Uma aventura de bike na Estrada da Graciosa (PR)

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Foto: acervo pessoal Sandro Roberto Pontes

Por Sandro Roberto Pontes

Bom. Minha história não é de uma viagem muito longa, mas cheia de aventuras emocionantes.

Certo dia de verão, eu e mais 3 amigos decidimos fazer uma aventura meio diferente. Tipo, “na loca” mesmo, sem programar nada, com muita antecedência. Nunca tínhamos feito tal aventura assim, de longa distancia.

Aventura de bike na Estrada da Graciosa

Em um domingo, resolvemos descer a Estrada da Graciosa, que liga Curitiba a Morretes, passando por Quatro Barras. Nesse município ela tem o nome também de “Estrada Dom Pedro II”. Com intenção de retornarmos de trem (naquela época a passagem desse trem se comparava à passagem de um ônibus coletivo), saímos cedinho de onde morávamos: Bairro Alto , em Curitiba. Pegamos a BR-116 até Quatro Barras, lá pegamos a Estrada Dom Pedro (Estrada da Graciosa). Hoje essa estrada é toda asfaltada. Mas naquela época, era toda de saibro e pedra.

Fomos pedalando entre muitas curvas, subidas e descidas. Pequenas pausas para um leve descanso debaixo de um sol escaldante, passando por paisagens maravilhosas em Quatro Barras. Chegamos na rodovia de acesso para Estrada da Graciosa, onde terminava a estrada de saibro e pedras e começava o asfalto. Mais algumas subidas e descidas , até chegarmos em um dos vários quiosques que margeiam a estrada da graciosa. Chegamos nesse quiosque , chamado de Eng. Lange. Paramos para fazer um lanche e descansarmos um pouco.

Fizemos nosso lanchinho e saímos. Desse ponto em diante é só descida, são 3km de asfalto e mais 8 de paralelepípedo, em meio a uma vegetação exuberante. Começamos a descer, e a velocidade aumentando, quando na terceira curva para direita, acho que devido ao declive muito acentuado, deve ter me dado alguma “lezera” na cabeça. Eu estava fazendo essa curva bem acentuada para direita e a curva foi se acabando, mas eu continuei a fazer essa curva. Quando fui me dando conta, já estava saindo da pista e entrando em um mato na beira da pista. De repente meu pedal direito bateu fortemente naquelas sinalizadores com + ou- 050cm de altura, que ficam na beira da pista. Quando vi, estava eu voando e bicicleta também voando atrás de mim. Caí na beira de um desfiladeiro e a bicicleta em cima de mim. Só protegi minha cabeça com os braços e senti a “coroa” do pedivela batendo no meu braço. Mas graças a Deus sem ferimentos mais graves, só tivemos que fazer uma corda humana para poder pegar minha bike que foi um pouco morro abaixo.

Conseguimos pegar minha bike e demos sequência na descida. Quando em outra curva acentuada, um colega meu, sem conhecer nada da estrada, foi fazer uma ultrapassagem de um veiculo (que nessa estrada não podem passar de 40 km/h). Só que ele não conseguiu controlar sua velocidade na ultrapassagem e foi direto em um paredão, ficando la estatelado, parecendo uma aranha. Mas graças a Deus , ele também sem ferimento nenhum, só mais um momento cômico.

Passado isso, mais uma vez demos continuidade em nossa aventura e continuamos a descer, e desta vez sem mais nenhum incidente. Percorremos os 3 km de asfalto e os 8 de paralelepípedo, cheios de muitas curvas acentuadas, e lugares magníficos. Terminamos a descida da Estrada da Graciosa, no Recanto Mãe Catira, outro lugar exuberante, com um magnífico rio, onde se pode tomar um banho delicioso. Demos mais uma paradinha nesse local maravilhoso e seguimos nossa aventura.

Dai para frente é só estrada asfaltada e um longo trecho plano. Chegamos em outro lugar maravilhoso chamado Porto de Cima. Lá tem uma ponte de ferro sobre o rio Hundiaquara, onde passa um carro de cada vez, e no verão fica cheio de gente para tomar banho. Nesse lugar também temina uma trilha magnifica, chamada de “Caminho do Itupava”, que também se inicia em Quatro Barras. Essa trilha passa pela mata atlântica fechada por quase 20 km. São + ou – 8 horas de trilha até Porto de Cima.

