andŕé, tudo bem? Eu já citei no meu relato do caminho da fé, mas vale relembrar! Meu colega de viagem resolveu ir sem trocar/verificar as pastilhas de freio. Na viagem, por ter muito morro e vc estar com a bike carregada, o que restou das pastilhas acabou no meio da viagem! Como era freio hidráulico e de um modelo difícil de encontrar, as bicicletarias das cidades ao redor não tinham essa peça para reposição. Ele chegou a comprar um par de freios mecanicos e colocar no lugar, mas pensando na economia, ele comprou o mais barato que tinha, e no mesmo dia, ele espanou internamente. Tivemos que pegar um dos hidráulicos que ainda freiava alguma coisa e mesclar, ficou um mecanico e um hidraulico. Somente em Campos do Jordão conseguimos achar a peça. Mas ele pensou sériamente em abortar a viagem por conta dos problemas. Eu fui com minha bike mais simples, com freio v-brake, sapatas de freio novas, e ainda levei um par extra (e o utilizei!). As vezes a gente sofre mais com uma bike mais simples, mas se vira muito mais fácil. Então vale conhecer bem o equipamento que você está utilizando e a infraestrutura das cidades ao redor, caso você precise de alguma peça que não tenha levado de reserva. Abraços!!

  5. Saudações!

    Em uma cicloviagem de cinco dias tive problemas de assaduras na virilha, percebido só no final do primeiro dia. A assadura ocorreu pelo uso de cueca de algodão, que segurou umidade e fez um bom estrago, por muito pouco não tive que desistir da viagem, o que resolveu o problema foi o uso da pomada VODOL, que eu havia levado nos primeiros-socorros.

    Nos dias seguintes pedalei sem cueca, como deve ser, e não tive mais problemas.

    Roberto Lima

  6. Paulo, esse é um exemplo muito legal pra aparecer aqui. As vezes saímos pra uma cicloviagem e esquecemos de algo que parece bobo (como trocar a sapata de freio), mas as condições da viagem nos apresentam surpresas e novidades que não imaginávamos. E não precisa ser algo ruim, ou imprevisto. Apenas a condição normal da viagem mesmo (como por exemplo, muitas descidas).
    Um grande abraço e boas pedaladas.

  7. Olá Roberto, muito obrigado por seu comentário. Essa situação das assaduras é algo que muita gente aprende na prática. Eu mesmo, nos meus primeiros pedais longos, lá por volta dos anos 2000, tive a mesma experiência. Hoje em dia só pedalo longas distâncias sem cueca. Um grande abraço e boas pedaladas

  8. Excelente artigos,destaco exaustão física é coisa muito séria pois já aconteceu comigo em pequeno pedal of road.

    Grande Abraço

  9. Bom dia, André e colegas. Artigo bem útil para quem pensa viajar de bicicleta. Parar uma cicloviagem no meio é tudo que nunca esperamos…. mas acontece.

    Vou contar duas experiências que, de certa forma, não estão reunidas nas suas dicas, talvez por não serem tão frequentes, mas podem ocorrer.

    1a.) Ser furtado! Muita atenção com seus equipamentos de segurança e inclusive com o local onde for parar a bike por mais tempo. Onde você menos pode esperar é que o imprevisto desagradável aparece. Vai procurar sua ‘magrela’ e cadê a dita? Aconteceu comigo sabe onde? Dentro de um albergue no Caminho de Santiago e que ficava ao lado de um quartel general de polícia. Mas arrombaram meu cadeado e levaram uma Kona Cinder toda arrumada com alforjes e tudo, enquanto fazia o check-in no albergue. Pra quem quiser ler os detalhes da estória, está neste posto no meu blog. Foi em setembro de 2011. Chorei muito mas não teve jeito. Não completei o Caminho de Bike e a viagem à Europa teve de mudar de planos (mas que ainda assim não deixei de curtir – superei).

    https://svicente99.wordpress.com/2011/10/10/se-queres-mel-suporta-as-abelhas-ou-o-sumico-da-bike-kona/

    E ao par de todo infortúnio, sempre haverá um erro. Onde eu negligenciei? No equipo de segurança. Subestimei a segurança do local (que tinha câmeras e não era exposto na rua). Mas eu havia perdido o meu BOM cadeado no caminho (outra bobeira) e ao repor não escolhi o melhor ou o que estivesse à altura do preço da bike. Um “chinês da vida”, digamos assim. Invista em pelo menos 10% do preço da sua bicicleta quando se tratar de segurança.

    A 2a. experiência eu vou deixar pra contar num segundo comentário para não tornar este muito longo (relaciona-se à parte física/saúde).

