Expedição Caminhos de Canudos

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Foto: acervo pessoal Wilton Rastely

Por Wilton Oliveira Rastelly

Este documentário tem por finalidade passar para todos os leitores um breve resumo da Expedição Caminhos de Canudos. Expedição essa elaborada pelos amigos Esron, conhecido como Nino da farmácia, residente na cidade de Nova Soure-BA e Adriano, residente na Capital do Estado, contudo que seus familiares residem na cidade de Novo Triunfo-BA.

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Participaram da expedição: Nino, 34 anos de idade, o qual é farmacêutico e tinha a função de ser “o médico” do nosso grupo; Adriano, 26 anos de idade, com a função de Guia, por tem mais conhecimento com as trilhas e estradões onde iriamos passar; Ruy de Carvalho, 55 anos de idade, com a função de mecânico do grupo e este relator Wilton Rastelly, com a função de registrar o ocorrido.

Depois que foi traçado o roteiro com data prevista foi se formando a ideia da viagem, onde fomos convidados, outras pessoas foram convidadas através de cartaz colocado na internet no facce book e outros, contudo somente os quatro aventureiros como o povo chamava os doidos que se propuseram a fazer tal façanha, digo isso porque todos ciclistas amadores sem experiência, mas com coragem ou tolice.

Eu, o Rastelly não via a hora de chegar o dia da viagem, porém a cada dia mais perto, pensava se deveria ir ou não. A ansiedade era muita, e mesmo no dia da saída pela manhã pensei em desistir, o que não foi feito em virtude de que já havia dado minha palavra e os meus companheiros dependiam de mim.

O DIA DA VIAGEM:

Por volta das 18h38 saímos da cidade de Olindina Bahia, (Nino, Ruy e Rastelly) com destino a cidade de Novo Trinfo na finalidade de encontrar o quatro integrante da nossa expedição Adriano. Por volta das 20h30 chegamos na cidade de Novo Triunfo, na residência dos pais de Adriano o qual nos recebeu com sua maravilhosa família. Alojamo-nos lá e nos preparamos para o início da expedição no dia seguinte, aproveitamos também para conhecer de perto o pai, a mãe e os demais familiares de Adriano os quais eram unanimes eu dizer que achavam uma loucura e que não teriam coragem. A mãe de Adriano contou um pouco da historia de seu avô Zé pequeno e de suas semelhanças com Adriano.

Foto: acervo pessoal Wilton Rastely
Foto: acervo pessoal Wilton Rastely

Tudo a posto no dia 19/03/2014 pela manhã, verificamos todo nosso material, deixamos pra trás as coisas mais pesadas e saímos de Novo Triunfo com destino ao nosso primeiro desafio que seria chegar no povoado de Besouro, depois passamos pelo povoado de viração ambos pertencentes a cidade de Novo Triunfo de lá seguimos com destino a cidade de cidade de Canudos, local da nossa parada. Neste dia o sol não estava contribuindo, o tempo estava bom sim, mas pra praia, a temperatura chegava a 40º, o nosso guia Adriano era o que mais sentia pois ele comentava que estava acostumado a pedalar por mais de dez dias seguido contudo nós estávamos sempre parecendo que estávamos apostando corrida, que o ritmo estava muito forte em virtude de que seriam pra mais de 500 km que iriamos percorrer , por volta de 11h20 chegamos no povoado de brejo grande, município de Jeremoabo-BA, paramos para arrumar as mochilas e dar prosseguimento a viagem, às 12h já estávamos no distrito de Asa branca, eu dei uma esticada e o restante da equipe ficou atrás, os quais chegaram às 12h34, o motivo do atraso foi em virtude de que a câmara de ar da bike de Nino furou e foi necessário a reposição da câmara, este mesmo povoado almoçamos e depois seguimos com o sol ainda muito forte.

