4 mulheres inspiradoras para o ciclismo que você precisa conhecer!

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Kittie Knox. Foto: https://transportationhistory.org/2017/03/13/women-in-transportation-history-kittie-knox-african-american-cyclist/

É inegável que as mulheres têm enfrentado muitos desafios na nossa sociedade, e no esporte isso não é diferente. Ser ciclista, para a mulher, ainda envolve a superação de inúmeros preconceitos e de dificuldades relacionadas a um esporte que nem sempre foi pensado para elas, como a falta de acessórios e até de bicicletas específicas para as nossas necessidades.

Pegar uma bike e sair pedalando pelas ruas de várias cidades brasileiras, por exemplo, pode ser mais complicado para elas do que para eles. Além do assédio, ainda é preciso lidar com questões relacionadas à falta de respeito com a mulher ciclista e até a visão de sermos um “sexo frágil”.

Veja também: O mercado das bicicletas para mulheres: muito além dos clichês

Apesar disso, cada vez mais as mulheres estão dominando o ciclismo, com diversos grupos de pedais femininos espalhados pelo país. Por isso, hoje nós separamos a história de algumas mulheres inspiradoras para o ciclismo e que ajudaram a modificar a nossa realidade. Confira!

1-Maria Ward

No final do século XIX, andar de bicicleta definitivamente não era algo “de mulher”. E se pedalar já era algo impensável para a maioria das mulheres, imagine só dar dicas de como fazer isso, inspirando outras mulheres a quebrarem barreiras.

Para Maria Ward impedir as mulheres de pedalar era algo totalmente ilógico e que deveria ser superado. Por isso, em 1896, ela lançou o “Ciclismo para Mulheres”, um manifesto que pretendia empoderar as mulheres por meio dos conhecimentos técnicos e teóricos fundamentais para dominar uma bicicleta.

Bicycling for Ladies, de Maria Ward

O livro foi considerado extremamente radical para a época e abordava questões fundamentais e úteis para que as mulheres começassem a pedalar, como as roupas mais indicadas, a melhor posição para pedalar, as ferramentas para resolver possíveis problemas que a bike podia apresentar, como ajustar a bike, etc.

Graças a essa publicação, muitas mulheres começaram a “perder o medo” da bicicleta e a encará-la como algo que também poderia ser usado por elas. Por isso, colocamos Maria na nossa lista de mulheres inspiradoras para o ciclismo.

2- Kittie Knox

Kittie Knox - mulheres inspiradoras para o ciclismo
Kittie Knox. Foto: Transportation History

Imagine só ser mulher, negra e ciclista nos anos de 1800? Pois essa era a realidade de Kittie Knox em uma sociedade americana completamente machista e preconceituosa.

Quando a Liga de Ciclistas Americanos foi fundada, em 1880, com o nome de Sociedade Americana de Wheelmen, apenas homens brancos podiam participar. Com o tempo, foi criada uma “barra de cores” para começar a inclusão dos ciclistas negros, ainda assim com um forte preconceito.

Em 1893, a ciclista negra Kittie Knox recebeu o seu cartão de membro, fazendo com que ela não pudesse mais ser impedida de participar das atividades oficiais da Liga, superando inúmeras barreiras. Mas, para conseguir isso sua trajetória não foi simples.

Kittie se apaixonou pelas bicicletas ainda na infância. Pressionada pelos costumes da época, acabou se tornando costureira e usou os seus conhecimentos nessa área para desenvolver calças próprias para o pedal, dando a ela bem mais liberdade de movimentos.

Em 1885, ela decidiu participar da Liga de Ciclistas Americanos, mas, claro, demorou um tempo até que a sua participação fosse permitida. Porém, quando conseguiu, ela mostrou a todos que uma mulher negra tinha todo o direito de pedalar como todos os demais, quebrando os principais paradigmas da época e se tornando uma das mulheres inspiradoras para o ciclismo.

3- Annie “Londonderry” Kopchovsky

Annie Londonderry Kopchovsky - mulhjeres inspiradoras para o ciclismo
Foto: The Adventure Journal

Annie é dona de uma proeza até hoje reconhecida. Em 25 de junho de 1894, diante de uma multidão de 500 pessoas, em Massachussetts, ela declarou que viajaria o mundo a bordo da sua bike Columbia de quase 20 kg.