  10. Uma segunda vez marcante que eu tinha optar por parar a cicloviagem antes do programado, aconteceu no MS, divisa próxima com SP, um roteiro/treino que previa 552km (4 dias), mas que acabei completando somente 333km. O traçado está todo no Bikely pra quem se interessar por conhecer:

    http://www.bikely.com/maps/bike-path/copy-of-sp-pr-ms

    Tudo começou no final do 1o. dia da viagem (que aliás eu vinha fazendo muito bem, em ótima forma física). Mas no jantar de reposição das energias perdidas, na cidade de Teodoro Sampaio escolhi um restaurante mais “baratinho” e comi algo ali que me fez mal logo de cara (suponho que tenham sido os ovos não muito bem passados). Já cheguei no quarto da hospedagem todo “embrulhado”. Fiz o “número 2” tomei algum remédio que levava e dormi. Parti pro dia seguinte e comecei até bem, fui até meio-dia sem sentir nada, mas dali em diante, pedalar foi um suplício. Vomitei uma primeira vez lá pelas 3, o sol era fortíssimo (para ajudar)…. e lembro que na estrada parei várias vezes para me refazer e tentar chegar na próxima parada programada. Mas optei por encurtar e parar em Anaurilândia (MS). Cheguei (a duras penas, mas cheguei). Fui direto a uma farmácia. Tomei algo mais forte, pedi uma injeção. Que deu um alívio imediato.

    Mas pra comer foi mais uma vez difícil. Não sabem ainda, mas sou vegetariano, as opções eram escassas ou nenhuma naquele “fim de mundo” (com todo o respeito aos habitantes de lá). Resultado: passei à noite mas já pensando seriamente em desistir dali. Mas GUERREIRO que sou resolvi encarar o 3o. dia. Afinal era mais treino do que passeio. Fui pra estrada, tranquila por sinal em direção à divisa SP. Mas não deu 2 horas de pedal no sol forte e APAGUEI. Sabe quando vc vê tudo escurecer? Se não sabe, melhor, porque é melhor nunca sentir isso. É perigoso. Fui andando até o sítio mais próximo e dali a um posto de saúdel. Bem, os detalhes dessa estória podem ver neste outro post do blog:

    https://svicente99.wordpress.com/?s=sp-pr-ms

    Olha, sofri. Mas no final tudo bem, voltei pra Sampa, me tratei e fiquei 100% em 3 dias. O que eu aprendi – SEMPRE APRENDEMOS com nossos erros. A alimentação que você faz durante as cicloviagens é fundamental. Escolha bem o local, rejeite se não “achar firmeza” o prato. Sem vergonha. Lembre-se que na bike, “o motor é você mesmo”. É como por gasolina ruim no seu automóvel. Ele engasga na certa. Nunca mais. E chegar em locais com pouco recurso, dependendo do que você come…. eu, hoje em dia, preciso carregar o meu “peso da segurança”. Meu próprio alimento. Há coisas prontas que são excelentes. Alpinistas, excursionistas levam, por que você ciclista não pode levar?

    Espero ter contribuído mas que nunca caiam em “roubadas” feito essas 2. Contudo, faz parte do cicloturismo, principalmente se aumenta a sua frequência. A Estatística explica isso. O que posso dizer é que após dezenas de viagens feitas (grandes e pequenas) o índice de sucesso ainda é muito alto.

    Ciclo[ ]s

  11. Ei Sérgio! Obrigado por compartilhar essa experiência! Eu confesso que prefiro comer durante a viagem (ao invés de levar o alimento). Levo o mínimo possível, pra pedalar com menos peso. Agora, as opções para vegetarianos ainda são muito escassas, especialmente no interior. Nas cidades maiores já é possível encontrar mais coisas.
    Um abraço e boas pedaladas

  12. Olá Sérgio, muito obrigado por seu comentário. Esse é realmente um imprevisto (e uma chateação) que acaba com uma cicloviagem. É complicado e realmente ficamos pensando onde nos negligenciamos, mas uma situação de roubo é sempre algo que não devemos esperar. É como você disse em outro comentário: apesar de algumas más experiencias, a grande maioria são casos de sucesso.
    Um abraço e boas pedaladas,

  13. Na minha maior experiencia em cicloviagens; Estrada Real de Ouro Preto a São Lourenço-Mg; levei um arsenal: pastilhas de freio, remendos, raios, ferramentas, até um pneu dobrável!! Embora o peso, foi muito útil, pois gastei um par de pastilhas (chuva+terra) e troquei um raio após um buraco enorme saindo de SJDR.
    Na próxima viagem não vou levar o pneu, pesa e ocupa muito espaço.

    Obrigado André Schetino por difundir tanta informação do mundo do cicloturismo.
    Suas orientações já me ajudaram muito!!
    Abraços!

  14. Eu viajei cerca de 65 km da capital ao interior, foi muito bom.mas não aguentei voltar😂😂😂😂😂😂😂

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