Ficamos em Porto de Cima um tempinho, desfrutando daquele lugar maravilhoso, e esquecemos um pouco do tempo. E depois de curtir de montão aquele lugar, demos inicio ao último trecho de nossa aventura. Mais 6 km até a linda cidade de Morretes, onde pagaríamos o trem , retornando para Curitiba.

Estrada da Graciosa
Aventura de bike na Estrada da Graciosa. Foto: acervo pessoal Sandro Roberto Pontes

Quando chegamos em Morretes, como esquecemos um pouco do tempo em Porto de Cima, havíamos perdido o trem de retorno para Curitiba. Ficamos em um dilema: ou dormiríamos na pracinha em frente a estação de trem , para retornarmos no dia seguinte, ou retornaríamos de bike pelo mesmo caminho que fizemos, ou ainda, subindo a BR-277.

E foi essa a decisão que tomamos, porque seria bem melhor retornar subindo a br 277 do que subir a Estrada da Graciosa. Saímos da estação de trem de Morretes, com destino a BR- 277. Já na BR, eu por brincadeira, fiz um sinal de positivo com minha mão, como se estivesse pedindo carona, e falei para os meu colegas:

– “pô bem q alguém poderia nos dar uma caroninha até Curitiba.”

Ai, meio que “do além”, uma daquelas Kombis caminhonetes passou ao nosso lado e parou logo na nossa frente. Foi muito engraçado nossas caras um olhando para o outro.

Quando desceu o motorista da Kombi e perguntou:

– “vocês estão indo para Curitiba? Querem uma carona ?”

Nós logicamente dissemos que sim, mas o motorista da Kombi nos disse:

-“só que eu só posso levar vocês até no máximo, um pouco antes do posto da P.R.F.”

Logicamente que aceitamos, pois naquele ponto já teriam acabado praticamente todas a subida da serra. Fomos colocando as bikes em cima da carroceria da Kombi, subimos todos na carroceria também, e o motorista falou:

– “só vou cobrir vocês com essa lona, para eu não ter problema, e procurem não se expor .”

Aceitamos, com certeza. Ele nos cobriu com aquela lona, só que logo em seguida, começou a vir um mau cheiro, um fedor mesmo, e logo depois descobrimos que ele tinha levado uma carga de porcos para o Paranaguá. Nossa, o cheiro estava insuportável. Juntou o fedor dos porcos mais um mau cheiro de chulé de um colega que tinha ido conosco. Eu não aguentei: no meio da subida da BR eu peguei um canivetinho suíço que eu tinha levado e cortei um pedaço da lona onde eu estava. Coloquei meu narigão para fora, e fui respirando ar puro. A viagem foi se seguindo, foi subindo a serra, e quando foi se aproximamos do posto da P.R.F. o motorista seguiu acelerando. Ele bateu no vidro traseiro da Kombi, e disse:

– “não se mexam, fiquem quietos ai.”

Ele foi passando o posto da P.R.F. e seguiu viagem até Curitiba, nos deixando em frente a fábrica da Coca-Cola. Descemos rapidamente da carroceria da Kombi, descemos nossas bikes, e agradecemos um montão.

Resolvemos “matar” nosso restante de lanche que tínhamos levado ali mesmo, em frente da fábrica da Coca-Cola, e percebemos também q um pneu dianteiro de uma das bikes de nossos colegas tinha murchado, falamos.

– “vamos comer primeiro, depois veremos o q vamos fazer.”

Nem bem terminei de dizer isso, quando de repente, em uma rua próxima, veio um bando de caras, que começaram a correr em nossa direção com pedaços de madeira nas mãos dizendo:

– “vamos pegar esses caras ai galera, vamos ganhar as bikes deles.”

Não pensamos em nada! Catamos nossas coisinhas jogamos dentro da mochila de qualquer jeito, montamos em nossas bikes e demos no pé dali, mesmo com o pneu murcho de uma das bikes. Mas graças a Deus conseguimos chegar em casa, sãos e salvos.

E assim se foi a primeira de muitas outras aventuras. E olha , naquela época não tínhamos bikes modernas. Eram bem simplesinhas, mas conseguimos realizar nossa aventura, cheia de tombos, banhos de rio e muitos km de diversão. E infelizmente também naquela época não tínhamos nenhuma maquininha de tirar fotos. Para nós essas coisas eram para quem tinha grana, e isso é o que menos nós tínhamos.

Devido a isso, a foto que mandei é mais atual, também de uma descida de bike da Estrada da Graciosa. Desde já grato pela atenção de vocês por lerem essa história .


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