Essa aventura começou como uma aposta. Conta a história que um cavalheiro em Boston apostou com outro que nenhuma mulher seria capaz de viajar o mundo com uma bicicleta. Annie foi a escolhida para provar que esse feito era possível.

O mais surpreendente é que Annie aprendera a andar de bicicleta apenas alguns dias antes da sua partida e teria 15 meses para cumprir o desafio, além de 500 dólares para pagar as suas despesas.

Após 2 meses, Annie trocou a sua bicicleta de mulher por um modelo masculino, com metade do peso, além de ganhar mais dinheiro dando palestras e contando a sua história.

É claro que em alguns momentos, Annie precisou usar navios para se deslocar. Porém, contrariando todas as expectativas, em 12 de setembro de 1895 ela concluiu a sua aventura, ganhando o prêmio em dinheiro.

Embora muitas pessoas achem que essa foi apenas uma jogada de marketing das marcas que a patrocinaram, Annie rompeu inúmeros padrões, pois era casada e tinha filhos na época da viagem, e deixou o seu papel de esposa para se transformar em ciclista e jornalista, já que enviava periodicamente para os jornais os relatos da sua história.

4- Alfonsina Strada

Alfonsina Strada - mulheres inspiradoras para o ciclismo
Alfonsina Strada

Há alguns anos o famoso Giro D’Italia não permitia a participação das mulheres. Mas, é claro que essa norma não foi impeditiva para Alfonsina Strada, uma italiana de cabelos curtos e estrutura musculosa, que enganou os organizadores e participou da competição em 1924, sob o nome de “Alfonsin”, participando das primeiras duas etapas junto dos homens, até sofrer uma queda na estrada para Nápoles.

Alfonsina nasceu em Riolo, no município de Castelfranco Emília, na Província de Módena, na Itália, em 1891. Ela era a terceira de nove filhos de uma família pobre e estreou nas pistas com a bicicleta do seu pai em 1907.

Aos 24 anos, ela cedeu às pressões sociais da época e acabou se casando com Luigi Strada, um homem a frente do seu tempo e que compreendeu rapidamente a paixão de Alfonsina pelo pedal, presenteando a esposa no seu casamento com uma bicicleta masculina de corrida com guidão curvo.

Eles se mudam para Milão e Luigi se torna, além do principal incentivador da mulher, também o seu treinador.

Alfonsina não conquistou um lugar no pódio no Giro D’Italia, mas marcou seu nome na história como uma das mulheres inspiradoras para o ciclismo. Depois disso, mesmo tendo ficado viúva, ela continuou se dedicando ao pedal, montando uma loja de bicicletas e consertos.

Mulheres inspiradoras para o ciclismo atualmente

Renata Mesquita - mulheres inspiradoras para o ciclismo
Renata Mesquita – Embaixadora Specialized. Foto: Facebook Oficial

É claro que, de lá para cá, muita coisa mudou no ciclismo feminino – e continuamos tendo histórias de mulheres inspiradoras para o ciclismo, que criam grupos, movimentos e coletivos, incentivando as mulheres a se empoderarem por meio da bike.

Uma dessas histórias mais atuais é da designer e ciclista Renata Mesquita, que em 2015 criou o Pelotão das Minas, organizando treino de mulheres na estrada e em algumas trilhas. Renata começou a pedalar em 2010, após o término de um relacionamento e viu na bike uma forma de superação da tristeza e também de conhecer novas pessoas.

Hoje Renata é embaixadora da Specialized e ajuda a divulgar e a fortificar o pedal feminino, ao lado de outros nomes, como Julia Favero.

Apesar de toda essa evolução, o pedal feminino ainda tem muito a crescer e a mostrar, quebrando barreiras e preconceitos, com muitas mais histórias incríveis como dessas mulheres inspiradoras para o ciclismo.

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1 COMENTÁRIO

  1. Sou de Carolina-Ma -Chapada das Mesas
    Amo pedalar.
    Na minha cidade, a paisagem é belíssima.

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