Do retorno às pedaladas ao primeiro Duathlon: “fui por aí”

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Foto: acervo pessoal Elisio Vieira de Faria

Por Elísio Vieira de Faria

Posso dizer que estou tocando e trocando as marchas. Sou cidadão da melhor idade e, para torná-la ainda mais prazerosa e movimentada, decidi que é preciso viver e não ter a vergonha de ser feliz, como sugere o verso do saudoso poeta Gonzaguinha.

Estar na terceira idade é, de repente, pergunta-se: o que é o que é? O que é a vida ao ser humano? Depois de cumprida as obrigações profissionais, o que fazer? Dentre as escolhas pelo mundo do esporte – sempre é tempo – escolhi pedalar e mover esta fase. Pois bem, de repente, se a vida é um círculo – volta-se ao começo – tomei o guidão da infância e da juventude novamente para continuar a ir, retomando a parada exigida pelo tempo do trabalho, da produção, das conquistas necessárias à sobrevivência.

Ganhei uma bicicleta no feliz natal de 2013. A mim, o então brinquedo, objeto também de trabalho da velha infância, me fora dado por minha esposa. Ela sempre presenteia com coisas práticas! E, passada a euforia dos festejos de final de ano, 2014 despontou-se como um caminho para ir por aí. De quebra, minha filha me deu o capacete. Gostei muito disto tudo.

O Retorno às pedaladas

Comecei a pedalar sozinho. Encontrava-me com outros ciclistas em pequenos grupos, ou mesmo com ciclistas solitários à busca de seus destinos. Reparava a forma como eles passavam pelas ruas, avenidas e lugares. Alguma coisa se buscava. De repente, me vi num pequeno grupo, estimulado por um companheiro de pedal. Fiz meu primeiro passeio coletivo por estradas de terra, onde a vida – desde muito tempo – levou histórias nos lombos de animais, sob os pés cansados dos estradeiros a caminhar, pelos antigos veículos. E agora, na solidão do caminho, bikes e bikers a conquistar espaços.

Comecei meus treinos matinais todas as segundas-feiras. Eles foram feitos para organizar a agenda semanal de atividades esportivas, mescladas à corrida, ginástica, em meus compromissos com a saúde, pelas vias esportivas. E às quintas-feiras e aos domingos, estava lá o espaço da pedalada, me fazendo ir pelas ruas, estradas de São José do Rio Preto, ganhando força muscular, velocidade, destreza, e muita vontade de ir tocando em frente.

Um dia de maio de 2014, uma mensagem de correio eletrônico anunciava o 1º Duathlon da cidade, que fora patrocinado por uma empresa de saúde. A vontade de participar ativou minha curiosidade sobre o evento, sobre o qual, via na veiculação de competições mostradas nos espaços de jornais, revistas ou programas esportivos de televisão. Pedalei de encontro ao regulamento. Pedalei mais e me inscrevi. Eram quatro quilômetros de corrida inicial, vinte quilômetros de pedal, finalizando a prova com mais quatro quilômetros de corrida.

Pensei: o que será isto? A vida, o que é o que é? É desafio, é risco, é volta, é circulo e, então, me dispus a enfrentar o risco sobre duas pernas, sobre duas rodas, mesmo que, ao final, as pernas parecessem não aguentar.

Um domingo do final de julho, dia frio, com uma sobra de noite chuvosa, tudo pronto para a largada, após todas as orientações da empresa local que organizou a prova, especialmente visando os critérios de segurança, considerando o número de novatos das categorias do certame.

E larguei. 59 era meu número de peito, de meu capacete e de minha bicicleta, a valorosa companheira de prova. Corri com o coração, imaginando o que seria a primeira passada para a área de transição. Passei pela área e fomos juntos: a esperança, a bicicleta e eu para o desafio a que se destinava o meu novo tempo. Rompemos juntos os 20 quilômetros. Uma emoção a cada volta de cinco deles. E era chegada a nova transição para a área de corrida. Separamo-nos temporariamente a bike e eu e, no que as minhas pernas me levaram, lá fui eu completar os últimos quatro quilômetros da prova.

Do retorno às pedaladas ao primeiro Duathlon
Do retorno às pedaladas ao primeiro Duathlon. Foto: acervo pessoal Elisio Vieira de Faria

De longe se avista o portal de chegada. A missão fora cumprida. Até aí, tudo bem. Recuperação, isotônico, frutas, água, medalha de finisher no peito. Iniciaram-se os trabalhos de premiação das categorias. Dentre elas, na categoria over 60, foi composto o pódio: seus representantes pela ordem inversa do quinto ao primeiro lugares. Minha alegria grande foi quando ouvi o anúncio de meu nome como o primeiro colocado no primeiro Duathlon de que participei, em meu retorno ao mágico mundo das pedaladas. Aos 62 anos de idade, vencedor da prova, tomo como lema uma frase que vi numa camiseta para bikers: “a vida é como andar de bicicleta: para manter o equilíbrio é preciso seguir em frente”. E por aí vou…


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