As vezes parecia que a nossa cabeça ia pegar fogo, estrada de chão, cascalho puro, pra piorar muita “costela de vaca”, parecia que o nosso destino nunca ia chegar, rogávamos pela noite contudo não seria uma boa ideia esperar a noite chegar, em face de que a estrada era deserta e não havia segurança, a bike de Ruy começou a apresentar problemas, subidas e mais subidas, a proporção que o tempo ia passando o cansaço aumentava, mas no meio de todas as dificuldades encontramos algo pra nos alegrar: uma arvore cheia de arara azul, espécie ameaçada de extinção, dai comentamos que somente de bike teríamos a oportunidade de ver essa beleza da natureza. Depois avistamos um monte e resolvemos explorar, deixamos as bikes embaixo com o companheiro Ruy de Carvalho o qual teria a função de tirar as fotos e também concertar a sua bike enquanto agente fazia a exploração do monte. O caminho até o monte era de difícil acesso, mas estávamos determinados, Nino a frente, Adriano no meio e Rastelly logo atrás, com muita dificuldade conseguimos chegar até o topo do monte.

Foto: acervo pessoal Wilton Rastely
Foto: acervo pessoal Wilton Rastely

Tivemos que sair logo pois ali era o habitats natural das arara azul. Depois dessa aventura tudo teve mais sentido, dai passamos a superar nossos próprios limites e já pedalávamos “no automático” isso mesmo o que vinha agente traçava e por volta das 18h10 chegamos na cidade de Canudos onde pernoitamos na residência do Sr. Malaquias avô de Adriano. A noite saímos pra conhecer a cidade e jantar. Pela manhã tomamos café, depois procuramos uma oficina para repor algumas peças da bike que apresentou defeito.

SEGUNDO DIA DE EXPEDIÇÃO.

Antes de visitar o memorial de Antonio Conselheiro, tive uma prosa com o Sr. Malaquias de 96 anos de idade, o qual se dizia que era amigo de Lampião e que Antonio Conselheiro foi um “Fanfarrão” Nas palavras dele Lampião foi injustiçado e que só fez o que fez em virtude de que assassinaram a sua mãe, mas que ele era gente boa, perguntei pra ele como lampião morreu ele respondeu que lampião morrer contudo não foi como conta a historia que arrancaram a cabeça dele, que a cabeça que mostraram nunca foi a de lampião, perguntei também de Maria Bonita ele respondeu que ela era mulher de uma sapateiro e depois se apaixonou por lampião e se embrenhou no cangaço, quando eu perguntei se Maria Bonita havia traído lampião com Curisco ele deu risada e disse que é o que dizem, que um dia viu uma sena de lampião que lampião chegou na roça e havia um forró e ele colocou todos pra dançar agarradinho, porém todos nus e ele ficou com o facão na mão e disse que quem se agitasse ele cortava os documentos do cabra. Sempre charmoso e elegante Sr. Malaquias gostava de conversar, passar seus ensinamentos e acima de tudo tirar foto, o cara é um ícone na cidade de Canudos.

Continuamos nossa expedição fazendo uma visita no Memorial Antonio Conselheiro, quem nunca foi naquele local não sabe o que está perdendo, um pedacinho de nossa história está contada ali, através de livro, documentários bonecos de cera e muito mais, ficamos fascinados com a grandiosidade de tanta beleza, fomos bem recebidos, pois o povo daquela localidade é um povo muito acolhedor. Depois saímos com destino a barragem.

Foto: acervo pessoal Wilton Rastely
Foto: acervo pessoal Wilton Rastely

Tudo era muito bonito e fascinante, contudo a expedição tinha que continuar e no caminho da cidade de Uauá, passamos no Parque estadual de Canudos, cenário da Guerra de Canudos, onde muitas batalhas foram traçadas, local tombado como patrimônio histórico onde observamos varias trincheiras, onde servia de abrigo contra o ataque inimigo. Chegamos no parque por volta das 13h23, com muita fome, o sol não dava trégua, e vamos almoçar no distrito de Canudos Velho isso era o que estava previsto contudo fomos almoçar às 15h20 na cidade de Bendegó, cidade onde conta a lenda que caiu um meteorito. Todos estamos bastante cansados, a cidade de Uauá fica somente á 45 a 50 Km, desta localidade, o que deixa agente mais animado é que será pista, por hoje chega de aperreio, estamos no limite mas a vontade de vencer nos levará muito mais além.

