Cicloviagem Navegantes (SC) a Gramado (RS)

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cicloviagem navegantes
Foto: Acervo Pessoal Jessie Chimachi

Por Jessie Heleno Chimachi
Grupo: Loucos por Terra | Rio Claro-SP | Leme-SP | Santos-SP

CICLOVIAGEM NAVEGANTES-SC A GRAMADO-RS

O interesse por esta cicloviagem teve início em 2013, quando adquiri o guia “BluGrama” da editora Kalapalo – autor Guilherme Cavallari.
A leitura completa deste guia, aliada a meu conhecimento da região Sul, me ajudou a dar início ao planejamento: cidades pelas quais passaria, distâncias e altimetria de cada percurso, até mesmo porque tinha o objetivo de aproveitar a oportunidade para descer a Serra do Corvo Branco e subir a Serra do Rio do Rastro, ambas em Santa Catarina, colocando um pouco mais de aventura no roteiro. Toda a informação foi para a planilha.

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Apesar de ter cada dia muito bem definido, na prática foi outra situação, houve alteração de planejamento e eu acabei concentrando os trajetos do 4º e 5º dias em um só, antecipando assim minha viagem e cheguei a Gramado no sábado, dia 15.

Agosto foi o mês escolhido, por ser final de inverno, apresentar temperatura amena e menor incidência de chuva em comparação a outras épocas do ano, favorecendo assim a condição das estradas e reduzindo o desgaste físico (pelo menos na teoria!). Porém, na realidade me deparei com temperatura média oscilando entre 25°C e 30°C.

Com todas as informações organizadas, planejei minhas férias do trabalho e fiz a aquisição das passagens aéreas (Campinas – Navegantes / Porto Alegre – Campinas), visto que minha aventura terminaria em Gramado e de lá desceria de ônibus para Porto Alegre para na sequência voltar para Campinas. Além das passagens, também fiz os contatos e reservas nas pousadas, algumas delas indicadas pelo guia.

Comecei então a pensar no que levar para esta, que seria minha maior cicloviagem e ainda por cima, sozinho. Eis a dúvida: alforje ou mochila? Bagageiro e alforge iriam diminuir a agilidade da bicicleta, teria carga sobre “a magrela”, por outro lado, mochila nas costas poderia ser desconfortável e não caberia tudo o que eu precisava levar. Mas o que levar? Foi aí que fiz um check list e em seguida, testei se todos os itens caberiam na mochila de 22L Couberam! Optei pela mochila. Além desta também levei uma pochete onde deixo a carteira, jogo ferramentas, canivete e uma câmara de ar (fácil acesso).

Tudo decidido e organizado, inclusive o trajeto que ficou assim: Navegantes | Blumenau | Apiuna | Ibirama | Rio do Sul | Aurora | Ituporanga | Petrolândia | Rio Rufino | Urubici | Serra do Corvo Branco | Guatá | Serra do Rio do Rastro | Bom Jardim da Serra | Cânion Monte Negro | São José dos Ausentes | Cambara do Sul | São Francisco de Paula | Gramado.

Conforme planejado, sexta feira, 07 de agosto foi o dia da pedalada inicial. Voei de Campinas a Navegantes-SC e de lá fui direto para a agência dos Correios, despachar minha mala bike para Porto Alegre (não precisava ficar carregando este peso). Mala bike postada, bike montada, vamos pedalar!

Embora só fosse descobrir no final do pedal, foi aí que tive meu primeiro imprevisto, a mala bike não chegou, conforme esperado, pois os Correios de Porto Alegre alegaram estar com problemas no leitor ótico das encomendas. Toda conferência e digitação estavam sendo feitas de forma manual, assim sendo, para que eu pudesse embalar a bicicleta e transportá-la no voo de volta pra casa, passei em uma bike shop, peguei uma caixa de papelão, e resolvi assim o problema. (a mala bike chegou com 5 dias de atraso). Esta foi uma situação pontual, mas devemos levar em consideração no planejamento de uma próxima viagem, tendo sempre um plano B para momentos como este.

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Foto: Acervo pessoal Jessie Chimachi

Apesar de toda a organização, com planejamento para 10 dias de pedaladas, acabei concluindo o cronograma em 9 dias (percurso total de 747 km e altimetria acumulada de 13.219 m) sendo o trecho de Aurora-SC ao Cânion Monte Negro-RS a parte mais difícil, porém, com paisagens únicas e momentos inusitados, como esse encontro com a Maria-Fumaça, na região de Apiúna.

