Um rolé em Belém do Pará

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Fotos: Gil Sotero / Will Odilon

Por: Gil Sotero

Quem gosta de pedalar procura sempre uma justificava para montar em uma magrela e sair por ai. Há dois anos passei a incluir pelo menos um “rolé” de bicicleta em minhas viagens. A bicicleta aumenta a capacidade de deslocamento em ate 17 vezes, em relação a caminhar somente, o que torna bem agradável e útil explorar um cenário urbano desconhecido.

Um rolé em Belém do Pará

Durante o carnaval de 2014, aproveitei uma daquelas promoções imperdíveis e resolvi conhecer Belém, a capital do Pará. Logo que comecei a pesquisar em fóruns de ciclistas muitos alertaram sobre as chuvas e que não seria tão divertido ir de bicicleta quanto em outras estações. Como, ia fazer duas escalas acabei desistindo de levar a minha dobrável. Um grande erro certamente! E tive certeza quando desci e em Belém e ia em direção ao hotel , observando a topografia da cidade de ruas largas e planas. Como me avisaram a chuva aparecia constantemente e em alguns horários praticamente determinados!. Os moradores costumam perguntar – “Antes ou depois da chuva das 4hs?” – quando precisam marcar um compromisso , Rs. O calor é um residente nativo mas, nada insuportável já que eu sou de uma cidade igualmente quente, Salvador e vivo em BH, capital mineira que agrega um “sol” a cada novo verão, devido o excesso de carros na cidade e a urbanização que está transformando-a numa ilha de calor.

Logo no primeiro dia em Belém, fiquei encantado com as cenas que via diante dos meus olhos. Pessoas em suas bicicletas levando os filhos. Amantes em uma bicicleta apenas.  Trabalhadores saindo do trabalho, chegando. “Estou na Amsterdam brasileira?” pensei!.  Viajar sem bicicleta te deixa muito restrito. Perdi dias de tranquilidade em que poderia ter aproveitado bastante pedalando pela cidade plana e bem propicia a bicicletas, já que os beleneses estavam fora da cidade e o trânsito estava tranquilo! Alugar uma bicicleta nem sempre sai barato. Uma das opções que me ofereceram cobrava R$ 70,00 uma diária. A Belém tranquila e calma durante o carnaval fazia chacota de mim: Por que não vieste de bike?  Felizmente através do grupo no facebook  “Bicicletada Belém”  fiz alguns amigos que me arrumaram duas bicis e assim pude dar um rolé pela cidade na companhia de dois ciclistas nativos (e que fez toda a diferença): Murilo Rodrigues e Claudio Custódio. Tudo foi possível graças também aos amigos Robison Bahia e Rejane Manuela.

Claudio e Murilo nos mostraram uma Belém para além dos cartões postais. Além das praças e arquitetura, conhecemos também lugares bike friendly que quaquer ciclista pode visitar sem se preocupar. O resultado foi um passeio tranquilo com paradas em muitos lugares legais.

Um rolé em Belém do Pará
Um rolé em Belém do Pará. Fotos: Gil Sotero / Will Odilon
Um rolé em Belém do Pará
Um rolé em Belém do Pará. Fotos: Gil Sotero / Will Odilon
Um rolé em Belém do Pará
Um rolé em Belém do Pará. Fotos: Gil Sotero / Will Odilon
Um rolé em Belém do Pará
Um rolé em Belém do Pará. Fotos: Gil Sotero / Will Odilon
Um rolé em Belém do Pará
Um rolé em Belém do Pará. Fotos: Gil Sotero / Will Odilon

Dicas:

  • Hospedagem em Belém do Pará: veja uma lista com boas opções neste link.
  • A Estação das Docas é um lugar lindo, mas não permitem bicicletas no passeio interno (lamentável isso). Vale a visita se quiser deixar a magrela presa no bicicletário próximo a Portaria – http://www.estacaodasdocas.com.br/
  • Já no Mercado ver o Peso, a diversão é garantida. Deixe a bici presa em frente a um dos bares do cais, enquanto experimenta iguarias como peixe e açai.
  • Se seu estômago não for para o Mercado Ver o Peso, recomendo o aconchego do restaurante Dona Joana (Travessa Campos Sales, 482). O Dono Alberto Araújo mantém um cardápio sem glúten e com receitas de família aproveitando os produtos locais.
  • Mangal das Garças é um parque fantástico a entrada é gratuíta e conta com bicicletário. Imperdível. http://www.mangaldasgarcas.com.br
  • Se puder encontre um ciclista que possa te levar a alguns locais. É mais fácil pedalar com quem conhece a cidade e te leva por rotas mais tranquilas.
  • Leve sua bici e capa de chuva.

Estrutura: Apesar de a cidade ser plana e muito usarem a bicicleta como meio de transporte, o governo local ignora a existência dos ciclistas e não há ciclovias na região central da cidade. Os motoristas são agressivos e discriminam os bicicleteiros.A “elite” local trata a bicicleta como “transporte de pobre” e acreditam que a cidade deve atender a demanda de carros. Um absurdo não é?  Apesar disso Belém é a capital brasileira em que mais observei pessoas usando a bicicleta como meio de transporte. Somente isso deveria justificar mais investimentos em segurança para quem usa a magrela.

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Gil Sotero é jornalista e designer bicicleteiro. Escreve nos blogs BH Cycle Chic (http://bhcyclechic.wordpress.com) e Bicicleta Bege (http://bicicletabege.wordpress.com). Criou a marca Catraca Verde que faz acessórios para ciclistas urbanos. É idealizador do Clube Bicicleta Vintage e do Ciclo Bazar de Rua em Belo Horizonte.

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