A brincadeira agora virou disputa sadia, Rastelly e Ruy saíram na frente e por mais de 30 km andamos em uma média de 28 a 30 km por hora, Nino e Adriana ficaram mais atrás, procurei ver até onde o meu velhinho (Ruy) aguentava naquele ritmo, fui surpreendido que ele não aliviou um só momento, paramos em um povoado para tirar uma foto, foi quando observamos que Nino e Adriano já estavam colados, Adriano que era o que mais estava sentindo na estrada de chão, tomou a dianteiro e só conseguimos alcança-lo em um bar na cidade de Uauá, dando risada e tirando onda, ficamos muito felizes pois isso melhorou e muito a auto estima dele. Já anoitecendo chegamos, passamos a noite em uma pensão e pela manhã por volta das 6h30 saímos com destino a cidade de Monte Santo, estrada de chão, cerca de 120 km.

TERCEIRO DIA DE EXPEDIÇÃO.

Foto: acervo pessoal Wilton Rastely
Foto: acervo pessoal Wilton Rastely

Por voltas das 06h30 acabamos de tomar o café na pensão em que estávamos hospedados e saímos com destino a cidade de Monte Santo, estrada de chão, pela dificuldades e pelo sol muito quente foi o dia em que exigiu muito mais da nossa determinação. Dali por diante nem o nosso guia Adriano sabia por onde deveríamos ir, havia muitos caminhos e se tomássemos o caminho errado não chegaríamos ao nosso destino. Adriano começou a sentir fortes dores nos joelhos, dificultando um pouco desenvolvimento, combinamos então que eu (Rastelly) e Nino iriam na frente sempre tomando informações e deixando indicações de por onde deveríamos ir.

Estávamos sim no meu do nada, uma estrada que só encontramos um carro quebrado no caminho e uma moto velha em todo percurso, quando passávamos em casas típicas de sertanejos ainda de taipa, os moradores nos recebiam parecendo que ali estava o Presidente da Republica, mas eram 120 a 140 km que teríamos de cortar, a determinação e perseverança fazia com que as dores fossem superadas , muitas das vezes fazíamos o percurso duas ou mais vezes procurando alguém para nos dizer o caminho correto, e sempre marcávamos o caminho utilizando pedra na finalidade de que os companheiro que vinha atrás não se perderem. Depois de uns 50 km paramos em um povoado dai esperamos por Ruy e Adriano, o qual só queria descansar um pouco, beber agua e comer alguma coisa, fiquei (Rastelly) com Adriano no local e Ruy e Nino ficaram no reconhecimento da área.

A cada momento o percurso ficava mais e mais complicado, mesmo porque as dores no joelho de Adriano aumentaram, eu (Rastelly) com o calor intenso só queria era chegar no destino para parar de pedalar, passamos por lugar que os moradores nunca tinham visto uma bike, no meio de tudo isso eu (Rastelly) ficava emocionado quando eu passava na frente das casas bastante humildes e gritava SALVE, SALVE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, e sempre tinha uma voz lá de dentro que respondia : PARA SEMPRE SEJA LOUVADO, sempre nos tratavam com alegria no rosto, nos fornecia água e convidava pra comer alguma coisa.

O sofrimento estava estampado na face do companheiro Adriano, não sei onde ele arrumou tanta força pra concluir aquele percurso, foi quando avistamos o tão esperado Monte Santo, contudo ainda havia uma longa subida, como se não bastasse a estrada estava em obras e recebemos toda poeira na “cara”. Chegamos na cidade por volta das 14h12 Nino e Ruy estavam nos esperando, iriamos almoçar para nos deslocar para a cidade de Euclides da Cunha onde iremos pernoitar. Ruy e Nino foram na frente em virtude de que eu (Rastelly) e Adriano precisávamos de um tempo maior para descansar uma vez que Adriano estava sentindo muito o joelho, foi que quando Adriano achou que tinha condições para continuar saímos em direção a Euclides da Cunha, encontramos os nossos dois companheiros tentando concerta a bike de Ruy, contudo os mesmo mandaram nós adiantar para providenciar uma pensão para dormimos, a bike de Ruy não foi concertada no tempo previsto dai tiveram que pegar uma carona em uma carro baú até a cidade de Euclides da Cunha.

