De Natal a São Miguel do Gostoso (RN)

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Marco Zero da BR 101, próximo a São Miguel do Gostoso.
Marco Zero da BR 101, próximo a São Miguel do Gostoso. Foto: acervo pessoal Marlene e Denise

Por Marlene Silvana Martim e Denise Vida

Quarenta dias à nossa disposição… Partimos, cada qual com suas expectativas, mas sempre pensando no positivo, no bom, no bem e no crescimento interior. Chegamos na linda cidade de Natal-RN no dia 28 de fevereiro de 2015. Para chegar na praia de Ponta Negra, passamos pelo Parque das Dunas – um visual diferente de tudo o que tinha visto em minha vida. Neste dia pedalamos 42km.

Iniciando a Costa das Dunas

Choveu na madrugada, mas pela manhã já tinha sol. O dia amanhece cedo por aqui. Nosso café da manhã foi cuscuz, melão, uvas, iogurte, queijo e café solúvel. Vamos começar a subir para a cidade de São Miguel do Gostoso, onde será nossa base. “Subir” é um termo que os moradores do sul e sudeste usam quando vão para o Nordeste. Mas por lá eles dizem exatamente o contrário. Isto porque em latitude nós, aqui do sudeste, estamos em graus mais altos do que os do Nordeste e Norte. Natal, por exemplo, está a 5º de latitude enquanto aqui em São Paulo estamos a 23º

Pegamos a Avenida Costeira, com uma boa estrutura cicloviária, e seguimos com o visual das belas praias urbanas de Natal de um lado e do parque das dunas do outro. Após alguns Km’s alcançamos a Ponte Newton Navarro. Após esta ponte pênsil muito bonita chega-se às praias mais frequentadas, como Redinha e Santa Rita, onde fomos pedalando pela areia da praia, até Genipabu, onde fizemos uma travessia de barco até Barra do Rio.

Ponte Newton Navarro
Ponte Newton Navarro

Passamos pelo pequeno vilarejo de Graçandú – uma praia da cidade de Extremoz. Estamos na Vila de Pitangui, cansadas por causa do sol forte. Sinto uma sede sem fim. Vamos pedalar um pouco mais, uns 7 quilômetros, numa estrada entre dunas – as Dunas de Genipabu: uma paisagem absolutamente nova para mim. O sol castiga e eu descuidei do filtro solar.

Chegamos na Vila de Muriú, depois de passar por Porto Mirim e Jacumã, e encontramos a Pousada Estrelamar, de frente para o mar. Descarregamos as bikes, tomamos uma cerveja bem gelada e fomos conhecer a Lagoa de Jacumã. Era domingo e o lugar é muito bonito. Na volta à Muriú, encontramos o padre na frente da Igreja de São Benedito para a missa de domingo e paramos para trocar uma ideia e pedir a proteção. Neste dia pedalamos 66km.

Segundo dia

Antes de partir da pousada, como o dia chega sempre às 5 da manhã, aproveitamos para conhecer a praia e ver o sol nascer. Mas o tempo estava carregado e, realmente, caiu a maior chuva! Pensamos que choveria o dia todo, mas não. E assim que ela diminuiu nós partimos em direção à Maxaranguape. Nesta pequena vila fica o Cabo de São Roque, que é o ponto da América do Sul mais próximo da África e onde fica o Farol de São Roque.

Antes do farol, encontramos a Árvore do Amor, que nada mais é do que o “abraço” de duas gameleiras, árvore típica da região. Dizem os nativos que o casal que se beijar embaixo do arco formado pelos troncos das árvores jamais se separará. É realmente muito bonita essa árvore e ao lado tem uma barraca onde tomamos uma água de coco. Crianças estavam por ali pedindo algum trocado.

Chegamos em Maracajaú com 28km de pedal muito tranquilo. Estrategicamente, resolvemos ficar por aqui. Encontramos a Pousada Corais de Maracajaú. As bicicletas carregadas chamam a atenção e as cicloviajantes são recepcionadas com muita cortesia.

Venta forte, mas fomos conhecer a praia. Muitas construções estão em ruínas por causa do avanço do mar. Aqui começa uma grande área de proteção de recifes de corais. A sete quilômetros da praia estão os parrachos, que são barreiras de coral que formam piscinas naturais. Barcos levam os turistas para mergulhar. Saímos da praia, atravessamos a Vila e subimos as dunas para ver o por do sol, muito lindo!

O que comer depois de um dia agitado? Sopa é sempre uma boa opção por aqueles lados.

Malucas de BR

Decidimos sair da costeira e pedalar pela BR 101 até São Miguel do Gostoso. A rodovia segue por muitos Km’s com pouco movimento e quase sem viva alma. Sem sombra e com a típica vegetação tabuleiro, pedalamos sob sol forte.

Quando chegamos na entrada de Touros ficamos mais animadas pois nossa água já estava quente e no fim. Chegando no trevo de São Miguel do Gostoso, apesar do calor e da sede, resolvemos seguir até o Marco Zero da BR 101. É sempre emocionante esses marcos!

Marco Zero da BR 101, próximo a São Miguel do Gostoso.
Marco Zero da BR 101, próximo a São Miguel do Gostoso. Foto: acervo pessoal Marlene e Denise

Vimos algumas casas ali perto e resolvemos pedir água e, além da água, recebemos maçãs e bananas. Com o “gás” necessário, voltamos ao trevo de São Miguel e pegamos a estrada.

Chegamos na Vila de São José de Touros com 61km pedalados e paramos na primeira sombra que vimos. Trata-se da “Urca do Tubarão”: um espaço amplo, de 6.000 metros quadrados, com 5 chalés, restaurante, cachaçaria e a casa dos proprietários. Logo que chegamos os funcionários nos disseram: – os donos também são ciclistas!

O sol exaure e nós, então, demos um tempo. Comemos uma fritada de camarão, descansamos naquela sombra prazerosa e seguimos na pedalada até São Miguel do Gostoso, a 8km dali. Decidimos por estabelecer nossa base na pousada Urca do Tubarão e, de lá, fizemos várias cicloviagens curtas para conhecer um pouco mais o litoral potiguar.

Retornamos à São Paulo de alma leve, banhada num mar verde azulado, de águas mornas.

[Nota do blog:] se você vai pedalar pelas cidades desse roteiro, pode consultar campings, hostels, pousadas e hotéis nos links abaixo:

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