Percorri todo o caminho sem problemas mecânicos e nenhum pneu furado, 90% do traçado foi por estradas de terra, passando por fazendas e diversas comunidades, sendo que as que mais me impressionaram foram:

Parque Nacional da Serra do Itajaí (criado em 2004)

Possui inúmeras nascentes e rios de águas cristalinas. Antes da criação do Parque, existia uma comunidade chamada Faxinal do Beppe. Após a retirada e indenização das famílias locais, todas as casas ficaram abandonadas e o pedal neste dia foi muito solitário, passando a sensação de uma “cidade fantasma”.

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Foto: acervo pessoal Jessie Chimachi

Serra do Corvo Branco

A lendária estrada, que foi a ligação entre o litoral e a serra, une diretamente Urubici a Grão Pará. Apesar de ela ter trechos interditados para obras, continua em atividade. Seu ponto de início se assemelha a uma verdadeira “garganta”, já que a serra começa no meio de dois paredões de pedra com mais de 90m de altura e fica a 27 km do centro de Urubici. No caso de chuva, a aventura fica ainda mais perigosa, pois devido às obras, todo o terreno está mexido, proporcionando doses extras de emoções aos mais aventureiros.

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Foto: acervo pessoal Jessie Chimachi

Serra do Rio do Rastro

de Lauro Muller (Guatá) a Bom Jardim da Serra. É um dos cartões postais do estado de Santa Catarina com mais de 1.421 m de altitude, caracterizada por subida íngreme e curvas fechadas. Em 2012 foi eleita uma das estradas mais espetaculares do mundo, por um site espanhol.

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Foto: Acervo Pessoal Jessie Chimachi

Cânion Monte Negro

Região que pertence ao município de São José dos Ausentes-RS e dista 43 km do centro da pequena cidade, o único acesso é pela estrada da Silveira. É o ponto mais alto do estado do Rio Grande do Sul, a 1.403 m do nível do mar. É possível chegar de carro, moto, pedalando, a cavalo até próximo ao Pico, o que facilita a caminhada nas bordas do cânion permitindo uma vista deslumbrante de toda a região montanhosa.

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Foto: Acervo Pessoal Jessie Chimachi

Passo do S

Localizado a 38 km do centro de Cambará do Sul, já no município de Jaquirana. A estrada corta o rio Tainha (sem ponte) sobre um lajeado de rochas de 80m de extensão. Quando o rio esta em seu nível normal é possível atravessa-lo de bicicleta (desmontado), porém com muita cautela e observando o sinalizador.

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Foto: Acervo Pessoal Jessie Chimachi

Destaco que para qualquer cicloviagem NUNCA se deve usar apenas uma fonte de informação. Nem todos os tracks que estão disponíveis na internet estão isentos de erros ou falhas. O guia foi de suma importância, pois as informações ali contidas eram confiáveis e sempre fornecia referências, às quais me apoiava em momentos de dúvida. Era só conversar com os moradores locais, mencionando tais pontos, que a conversa e as informações fluíam. Apesar da tecnologia, o guia foi o material de consulta mais relevante nesta cicloviagem, por trazer informações como: mapas, planilhas de orientação, distâncias, altimetrias, dificuldades físicas e técnicas, hospedagens entre outras.

Esse foi o maior desafio que enfrentei de bike até hoje, tanto pela distância e altimetria acumulada, como pelo fato de estar sozinho e consequentemente sem nenhum apoio em caso de emergência. Porém, foi também uma experiência única e me serviu como momento de reflexão e autoconhecimento.

Os aventureiros que desejarem fazer este trajeto e necessitarem de informações podem me contatar via Facebook e ou email: jchimachi@gmail.com

Equipamentos utilizados:
• Bike: Trek Superfly 29″ Full Suspension AL 100 – ano 2012 – 30v
• Mala-bike: flexível de fabricação própria
• GPS: Garmim EDGE 800
• Guia BluGrama – Editora Kalapalo
• Mochila 22 L com capa de chuva
• Pochete

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3 COMENTÁRIOS

  1. Poxa muito legal essa Cicloviajem meu nobre Biker.
    Eu fiz uma parecida em 2005.
    Brusque á Ijuí/RS, finalizada em 4 dias e meio 719 Km.
    Parabéns e obrigado por partilhar essa viajem e para relembrar a minha de como foi bom e divertido.
    Biker abraços.
    LEITE BIKE

  2. Muito legal a cicloviagem, você poderia passar o arquivo do gps, gostaria de repetir o percurso

  3. Show essa cicloviagem. Parabéns Jessie. Deu muita vontade de fazer Tb.

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