ULTIMO DIA DE EXPEDIÇÃO.

Foto: acervo pessoal Wilton Rastely
Foto: acervo pessoal Wilton Rastely

Tomamos café na pousada aqui na cidade Euclides da Cunha e por volta das 08h30 saímos com destino ao nosso ponto de partida, a cidade de Novo Triunfo, mas para isso vamos passar nas cidades de Banzaê, Cicero Dantas e por fim Novo Triunfo. Iremos por pista saindo de Euclides da Cunha com destino ao povoado de Aribicé. A estrada mesmo sendo pista é muito cheia de subidas e o grupo já estava abatida, a final são quatro dias pedalando em terrenos de difícil acesso, em alguns lugares não havia como não parar para registrar a beleza da natureza, uma paisagem muito interessante é a chamada pedra furada, quando chegamos em Aribicé tomamos informações a respeito da distância para chegar na cidade de Banzaê, foi quando um morador nos informou que iriamos encontrar um “subidinha” não sabíamos o que iriamos encontrar á frente, que era a chamada sete curvas.

Quando observamos era aproximadamente umas onze horas do dia, o sol companheiro e sempre perto, com muita fome, olhamos e dizemos “vamos traçar”, tomamos um energético como se resolvesse alguma coisa, passamos quase 40 minutos somente de subida. Adriano chegou primeiro no topo das sete curva, seguido por mim (Rastelly) e depois veio Nino e Ruy,já estava perto faltava pouco para chagarmos na cidade de Banzaê (cidade dos índios), onde almoçaremos, almoçamos e depois o próximo destino seria a cidade de Cicero Dantas e por fim Novo Triunfo, onde descansaríamos e no domingo retornaríamos para nossas residências. Contudo na cidade de Banzaê eu (Rastelly) resolvi dormir em casa, estava cansado e enjoado de tanto pedalar, a saudade dos filhos me puxava para a cidade de Nova Soure, dai entramos em acerto me despedir do restante da equipe e tomei rumo para Nova Soure, e no final deu tudo certo eles dormiram em Novo Triunfo e eu (Rastelly) com a minha família e assim foi a expedição Caminho de Canudos.

Houve momentos que pensava em desistir, mas o desafio foi formado na finalidade de contar pra meus filhos que quando temos fé em Deus e força de vontade tudo é possível. A cada subida um desafio, a cada desafio vencido a esperança de que venceria o próximo.

Foto: acervo pessoal Wilton Rastely
Foto: acervo pessoal Wilton Rastely

Meus agradecimentos a Deus em primeiro lugar, aos meus filhos, e aos meus companheiros Nino, Adriano e Ruy de Carvalho, por fazerem parte dessa aventura.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Amigos Rastely e Nino, nós da Nova Soure estamos muito orgulhosos de tê-los como representantes de Nova Soure nesta Expedição. Uma Expedição que com certeza não foi importante apenas para fazer bem ao corpo como desafio, mas uma Expedição rica como história. Parabéns, precisamos fazer mais pessoas entrarem nessa pedalada saudável e rica em conhecimentos.

  2. Belo documentário…Momentos maravilhosos, cheio de beleza, encanto e aventuras. A vida é ou uma aventura audaciosa, ou não é nada. PARABÉNS DESBRAVADORES DO SERTÃO.

  3. Amigos Rastely e Nino, nós de Nova Soure estamos muito orgulhosos de tê-los como representantes de Nova Soure nesta Expedição. Uma Expedição que com certeza não foi importante apenas para fazer bem ao corpo como desafio, mas uma Expedição rica como história. Parabéns, precisamos fazer mais pessoas entrarem nessa pedalada saudável e rica em conhecimentos.

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